.Entrevista

02/05/2013 · 11:59
Mais representação
Unisinos adota modelo de escolas para dividir as áreas do conhecimento. Objetivo é integrar os cursos
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Texto: Pablo Furlanetto
Imagens: Rodrigo W. Blum

Os alunos estavam acostumados a dizer que estudavam no Centro 6. Ou na Área das Ciências da Comunicação. Isso mudou. Num movimento que iniciou em 2010 e foi implantado em 2012, a Unisinos passa a dividir seus campos do conhecimento em escolas. São seis no total: Humanidades, Saúde, Indústria Criativa: Comunicação, Design e Linguagens, Direito, Gestão e Negócios e Politécnica. O objetivo é um só: integrar, cada vez mais, os cursos.

Para esclarecer o novo conceito e explicar o que cada uma tem por finalidade, o J.U. realiza uma série de entrevistas com os decanos, responsáveis pelas escolas. O primeiro é Carlos Moraes, da Escola Politécnica.

J.U. - Por que a criação da Escola Politécnica?
Moraes - Para poder responder o porquê da Escola Politécnica, a gente precisa voltar um pouco no tempo. A Unisinos já teve outras formas de organização dos seus cursos, desde departamentos, depois os centros, que em 2004 deixaram de existir, e, de lá para cá, todos os cursos de graduação e pós-graduação estão ligados a unidades acadêmicas específicas. Isso levou a um isolamento entre os diversos cursos, obviamente não totalmente, mas do ponto de vista administrativo, de melhorias e investimento era feita uma análise individual de cada curso. A partir do planejamento estratégico da universidade de 2010, as discussões levantaram essas questões. O isolamento estava fazendo com que as áreas perdessem identidade. Então, em 2012 se decidiu instituir o conceito de escola, diferente do que se tinha antes. A escola não tem um local físico, mas tem o conceito de representatividade.


J.U. - Qual o objetivo dela?
Moraes - A Escola Politécnica vem com a proposta de fazer com que as áreas de conhecimento que compõem as Ciências Exatas e Tecnológicas e Ciências Biológicas construam uma identidade de escola, e colocar, na figura de um decano, o representante da área. O decano também busca o reconhecimento interno e externo da escola e a sinergia entre os cursos do seu escopo. Para mim, o grande ganho desse processo, que vai completar um ano em maio, foi dar a oportunidade para os professores e coordenadores de conseguirem se encontrar, discutir e enxergar uma série de demandas comuns a eles. Antes, não havia essa oportunidade de juntar as pessoas para gerar uma discussão. Num segundo momento, a escola vem para contribuir com a alta administração a ter uma visão mais completa daquelas áreas do conhecimento que compõem a escola. O decano representa as cinco áreas da Escola Politécnica e tem a oportunidade de conhecer cada um dos coordenadores e dos cursos e poder, assim, buscar melhorias do ponto de vista da excelência acadêmica, da sustentabilidade dos cursos, da internacionalização e da aproximação dos cursos com o mercado, trabalhando com as demandas que ele está trazendo.

J.U. - Você disse que a Escola Politécnica abrange as Ciências Exatas e Tecnológicas e o curso de Biologia. Porque este também faz parte do escopo?

Moraes - Isso foi uma decisão tomada há algum tempo, na medida em que a universidade decidiu partir para a questão da inflexão tecnológica, em função das demandas de mercado no país e no mundo, da necessidade de formação de mais engenheiros, geólogos, profissionais da área de TI. E aí se identificou que arquitetos, físicos, matemáticos e gestores ambientais também compõem a área tecnológica. Então, se enxergou que a Biologia entrou nessa inflexão tecnológica. Se for pensar em termos mundiais, a Biologia é um curso que está fortemente ligado ao desenvolvimento tecnológico. Até por uma série de interfaces que já vêm acontecendo, como a Biotecnologia, que junta conhecimentos de Física, TI, Engenharia e Biologia no desenvolvimento de uma série de produtos e oportunidades.


