.Cultura

21/07/2011 · 17:45
Cem anos de um visionário
Centenário do filósofo Marshall Macluhan revigora a atualidade de suas teorias acerca dos meios de comunicação
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Texto: Greyce Vargas
Imagens: Divulgação

Há exatos 100 anos nascia Marshall Mcluhan. Cada vez mais popular, o filósofo e educador marcou época quando afirmou que os meios de comunicação são uma extensão do corpo humano. Expressões como “o meio é a mensagem” e a ideia de “aldeia global” foram introduzidas pelo canadense como metáforas para a sociedade contemporânea. Mcluhan foi ovacionado por suas obras, porém em seguida entrou num processo de 'esquecimento'. Seu centenário é marcado pela atualidade de suas teorias, mas também revigora sua figura e suas obras.

Mcluhan estava à frente de seu tempo. Acho muito interessante quando, no prefácio de Os meios de comunicação como extensão do homem, ele fala que nossa consciência está explodindo num abraço cósmico e que estamos chegando ao auge da simulação da consciência com a criação do computador”, conta Pe. Pedro Gilberto Gomes, pró-reitor acadêmico da Unisinos.

Hoje, Mcluhan pode ser considerado popular. O centenário fez com que a mídia destacasse seus aforismos mais complexos, como “A nova interdependência eletrônica recria o mundo à imagem de uma aldeia global”. Para a professora do curso de Comunicação Digital, Sônia Montaño, Mcluhan continua sendo o mesmo autor divisor de águas que foi na sua época, polêmico e difícil de ser compreendido. “Um dos grandes méritos de Marshall McLuhan foi o de poder ver os reais efeitos dos meios de comunicação e de qualquer tecnologia e não ficar cegado pela ideia iluminista de "conteúdo". Pensou seu tempo de um modo ecológico, e não com um espelho retrovisor como ele dizia que é a forma habitual de olhar para os fatos”, disse a professora.

Já o professor do Programa de Pós Graduação em Filosofia da Unisinos, Celso Cândido Azambuja, diz que Mcluhan é, hoje, essencial para entendermos o tempo em que vivemos. “Ele percebeu logo a dimensão da sociedade do conhecimento. Mcluhan nos ajuda a compreender no que nós nos tornamos na medida em que observamos no que as comunicações nos transformaram”, apontou.

Certamente, mídia para Mcluhan é muito mais do que o rádio, a televisão, a internet. Ele inclui a estrada, a moda, o dinheiro, o tempo e outros artefatos tecnológicos que o homem criou para que pudesse dar força a seu próprio corpo. “Esses meios – e não seu eventual conteúdo – é o que tem alcance e conseqüências de ordem psíquica e sociocultural e reconfiguram nossos modos de perceber e de agir”, reflete Sônia.

Se hoje estamos celebrando os 100 anos desse autor é porque ele foi realmente um visionário. “Mcluhan percebeu o que estava acontecendo com o desenvolvimento da técnica. Todo esse projeto que estamos vendo hoje na sociedade é um projeto de busca de uma unidade e revolução do cérebro e isso é o que o autor tentou colocar em sua obra”, conclui Pe. Pedro Gilberto Gomes.

A edição 357 da revista IHU On-Line é dedicada a figura e obras de Marshall Mcluhan. Para conferir seu conteúdo, acesse o site da revista .


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