Centenário do filósofo Marshall Macluhan revigora a atualidade de suas teorias acerca dos meios de comunicação
Há exatos 100 anos nascia
Marshall Mcluhan. Cada vez mais popular, o filósofo e educador marcou época quando afirmou que os meios de comunicação são uma extensão do corpo humano. Expressões como “
o meio é a mensagem” e a ideia de “
aldeia global” foram introduzidas pelo canadense como metáforas para a sociedade contemporânea. Mcluhan foi ovacionado por suas obras, porém em seguida entrou num processo de 'esquecimento'. Seu centenário é marcado pela atualidade de suas teorias, mas também revigora sua figura e suas obras.
“
Mcluhan estava à frente de seu tempo. Acho muito interessante quando, no prefácio de Os meios de comunicação como extensão do homem, ele fala que nossa consciência está explodindo num abraço cósmico e que estamos chegando ao auge da simulação da consciência com a criação do computador”, conta
Pe. Pedro Gilberto Gomes,
pró-reitor acadêmico da Unisinos.
Hoje,
Mcluhan pode ser considerado popular. O centenário fez com que a mídia destacasse seus aforismos mais complexos, como “
A nova interdependência eletrônica recria o mundo à imagem de uma aldeia global”. Para a professora do curso de
Comunicação Digital,
Sônia Montaño,
Mcluhan continua sendo o mesmo autor divisor de águas que foi na sua época, polêmico e difícil de ser compreendido. “
Um dos grandes méritos de Marshall McLuhan foi o de poder ver os reais efeitos dos meios de comunicação e de qualquer tecnologia e não ficar cegado pela ideia iluminista de "conteúdo". Pensou seu tempo de um modo ecológico, e não com um espelho retrovisor como ele dizia que é a forma habitual de olhar para os fatos”, disse a professora.
Já o professor do
Programa de Pós Graduação em Filosofia da Unisinos,
Celso Cândido Azambuja, diz que
Mcluhan é, hoje, essencial para entendermos o tempo em que vivemos. “
Ele percebeu logo a dimensão da sociedade do conhecimento. Mcluhan nos ajuda a compreender no que nós nos tornamos na medida em que observamos no que as comunicações nos transformaram”, apontou.
Certamente, mídia para
Mcluhan é muito mais do que o rádio, a televisão, a internet. Ele inclui a estrada, a moda, o dinheiro, o tempo e outros artefatos tecnológicos que o homem criou para que pudesse dar força a seu próprio corpo.
“Esses meios – e não seu eventual conteúdo – é o que tem alcance e conseqüências de ordem psíquica e sociocultural e reconfiguram nossos modos de perceber e de agir”, reflete Sônia.
Se hoje estamos celebrando os 100 anos desse autor é porque ele foi realmente um visionário. “
Mcluhan percebeu o que estava acontecendo com o desenvolvimento da técnica. Todo esse projeto que estamos vendo hoje na sociedade é um projeto de busca de uma unidade e revolução do cérebro e isso é o que o autor tentou colocar em sua obra”, conclui
Pe. Pedro Gilberto Gomes.
A edição 357 da revista
IHU On-Line é dedicada a figura e obras de
Marshall Mcluhan. Para conferir seu conteúdo,
acesse o site da revista .