J.U. - Podemos dizer que a escola faz a ponte para que os cursos que estão no seu escopo conversem? Como?
Moraes - Esse é um grande desafio. No planejamento estratégico da universidade, o que ficou mais claro de oportunidades e sinergia, e que pode ocorrer em todos os cursos da Escola Politécnica, é a questão da sustentabilidade, do ponto de vista do desenvolvimento sustentável da sociedade. Assim, temos um link importante, pois se liga Biologia com as engenharias, com TI, com Geologia, com Arquitetura, pois hoje temos que pensar em cidades sustentáveis. Na prática, isso de certa forma está sendo induzido. E aí entra a responsabilidade do decano, de conseguir enxergar e ajudar nessas interfaces. As aproximações já estão ocorrendo, a partir de reuniões. Fizemos um primeiro fórum de coordenadores, onde surgiu a necessidade de montarmos um grupo de empreendedorismo ambiental. Estão sendo chamadas pessoas de várias áreas para desenvolverem grandes projetos com empresas e órgãos públicos. De certa forma, estamos tentando induzir esse processo, o que é importante, porque a tendência é cada um trabalhar com os seus pares. A sinergia vai ocorrendo no dia a dia. E, também, é preciso ter paciência. A alta administração da Unisinos está tendo, em função da complexidade da Escola Politécnica.

J.U. - O que os alunos podem ver de diferente com o início dos trabalhos da escola?
Moraes - Na medida em que viemos de um período sem grandes investimentos nos nossos laboratórios, a questão de estarmos trabalhando como escola otimiza os processos e nos possibilita buscar os investimentos que vão atingir o maior número possível de cursos e, consequentemente, de estudantes. Então, eles começam a perceber as melhorias que estamos tendo em termos de infraestrutura. Esse é um ponto prático. Do ponto de vista conceitual, ainda vai levar algum tempo para o pessoal perceber que nós temos uma escola e não mais o centro, que ainda se fala, ou a área Exatas e Tecnológicas. Outra coisa, a escola não pode ser confundida como um local onde vão ocorrer cursos técnicos de nível médio. O ponto é a ciência e tecnologia, onde os cursos representam a ciência mais dura que desenvolvemos na academia. Por isso o nome politécnica. Significa desenvolver inovação, empreendedorismo, pesquisas aplicadas com parcerias muito fortes e duradouras com empresas. Também, desenvolver a propriedade intelectual (patentes) e, como ponto forte, a indução de que os nossos alunos desenvolvam a aptidão do empreendedorismo, no sentido de construir incubadas no Tecnosinos.

J.U. - E quais os próximos passos da escola, professor, os futuros projetos.
Moraes - No planejamento estratégico da Unisinos em março deste ano, em dois dos três dias focamos no planejamento das escolas, que foi feito em 2012. Agora, até a metade de maio, temos que fechar toda a sistematização e colocar as prioridades para o próximo quadriênio. O que dá para adiantar é que uma das prioridades da escola é estar, em 2025, antecipando demandas da sociedade, na forma de desenvolvimento tecnológico, científico, de recursos humanos e de empreendedorismo. Esse antecipar significa que a gente vai desenvolver agora programas e projetos que lá na frente vão revelar essa nova vocação da universidade, que é, além de formar recursos humanos para o mercado, antecipar as necessidades dele. Um dos projetos estratégicos para a Escola Politécnica é termos laboratórios de ponta, para conseguirmos atingir a visão de 2025. Estamos constituindo um grupo de trabalho para rever o espaço físico e as necessidades da Escola Politécnica. Queremos atingir uma estrutura que nos leve a formar recursos humanos de alto potencial, para termos a excelência acadêmica. Também temos por objetivo crescer na avaliação do IGC (Índice Geral de Cursos). Para isso, é importante que a interface entre graduação e pós-graduação ocorra fortemente. Temos que melhorar a produção de alguns cursos para termos mais doutorados e reter os talentos. O terceiro ponto importante da escola é a internacionalização. Ela é fundamental para a gente consolidar todos os quesitos de excelência acadêmica. Já estamos fazendo aproximações importantes com outros países do mundo. A internacionalização traz muitos benefícios, seja encaminhando alunos para fora, mas, principalmente, conseguindo trazer para a Unisinos professores do exterior, que vão contribuir conosco.



J.U. - Na questão da infraestrutura, é a escola quem busca os investimentos?
Moraes - A escola tem a responsabilidade de induzir esse processo, mas cada curso vai sugerir as suas prioridades. A visão da escola é priorizar o compartilhamento. O decano pensa nas estratégias, onde buscar os investimentos.

J.U. - Para finalizar, com a criação das escolas, podemos dizer que a Unisinos assume uma estrutura parecida com as das maiores e melhores instituições de ensino do mundo?
Moraes - Sim, é esse o objetivo, de se tornar uma universidade global de pesquisa. O processo não é rápido, mas ele cria consistência, pois você está pensado no crescimento do coletivo.


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