.Entrevista

03/05/2013 · 13:50
Polo de articulação
Escola de Humanidades tem como um dos principais objetivos redesenhar a licenciatura da universidade
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Texto: Pablo Furlanetto
Imagens: Christiaan van Hattem / Rodrigo W. Blum

Na sequência da série de entrevistas com os decanos sobre as novas escolas da Unisinos, nossa reportagem conversou com o professor Adriano Naves de Brito, responsável pela de Humanidades. No bate-papo, o docente explica o que vai mudar para os cursos da área e as melhorias que estão previstas. “Vamos ser um polo de articulação”, resume.

J.U. - Por que ter uma Escola de Humanidades?
Adriano - A primeira pergunta que deve ser feita é por que escolas? A Unisinos fez uma opção por criar uma instância que não é administrativa, e sim uma atribuição acadêmica. É de conhecimento da comunidade que, há alguns anos, a universidade terminou com os centros e fez uma reforma administrativa no seu organograma, estabelecendo uma estrutura matricial. Nessa estrutura, a experiência mostrou que faltava um elemento, acadêmico, de fazer a conexão da administração com uma dimensão acadêmica mais substantiva. Isso são as escolas. Elas são um polo de articulação acadêmico das áreas da universidade. E por que uma Escola de Humanidades? Porque ela serve como polo de articulação dos cursos afins da área, que na Unisinos é o campo do conhecimento mais antigo. Tem a pós-graduação mais consolidada (a pós em História tem mais de 30 anos). É uma área historicamente relevante para a instituição, porque constitui a gênese dela. A história da Unisinos está muito vinculada com a dos cursos de Humanidades. Então, nossa escola é um polo de articulação dos cursos, em todos os níveis, da mesma área.


J.U. - E qual o principal objetivo da escola?
Adriano - Como um polo acadêmico de articulação, a ideia, que está ainda em construção, é fazer com que a dimensão acadêmica tenha uma orientação. O papel da escola é, primeiro, dar identidade às pessoas que a frequentam. Há oito anos, a universidade não tem articulação acadêmica entre seus cursos. Em segundo, promover o desenvolvimento acadêmico. No caso das Humanidades, temos que orientar o desenvolvimento face ao futuro da área na relação com os outros campos do conhecimento. Esses são, também, os desafios do século 21. E o decano tem que ajudar nessa reflexão. Acredito que esse é o grande papel, de articulador e norteador do desenvolvimento acadêmico dessas áreas no confronto dos novos desafios. No caso de os decanos estarem na mesma sala, o intuito é de favorecer o cruzamento multidisciplinar e interdisciplinar.

J.U. - A escola já está atuando?
Adriano - Sim. Fizemos um planejamento e já reunimos os representantes de todos os cursos. Esse planejamento vai orientar o plano de desenvolvimento da instituição nos próximos quatro anos, a partir de 2014.

J.U. - Os alunos já podem notar alguma diferença no dia a dia?
Adriano - Ainda não. O que nos cabe neste ano é criar a identidade. Nossa escola foi a última a se constituir, por isso as pessoas precisam se sentir parte dela. Também, nós vamos fazer uma reunião geral ainda neste semestre, uma congregação do corpo docente, discente e de funcionários, que servirá como lançamento interno da Escola de Humanidades.


J.U. - Quais os projetos que a escola deseja implantar?
Adriano - Quando fizemos o planejamento, foi realizada uma seleção de projetos. Claro que existem mais do que a gente pode implementar, por limitações orçamentárias e de tempo. Por isso, uma nova priorização será feita, agora em nível de alta administração, que deve acontecer até o final deste semestre e, em agosto, se lançam os grandes projetos. Na Escola de Humanidades, alguns elementos estão muito claros que precisam ser objetos de nosso trabalho no médio prazo. Um deles é a licenciatura. Um redesenho, o pensar as licenciaturas, o lugar delas e o seu futuro numa instituição privada como a Unisinos. Elas estiveram na base da constituição dos cursos de Humanidades e da própria universidade. As licenciaturas têm perdido alunos por diferentes razões, mas a Unisinos acredita que elas exercem papel fundamental. É uma tarefa das instituições de ensino superior em formar professores. Precisamos dar à licenciatura a conformação que faça jus a sua história. Também, temos que pensar toda a atividade que é chamada de Núcleo do Humanismo Cristão, que são as disciplinas que a universidade oferece para todos os alunos. Precisamos ter um olhar sobre isso, como as Humanidades se apresentam ao público, sempre na perspectiva do horizonte dos temas do século 21, da inflexão tecnológica, da sociedade tecnocientífica onde vivemos. O terceiro tema importante é o desenvolvimento das pós-graduações. Elas estão bem constituídas, são quatro programas, um deles o mais velho da Unisinos, o de História. Nossas pós são consolidadas e precisamos pensar como será a conexão delas com a ciência e a tecnologia. A universidade tem feito uma inflexão para as Engenharias. Então, qual o papel que as Humanidades têm a cumprir? Elas têm um papel importante, mas isso tem que ser redimensionado e pensado pelas pós-graduações. Queremos somar esforços para que a Unisinos seja uma universidade de pesquisa bem inserida nas temáticas do século 21. Também temos a reflexão sobre os cursos de graduação, como eles vão se reposicionar. Temos um tema importante, não no curto prazo, que é a possibilidade de expansão de cursos, consolidação da pós-graduação, com atenção especial para o Serviço Social, e a inclusão de áreas que ainda não temos, como, por exemplo, Geografia.

J.U. - Professor, qual é o seu papel como decano?
Adriano - O meu papel é articular, fomentar, promover, fustigar o debate, acirrar a discussão no sentido positivo, da crítica acadêmica, e tencionar o nosso crescimento, a possibilidade do nosso diálogo com o mundo contemporâneo. O decano precisa colocar o horizonte um pouco mais à frente, pensando sempre no acadêmico. É puxar a excelência, como nos diferenciar.



J.U. - Para finalizar, como juntar áreas distintas num único escopo e por que é importante o formato de escola?
Adriano - Podemos dizer que existe uma tendência em articulações dessa natureza por conta da necessidade de enfrentamento dos problemas científicos em termos multidisciplinares, ou a partir de temas. A distribuição tradicional da universidade, com disciplinas e departamentos caducou, porque a velocidade, a necessidade e a inter-relação dos conhecimentos cresceu e é preciso que a estrutura, de algum modo, reflita e favoreça o diálogo. Portanto, a organização em escolas favorece, pois coloca as pessoas em contato. A tendência mundial é que a discussão acadêmica seja mais inter e multidisciplinar. O nosso objeto principal é o homem, e vejo duas maneiras de abordar isso e que estão reunidas na mesma escola: disciplinas mais básicas e outras mais aplicadas. No caso das Humanidades, quase todas são básicas, que servem para a formação de outros cursos que pertencem ao grande escopo das Humanidades. E temos duas subáreas que são mais aplicadas, a Educação e o Serviço Social. São disciplinas de base que ajudam as aplicadas. O nosso desafio é fazer funcionar o diálogo entre elas.


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