.Bate-papo

Entre as pesquisas de Carolina Lisboa, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Unisinos, está o bullying, espécie de violência intencional e repetitiva praticada por estudantes contra colegas. Foi sobre isso que o JU Online conversou com ela.

 

Bullying: conheça essa prática violenta

Bullying: conheça essa prática violenta

O que é o bullying?
É um termo usado para um tipo específico de comportamento agressivo manifestado entre grupos de jovens, principalmente em escolas. Embora se acredita que sempre tenha existido, o termo bullying começou a ser discutido por Dan Olweus, na Noruega, nos anos 90.

O bullying (melhor tradução é maltrato entre pares) refere-se a todos os atos agressivos verbais, físicos ou relacionais (fofocas) sistemáticos e protagonizados por um "agressor" e seus seguidores contra uma vítima. É um tipo de violência grupal que tem a ver com as relações de poder estabelecidas em grupos, através das quais umas pessoas sobressaem-se, humilhando e excluindo outras.
 
As crianças que o praticam são influenciadas ou más?
É um mito achar que crianças agressoras são más ou "problemáticas". Estudos provam que os agressores não apresentam traços psicopatológicos. Meus estudos no Brasil não confirmam que sejam mais agressivos, nem mesmo que as vítimas(!), como sugerem estudos internacionais. Estes fatos apóiam que as crianças são influenciadas pelo movimento, objetivos e dinâmica de grupos humanos.
 
A influência do grupo também pode ser positiva?

Sim, e muito. Embora ainda pouco estudados na literatura científica, observa-se que jovens que apresentam comportamentos positivos também apresentam comportamentos de risco (como agressividade) ao mesmo tempo, mostrando uma relação direta entre tais comportamentos. Os comportamentos e pensamentos positivos atuam como fatores de proteção capazes de evitar o bullying e exclusão social, assim como outros problemas na vida dos jovens.

Tenho estudado o contágio pelo grupo de pares (peer contagion) que se refere à influência do grupo nos comportamentos individuais, e observo que amigos e grupos sociais podem "ensinar" uns aos outros comportamentos de ajuda, comunicação, empatia, valores éticos e morais, bem como afetos positivos e alegria!



A campanha eleitoral já se iniciou, mas o clima é de apatia entre o eleitorado. São vários os motivos para isso, incluindo o fato de as atenções, nesta primeira etapa, estarem mais voltadas às Olimpíadas. Veja o que o professor Sérgio Trein, da Publicidade e Propaganda, falou com o JU Online sobre o tema.

Campanha eleitoral acanhada

Campanha eleitoral acanhada

Como foi o início da campanha eleitoral?
Em geral, foi, e está sendo, bastante acanhado. Uma das razões para isso é a falta de recursos financeiros na maioria das campanhas. Desde a CPI do Mensalão, que investigou caixas-dois de campanhas, muitos investidores ficaram mais reticentes em fazer contribuições aos partidos e aos candidatos. Além disso, houve alterações e restrições impostas pela legislação quanto ao uso da internet, de materiais promocionais e de publicidade em locais públicos, como postes, canteiros, etc.
Mas o principal ainda é o distanciamento das pessoas em relação à política. Elas não lembram em quem votaram, não conhecem o trabalho dos parlamentares, não participam dos espaços públicos de discussão. Ficam à margem da política. Nada mais natural, portanto, que acabem não se empolgando e não percebendo a importância de saber escolher seus representantes. E agora, com o início da Olimpíada e a agenda da mídia toda voltada para isso, as atenções continuarão distantes da política.

Já podemos dizer como será feito o embate entre os políticos na busca de votos?
Ainda é cedo. Entretanto, os debates e os materiais de campanha que começam a surgir sinalizam a linha de cada candidato. Além disso, é importante considerar que cada campanha tem o seu contexto. Os principais temas variam nos municípios. Normalmente, saúde, segurança e emprego fazem parte do contexto de todos. Em função das limitações impostas pela legislação, a tendência é que haja menos espetacularização nas campanhas e mais discussão sobre os problemas dos municípios, sobre a continuidade das gestões, sobre a eficiência dos programas de governo.
Essa questão vista anteriormente, sobre a distância das pessoas em relação à política, força os políticos a um esforço ainda maior no processo de convencimento de suas propostas. Não basta apenas que elas fiquem claras ao eleitorado. É preciso, também, apontar os problemas para, então, tentar provar que aquelas propostas são efetivamente as mais adequadas. Mas aí surge uma questão importante: como as pessoas não conhecem o processo de gestão pública, a escolha do eleitorado se dá em função do desejável, enquanto o político que for escolhido acaba trabalhando em função do possível. Na maioria das vezes, o possível fica bem distante do desejável. Assim sendo, aquele que foi escolhido torna-se sempre um alvo para os demais adversários nas próximas eleições, praticamente induzindo o embate para o campo das comparações.

O que muda com a campanha eleitoral com os meios eletrônicos?

Os meios de comunicação, por sua velocidade e sua capacidade de cobertura, tornaram-se uma ferramenta essencial nas campanhas eleitorais. Nenhum candidato conseguiria falar com tantas pessoas se não fosse através dos meios eletrônicos. A sala de estar das pessoas se transformou em um palanque eleitoral. O problema é que a política através dos meios incorporou toda uma linguagem jornalística e, principalmente, publicitária, de mensagens curtas e rápidas. Com isso, a discussão política que se dá através do rádio e da televisão não aprofunda as questões mais importantes. Os assuntos são tratados de forma superficial e numa linguagem de espetáculo. E, nessa linguagem de espetáculo, os próprios candidatos acabam se enquadrando em perfis típicos da mídia. Ou seja, tornam-se personagens. Por isso, além do conteúdo programático de cada candidato, acabam sendo importantes também a estética, o visual, a linguagem não-verbal, os cenários, os sons. Tudo acaba contando no ambiente eletrônico das campanhas eleitorais.
    



Voltar
 
Especialização e MBA
Especialização sem custos
Parceria entre Unisinos e Escola Pública de Saúde oferta curso gratuito