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A crise norte-americana e seus reflexos atingem a economia de países do mundo inteiro. Esclarecendo suas particularidades e falando sobre investimentos está Glaucia Campregher, do Programa de Pós-Graduação em Economia da Unisinos.

 

A economia e a crise

Qual é, na sua opinião, a dimensão da crise? Quais as chances de ser controlada com as medidas aprovadas pelo congresso dos Estados Unidos e mesmo as demais medidas que de outros governos pelo mundo?

A crise é séria, muito grave mesmo. Até porque não se trata só de uma crise imobiliária, nem só financeira. O estopim foi o mercado imobiliário norte-americano, mas o fato da produção de riqueza nos Estados Unidos estar há muito tempo sustentada no consumo, e esse no crédito, nunca foi bom sinal.

De fato, tal esquema só foi possível porque o dólar é a moeda mundial e, assim, o mundo inteiro produziu pra vender aos consumidores norte-americanos, e com prazer. Além disso, desde a derrocada do sistema de Bretton Woods (forjado no pós-segunda guerra mundial, garantiu tempos de câmbio fixo, controle da mobilidade de capitais e possibilidade de políticas nacionais claramente indutoras do investimento produtivo), o mundo assistiu um crescimento da esfera financeira não bancária, que está por trás da dimensão maior da crise. Ou seja, um sistema onde se criam mercados de papéis que usam outros papéis como garantia. Quando alguém “quebra a corrente”, como aconteceu com os títulos hipotecários, não sofre só quem tinha esses papéis em mãos, mas o sistema como um todo.

Dizemos que se trata então de uma crise de confiança. Não faltam recursos ou liquidez no sistema, mas todos os agentes tendem a segurar os seus. Assim, o sistema tranca o crédito em geral para quem tinha papéis podres ou não! O Estado, se não quiser ver a crise de confiança se alastrar, como já ocorre, tem que intervir. A intervenção é o único jeito, a despeito de custar recursos do povo que não vão para o povo, mas para bancos, financeiras e corretoras. Mas, se isso não for feito, pior para o povo que se verá, além de sem casa, sem emprego.

As medidas que o Banco Central Americano (FED) e outros bancos no mundo afora andam tomando, se aprovadas, terão enorme dificuldade de fazer os recursos voltarem a circular, seja porque existe mais de um esquema e agentes no processo como um todo, seja porque já há uma crise de confiança instalada. O balanço positivo de tudo isso não está no curto prazo. Neste, ainda teremos muitas perdas. Mas, no médio e longo, o capitalismo mundial aprendeu uma grande lição: a desregulação, o crescimento exorbitante das finanças, a livre mobilidade de capitais, a inação das políticas nacionais, o pacote neoliberal, entre outras, não causaram nada de tão bom para a maioria do planeta. Só fizeram grandes fortunas localizadas, além de aumentar o risco de contágio e a instabilidade intrínseca. Depois da tempestade, acredito que haverá uma nova e grande discussão sobre uma outra globalização.

A disputa eleitoral nos Estados Unidos atrapalha a busca de uma saída para a crise?

Acredito que sim, mas fico pensando em uma crise como essa no meio do governo Bush. Trata-se de um governo que só fez aumentar a falta de compromisso do Estado para com os rumos da economia, que só fez aumentar os déficits comerciais do país e a dívida pública. Ao mesmo tempo em que diminuía os impostos sobre os ricos, permitia maracutaias contábeis (que manipulam e falseiam ganhos) das grandes corporações financeiras e não-financeiras, favorecendo que as empresas tomassem empréstimos e comprassem suas próprias ações. Com isso, inflaram os preços e os dividendos pagos, que conviveram bem com os altíssimos salários dos grandes executivos, entre outros valores defendidos e propagados pelo discurso daquele que na primeira fala pública em rede de TV logo, após os atentados do 11 de setembro, pede ao povo que “vá às compras”. Enfim, estou tão feliz por Bush estar saindo, o estrago que ele fez já foi tamanho... e, afinal, a crise estourando em pleno pleito dará ao novo presidente uma nova agenda. Seja ele quem for.

No que diz respeito aos aplicadores em ações nas bolsas de valores, as perdas tendem a ser maiores?

Por algum tempo, sim. Seja quem tem papéis contaminados e quer se livrar, seja quem não tem tantos, mas precisa recompor perdas. Seja quem não tem nada com esses papéis, que tem boas ações de companhias rentáveis, mas teme a perda de valor futuro, dada a crise de confiança. Todos tendem a correr e vender, o tal comportamento de manada, que este sim, faz cair o preço das ações. Bem, é uma boa época de compra pra quem pode aplicar e... esperar!

No geral, o que seriam boas opções de investimento em um momento como esse?

