.Entrevista

05/06/2013 · 18:38
Na terra da rainha
Estudante da Unisinos faz intercâmbio no Reino Unido por meio do programa Ciência sem Fronteiras
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Texto: Michelli Machado
Imagens: Arquivo Pessoal

O Reino Unido ainda mantém o glamour da realeza. Sofisticação e bom gosto estão presentes no dia-a-dia de quem circula pelas ruas das cidades, que misturam o charme escocês e a elegância inglesa.

A aluna do curso de Engenharia de Produção, Melina Osório dos Santos, está tendo a oportunidade de vivenciar a realidade. A estudante, que está morando no Reino Unido, conta que resolveu se candidatar ao Ciência sem Fronteiras depois que ouviu histórias de pessoas que haviam tido a chance de um intercâmbio por meio do programa. “A oportunidade de ter uma experiência profissional no exterior fez os meus olhos brilharem”.

Melina faz planos para o retorno ao Brasil e afirma que sua ansiedade está fortemente ligada à colocação profissional após a viagem. “Tenho expectativas para perceber o quanto essa experiência impactou no meu currículo e na minha vida profissional”.

Do tempo que está vivendo no Reino Unido, sentirá falta do sentimento de segurança encontrado lá e da liberdade gerada por esse sentimento. Do Brasil, sente falta dos amigos e familiares, pessoas queridas com quem gostaria de dividir os momentos felizes que está vivendo. “Gostaria que cada um estivesse aqui para poder mostrar o que eu vejo, e como podemos melhorar nossa vida com pequenas mudanças na rotina diária”.



JU: Como era sua rotina antes da viagem?
Melina Osório dos Santos:
Minha rotina antes da viagem era bastante corrida. Estagiava no setor de planejamento de materiais de uma empresa, auxiliava na negócio da minha família e cursava Engenharia de Produção na Unisinos. Apesar de cansativo, sempre sobrava um tempinho nos finais de semana para o lazer com os amigos e a família.

JU: Por que você resolveu participar do Programa Ciência sem Fronteiras?
Melina Osório dos Santos:
Conheci o programa quando a filha de uma amiga foi para os Estados Unidos através do Ciências sem Fronteiras. Então eu percebi que não era impossível. Já havia morado no exterior em 2006, mas apenas para estudar inglês. A oportunidade de cursar um ano em uma universidade inglesa e de ter uma experiência profissional no exterior fez os meus olhos brilharem, o conhecimento adquirido e a experiência teriam um grande impacto na minha carreira. Além disso, o processo seria simples, visto que eu já tinha passaporte e falava inglês, então resolvi participar.

JU: Quais eram suas expectativas antes da viagem?
Melina Osório dos Santos:
A minha expectativa antes da viagem estava ligada às disciplinas que seriam estudadas e como seria a experiência profissional. Ficava pensando se iríamos estagiar em uma empresa ou participar de uma pesquisa junto à universidade. Somente na primeira semana de aula tivemos essas respostas. Foi quando conhecemos o nosso supervisor e definimos quais disciplinas poderíamos estudar. Quanto à experiência profissional, esta seria a última etapa do programa. Apenas em abril de 2013 a universidade nos deu um retorno sobre o assunto informando que seriamos alocados em pesquisas desenvolvidas pela faculdade de engenharia.



JU: Como está sendo a experiência de morar e trabalhar no Reino Unido?
Melina Osório dos Santos:
Somos 13 brasileiros na Universidade de Exeter, sendo nove estudantes no campus principal em Exeter, onde estou alocada. Aqui, nosso grupo foi dividido em dois, moro com mais quatro brasileiros e seis ingleses. É interessante conviver com as diferenças culturais. Às vezes, pode ser considerado um desafio, mas no geral nos adaptamos muito bem, tanto com os colegas da acomodação, quanto com os colegas de curso. A cidade é pequena, porém com mais de 2000 anos de história e muito bonita. Existem muitos parques na região e estamos a 30 minutos da praia. Sempre há o que fazer, e a universidade é bastante movimentada, com inúmeras atividades extra-curriculares. Nos adaptarmos ao método de ensino, até o momento, foi um dos maiores desafios. Temos muito estudo individual, pouquíssimo tempo em sala de aula, e reduzido contato com os professores. Cabe aos estudantes desenvolver habilidades e buscar ajuda com os demais colegas para encontrar soluções de problemas e suporte nas dúvidas. A experiência profissional inicia agora em junho. Faremos pesquisa junto à universidade sobre assuntos já definidos, supervisionados pelo professor de cada projeto. Ainda estamos alinhando a carga horária presencial e os objetivos de cada trabalho.

JU: O que você aprendeu de mais importante para sua vida profissional e pessoal?
Melina Osório dos Santos:
Acho que nesta experiência desenvolvi diversas habilidades que irão contribuir para minha vida pessoal e profissional. Creio que as habilidades mais desenvolvidas foram: paciência, empatia, capacidade de negociação e comunicação. Chegamos aqui com inúmeras perguntas e encontramos poucas respostas. Fomos o primeiro grupo de estudantes do CSF que a universidade recebeu. Sendo assim, muitos detalhes tiveram de ser negociados e alinhados. Além disso, tive que aprender a perceber o ponto de vista do outro, a diferença cultural faz com que as nossas expectativas e compreensão sejam diferentes, foi um aprendizado difícil, mas essencial.

JU: O que mais está gostando no Reino Unido e o que sente mais falta daqui do Brasil?
Melina Osório dos Santos:
O que eu mais gosto no Reino Unido, fica difícil de escolher... A educação das pessoas, a solidariedade - não apenas quando algo acontece, mas no dia-a-dia, na consciência de que as atitudes de hoje irão impactar nas pessoas amanhã. O que eu mais sinto falta do Brasil, além do clima e do sol, são as pessoas queridas, familiares e amigos.



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