.Cultura

01/09/2011 · 18:27
Ao som do design
Cultura pop, música e tendências foram debatidos nesta quarta-feira (31/8) no campus Porto Alegre
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Texto: Greyce Vargas
Imagens: Gustavo Diehl

Como a música reflete a cultura e o momento histórico atual? Foi com essa indagação que Charles Di Pinto, professor do curso de Produção Fonográfica, iniciou o Design Mais, na noite desta quarta-feira (31/8). Com o tema Música, Cultura Pop e Tendência, o evento trouxe para o campus Porto Alegre o sociólogo e diretor do Observatório de Sinais, Dario Caldas; e o jornalista do jornal Zero Hora e da TVCom, Roger Lerina.


Antes de o debate ser colocado para o público, Charles apresentou um fenômeno da cultura pop que rendeu muitas visualizações e comentários na internet: Rebecca Black. Foi com o clipe de Friday que o evento chamou a atenção do público para a cantora considerada um fenômeno da internet, com amplas repercussões negativas, mas que, ainda assim, alçou sua carreira profissional. “O que algo odiado desta forma representa para nós, hoje?”, questionou Charles.

Saudosista, Dario afirmou que se o mesmo evento tivesse acontecido há 30 anos, o clipe que passaria era algum da banda The Clash. “De toda forma, Rebecca Black fala muito do nosso tempo. O fenômeno fala sobre a formação do gosto nos dias de hoje que não passa pelo crivo que vem do que considerávamos mídia pensante”, comentou.


A cultura musical atual está, cada vez mais, afinada com grandes números, sejam eles ligados aos downloads de uma faixa em específico, seja o número de likes nas redes sociais ou até o número de visualizações no YouTube. “Falar de quantidades astronômicas é falar do nosso tempo, pois a internet é isso”, indicou o sociólogo.

Os números estratosféricos da internet também podem ser concebidos com as individualidades que se manifestam no coletivo virtual. Foi esse movimento que causou um curto circuito na indústria cultura, segundo Dario, que obrigou esse setor a criar novos modelos. Os artistas viram na relação mais pessoal com o seu fã uma forma de ganhar visibilidade e, por fim, dinheiro. “A geração dos anos 2000 é completamente diferente das anteriores em relação à música. O acesso é diferenciado, os jovens podem fazer seu próprio som, criar plataformas de reprodução e manipulação”, apontou Lerina.

O jornalista, que têm uma filha de 13 anos, debateu sobre as referências culturais dos jovens hoje e falou sobre a importância da imagem para essa geração. “O Design sempre andou de braço dado com a música”, disse ele depois de relatar a associação bem sucedida que a indústria fonográfica fez da música com a imagem que, ao longo dos anos, vem influenciando do comportamento às roupas e cortes de cabelo dos adolescentes.

"Um fenômeno que explica essa relação é o seriado Glee", explicou. Os artistas que fazem parte do show não formam uma banda, não compõem uma música, mas, ao mesmo tempo, movimentam a indústria fonográfica ao recriar sucessos antigos com uma roupagem muito atual. “Ouvir música hoje é também ver música”, definiu o jornalista.


Entre uma discussão e outra, um segundo momento da carreira da garota Rebecca Black foi apresentado através do vídeo da música My Moment. Em seguida, o mais recente clipe da banda Radiohead, Lótus Flower, também foi mostrado ao público. Enquanto o primeiro mostra que, definitivamente, a cantora, no fim, é um reflexo do que já existe, o segundo representa a crise da indústria fonográfica e o desaparecimento dos intermediários. “Até quem não lança um disco físico, está trabalhando com o seu público através de um projeto de design rico em imagem”, disse Lerina.

Entusiasmados pelo dinamismo do Design Mais, os espectadores não arredaram o pé da Sala Santander até o fim dos debates. Ao fim, ficou clara a importância do design nas criações musicais da cultura pop atual.

Para o próximo Design Mais, fique atento ao site e ao blog da Escola de Design da Unisinos.


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