Bom seria se os empresários e o governo brasileiro acreditassem na economia nacional, liberassem o maior volume de crédito possível para os investimentos produtivos, para financiar as exportações, o crédito habitacional ainda (pois o nosso caso é o oposto dos norte-americanos) e revissem a política de livre câmbio e livre mobilidade de capitais. Boa opção é investir em riqueza real, é fazer capital aqui dentro mesmo, sem contar com a tal da “poupança externa” (conceito pra lá de controverso). Mas essas só são boas opções para o sujeito que tem recursos se os demais as tomarem também. E aí mora o perigo do sistema. Ao contrário da lenda, o que é melhor para um não é melhor pra todos. Por exemplo: logo agora, os bancos que estão quebrando estão sendo comprados a preço de banana por outros. Uma boa opção de sociedade é aquela que rompe com a miopia do individualismo de mercado.



Com a descoberta de reservas pré-sal divulgadas pela Petrobras, um novo panorama se abre para o país. Foi sobre isso que o JU Online conversou com o coordenador do curso de Geologia da Unisinos, Gerson Fauth.

Reservas pré-sal e o futuro do país

Reservas pré-sal e o futuro do país

O Brasil poderá se tornar um grande produtor de petróleo, com a descoberta das reservas no pré-sal?
Esta tem sido a pergunta mais freqüente dos brasileiros ultimamente. Eu diria que teremos chances de produzir muito mais petróleo e gás do que produzimos atualmente e que, com isto, poderemos propiciar ótimas oportunidades para gerar renda e riqueza aos brasileiros.
Nenhum técnico da Petrobras ou do governo teria condições hoje de informar se seriamos grandes exportadores, se faríamos parte da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) ou se chegaríamos perto do volume de óleo extraído anualmente pela Arábia Saudita. Existem fortes evidências geológicas que apontam para a existência de grandes campos contendo óleo e gás de ótima qualidade abaixo de uma espessa camada de sal. Nos próximos cinco anos, com o aprimoramento dos estudos geológicos e geofísicos nas bacias sedimentares de Santos, Campos e Espírito Santo, teremos condições de afirmar com maior precisão se realmente possuímos um grande volume de hidrocarbonetos.

O país já tem tecnologia para a extração de petróleo e tal profundidade?
Para explorar campos petrolíferos tão profundos, o Brasil terá que dispor basicamente de muitos recursos financeiros e tecnológicos. A Petrobras vem quebrando recordes de extração em águas cada vez mais profundas e buscando novas tecnologias para lidar com a nova realidade. Tenho certeza que ela irá ter capacidade para vencer mais esse. Entretanto, o conhecimento para desenvolver tais tecnologias deve ser gerado dentro da própria empresa e em parcerias com universidades brasileiras e estrangeiras. Hoje, as principais universidades brasileiras já estão colaborando com o aprimoramento dos conhecimentos nessas áreas.   

As demais reservas estão no pós-sal. O que isso significa?

Significa que as camadas situadas acima da camada de sal das bacias marginais brasileiras também possuem grandes quantidades de óleo e gás. Boa parte da auto-suficiência em petróleo do Brasil hoje veio dessas camadas. Elas são mais rasas, e a Petrobras possui todas as tecnologias de extração.



Entre as pesquisas de Carolina Lisboa, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Unisinos, está o bullying, espécie de violência intencional e repetitiva praticada por estudantes contra colegas. Foi sobre isso que o JU Online conversou com ela.

 

Bullying: conheça essa prática violenta

Bullying: conheça essa prática violenta

O que é o bullying?
É um termo usado para um tipo específico de comportamento agressivo manifestado entre grupos de jovens, principalmente em escolas. Embora se acredita que sempre tenha existido, o termo bullying começou a ser discutido por Dan Olweus, na Noruega, nos anos 90.

O bullying (melhor tradução é maltrato entre pares) refere-se a todos os atos agressivos verbais, físicos ou relacionais (fofocas) sistemáticos e protagonizados por um "agressor" e seus seguidores contra uma vítima. É um tipo de violência grupal que tem a ver com as relações de poder estabelecidas em grupos, através das quais umas pessoas sobressaem-se, humilhando e excluindo outras.
 
As crianças que o praticam são influenciadas ou más?
É um mito achar que crianças agressoras são más ou "problemáticas". Estudos provam que os agressores não apresentam traços psicopatológicos. Meus estudos no Brasil não confirmam que sejam mais agressivos, nem mesmo que as vítimas(!), como sugerem estudos internacionais. Estes fatos apóiam que as crianças são influenciadas pelo movimento, objetivos e dinâmica de grupos humanos.
 
A influência do grupo também pode ser positiva?

Sim, e muito. Embora ainda pouco estudados na literatura científica, observa-se que jovens que apresentam comportamentos positivos também apresentam comportamentos de risco (como agressividade) ao mesmo tempo, mostrando uma relação direta entre tais comportamentos. Os comportamentos e pensamentos positivos atuam como fatores de proteção capazes de evitar o bullying e exclusão social, assim como outros problemas na vida dos jovens.

Tenho estudado o contágio pelo grupo de pares (peer contagion) que se refere à influência do grupo nos comportamentos individuais, e observo que amigos e grupos sociais podem "ensinar" uns aos outros comportamentos de ajuda, comunicação, empatia, valores éticos e morais, bem como afetos positivos e alegria!



