.Cultura

12/03/2014 · 11:15
Vida de bibliotecário
Quem são esses profissionais que vivem tão próximos dos livros?
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Texto: Michelli Machado
Imagens: Rodrigo W. Blum


Em 12 de março se comemora o dia do bibliotecário, mas como é a vida de quem passa horas, semanas, meses cercado por livros? Esses profissionais trabalham em templos do conhecimento, e o hábito da leitura costuma ser companheiro de quem opta por essa carreira.  

A Biblioteca da Unisinos conta com um dos maiores acervos da América Latina, com mais de 700 mil itens, que começou a ser formado em 1860, com a vinda dos jesuítas para São Leopoldo. O edifício tem uma área total de 37 mil metros quadrados, divididos em sete andares, sendo cinco deles destinados ao acervo. Para cuidar de todo esse patrimônio cultural, 8 bibliotecários circulam pelos corredores do prédio, catalogando e zelando por livros de economia, comunicação, literatura, história, engenharia - entre tantas outras áreas do conhecimento que compõem os exemplares disponíveis para consultas locais e retirada.

O dia a dia


Um dos bibliotecários que faz parte da equipe é Flávio Nunes. Graduado desde 1997, é funcionário da Unisinos há 14 anos e escolheu a profissão porque adorava ler. Flávio conta que a rotina de bibliotecário depende muito do setor em que se está atuando. “O bibliotecário de referência tem contato direto com os usuários que buscam informações. O de suporte, por sua vez, é quem lida com os sistemas automatizados que a biblioteca usa. Já o de processamento técnico (função que exerço hoje), é o responsável pela catalogação, classificação e indexação dos materiais do acervo da biblioteca. Claro que no dia a dia de uma biblioteca a divisão de tarefas não é tão fechada assim. Então, ocasionalmente, um mesmo profissional desempenha atividades de mais de um setor”, destaca.



O cotidiano de quem vive em meio aos livros é repleto de histórias interessantes. Escândalos por causa de débitos e atrasos são mais comuns do que se pensa. Alguns relatos vão do choro ao riso “Certa vez, por causa de um débito, uma aluna elevou o tom de voz, e disse que iria rasgar uns papéis que estavam sobre a minha mesa. Após a cena, desabou a chorar... Eu disse que o débito não precisava ser pago naquele dia, aí ela começou a rir e me agradeceu. Estranhei a reação, mas acho que ela não sabia que o débito não precisava ser pago no momento da devolução e que um valor tão baixo não implicaria em juros ou bloqueio de matrícula” relembra.

Mesmo passando o dia na biblioteca, quando chega em casa, Flávio ainda encontra tempo para se dedicar à leitura. “Gosto de ler, mas prezo mais o conteúdo da obra do que o suporte físico em si. Tenho algumas centenas de volumes, mas, ultimamente, tenho dado preferência para e-books por uma questão de falta de espaço”, enfatiza.


Obras raras

A coleção de obras raras da Biblioteca Unisinos é formada por acervos vindos de diversas instituições jesuítas, como o Instituto Anchietano de Pesquisas, o colégio Anchieta de Porto Alegre, o colégio Santo Inácio de Salvador do Sul e o colégio Cristo Rei de São Leopoldo. São coleções reunidas desde 1849 e que contam, entre outras, com obras editadas entre os séculos XV e XVIII.

A obra mais antiga é Repertorium totius summe domini Antonini archiepiscopi florentini ordinis predi, de 1496, de autoria de Santo Antoninos (1389-1459). A mais valiosa é a Enciclopédia Francesa, editada por Diderot e D’Alembert, em 17 volumes publicados entre 1751 e 1772.

Quem trabalha nesse setor precisa ter alguns cuidados especiais com o manuseio dos materiais, como Flávio nos conta. “Recomenda-se que o bibliotecário use sempre luvas ao lidar com esses periódicos, para evitar contaminação por fungo e para proteger o material, que é raro e antigo. Para os usuários da biblioteca, também é importante o uso de luvas. Além disso, é proibido fotocopiar os acervos, só é permitido anotar trechos ou fotografar sem flash”, complementa.



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