A campanha eleitoral já se iniciou, mas o clima é de apatia entre o eleitorado. São vários os motivos para isso, incluindo o fato de as atenções, nesta primeira etapa, estarem mais voltadas às Olimpíadas. Veja o que o professor Sérgio Trein, da Publicidade e Propaganda, falou com o JU Online sobre o tema.

Campanha eleitoral acanhada

Campanha eleitoral acanhada

Como foi o início da campanha eleitoral?
Em geral, foi, e está sendo, bastante acanhado. Uma das razões para isso é a falta de recursos financeiros na maioria das campanhas. Desde a CPI do Mensalão, que investigou caixas-dois de campanhas, muitos investidores ficaram mais reticentes em fazer contribuições aos partidos e aos candidatos. Além disso, houve alterações e restrições impostas pela legislação quanto ao uso da internet, de materiais promocionais e de publicidade em locais públicos, como postes, canteiros, etc.
Mas o principal ainda é o distanciamento das pessoas em relação à política. Elas não lembram em quem votaram, não conhecem o trabalho dos parlamentares, não participam dos espaços públicos de discussão. Ficam à margem da política. Nada mais natural, portanto, que acabem não se empolgando e não percebendo a importância de saber escolher seus representantes. E agora, com o início da Olimpíada e a agenda da mídia toda voltada para isso, as atenções continuarão distantes da política.

Já podemos dizer como será feito o embate entre os políticos na busca de votos?
Ainda é cedo. Entretanto, os debates e os materiais de campanha que começam a surgir sinalizam a linha de cada candidato. Além disso, é importante considerar que cada campanha tem o seu contexto. Os principais temas variam nos municípios. Normalmente, saúde, segurança e emprego fazem parte do contexto de todos. Em função das limitações impostas pela legislação, a tendência é que haja menos espetacularização nas campanhas e mais discussão sobre os problemas dos municípios, sobre a continuidade das gestões, sobre a eficiência dos programas de governo.
Essa questão vista anteriormente, sobre a distância das pessoas em relação à política, força os políticos a um esforço ainda maior no processo de convencimento de suas propostas. Não basta apenas que elas fiquem claras ao eleitorado. É preciso, também, apontar os problemas para, então, tentar provar que aquelas propostas são efetivamente as mais adequadas. Mas aí surge uma questão importante: como as pessoas não conhecem o processo de gestão pública, a escolha do eleitorado se dá em função do desejável, enquanto o político que for escolhido acaba trabalhando em função do possível. Na maioria das vezes, o possível fica bem distante do desejável. Assim sendo, aquele que foi escolhido torna-se sempre um alvo para os demais adversários nas próximas eleições, praticamente induzindo o embate para o campo das comparações.

O que muda com a campanha eleitoral com os meios eletrônicos?

Os meios de comunicação, por sua velocidade e sua capacidade de cobertura, tornaram-se uma ferramenta essencial nas campanhas eleitorais. Nenhum candidato conseguiria falar com tantas pessoas se não fosse através dos meios eletrônicos. A sala de estar das pessoas se transformou em um palanque eleitoral. O problema é que a política através dos meios incorporou toda uma linguagem jornalística e, principalmente, publicitária, de mensagens curtas e rápidas. Com isso, a discussão política que se dá através do rádio e da televisão não aprofunda as questões mais importantes. Os assuntos são tratados de forma superficial e numa linguagem de espetáculo. E, nessa linguagem de espetáculo, os próprios candidatos acabam se enquadrando em perfis típicos da mídia. Ou seja, tornam-se personagens. Por isso, além do conteúdo programático de cada candidato, acabam sendo importantes também a estética, o visual, a linguagem não-verbal, os cenários, os sons. Tudo acaba contando no ambiente eletrônico das campanhas eleitorais.
    



Há cinco décadas, o Brasil ganhava sua primeira Copa do Mundo. O antropólogo Édison Gastaldo, professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e autor dos livros Pátria, Chuteiras e Propaganda - o brasileiro na publicidade da Copa do Mundo e Nações em Campo: Copa do Mundo e identidade nacional, fala dessa vitória.

A Copa do Mundo é nossa - sim, mas a de 1958!

A Copa do Mundo é nossa - sim, mas a de 1958!

A seleção estava em sintonia com aquele Brasil da nova capital, da Bossa Nova, do cinema novo, do desenvolvimentismo de JK?
Gastaldo - O ano de 1958 foi um marco na moderna história nacional. Tudo deu certo para o Brasil, e a vitória na Copa do Mundo, embora não tenha sido motivada nem pela Bossa Nova, nem pelo Cinema Novo, desempenhou papel importante naquele momento de otimismo nacional. Como dizia a marchinha da época, "a taça do mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa!"

A Copa de 1958 acabou então com a síndrome de vira-lata do brasileiro?
Gastaldo - Na verdade, não acabou com o coitadismo, com a idéia de que "o brasileiro é um vira-lata entre os homens, e o Brasil um vira-lata entre as nações", mas deu um forte argumento à idéia oposta. É interessante pensar que, apenas 12 anos depois, o Brasil viria a ser tricampeão do mundo e se auto-intitularia "o país do futebol". Mas é só a seleção brasileira perder jogos decisivos que as acusações voltam...


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