.Entrevista

09/05/2013 · 17:14
Growing up
Estudante de geologia da Unisinos faz intercâmbio pelo Programa Ciência sem Fronteiras
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Texto: Michelli Machado
Imagens: Arquivo Pessoal

Visitar a terra do tio Sam é um sonho para muitos brasileiros. Imagine então ter a oportunidade de morar nos Estados Unidos e ainda estudar no país? Gabriel Travassos Tagliaro está tendo essa chance, através do Programa Ciência sem Fronteiras. “A ideia de morar no exterior é algo que sempre me atraiu, é um grande desafio tanto pessoal como profissional”, conta o estudante de Geologia.



Antes da viagem, a Unisinos era como a segunda casa de Gabriel, pois passava a maior parte do dia no campus. Hoje, mesmo distante do Brasil mantém a rotina de estudante aplicado e continua a passar grande tempo no campus. A vida de Gabriel mudou muito com essa experiência de intercâmbio. “Jamais poderia estudar em uma universidade americana se não fosse o programa Ciências sem Fronteiras. A bolsa abrange todos os gastos que possuo aqui. É uma oportunidade fantástica”, garante.

Apesar dos EUA ter uma cultura semelhante à brasileira, Gabriel vê muitas diferenças entre as duas nações. Destaca as oportunidades oferecidas em solo americano e fala da falta que a comidinha brasileira faz. Para a volta ao Brasil, o estudante tem planos: “Quero retomar meus estudos e finalizar a graduação. Acredito que só terei uma ideia geral do quanto esse programa foi importante para o meu futuro daqui alguns anos”, comenta.


JU: Como era sua rotina antes da viagem?
Gabriel Tagliaro:
Nos semestres anteriores ao programa Ciências sem Fronteiras a minha rotina consistia basicamente nas aulas do curso de Geologia da Unisinos e na participação em um projeto de Iniciação Científica dentro do PPG em Geologia. Dessa forma, chegava à universidade todos os dias por volta de 9h saía à noite, depois das aulas. Nos momentos que não estava em sala de aula, estava trabalhando no projeto. Além das atividades relacionadas à Geologia, também estudava Inglês no Unilínguas, com a ideia de aperfeiçoar o idioma para a realização do TOEFL e de uma experiência de morar nos EUA.
 
JU: Por que você resolveu participar do Programa Ciência sem Fronteiras?
Gabriel Tagliaro:
Resolvi participar do CSF por um conjunto de motivos. Estar cercado por pessoas de diversos lugares, de diferentes culturas e idiomas é extremamente interessante, e altera a nossa visão de mundo. A possibilidade de viajar e conhecer lugares incríveis totalmente diferentes da minha realidade torna cada minuto dessa experiência inesquecível. Do ponto de vista acadêmico o meu maior objetivo nesta viagem era aprimorar o Inglês. Conhecer pessoas novas dentro da minha futura área de atuação, também foi um grande atrativo na busca por oportunidades futuras. Além disso, queria estudar Geologia em outro país, já que às vezes estamos muito focados em uma área específica impossibilitando um contato mais profundo com outras áreas.
 
JU: Quais eram suas expectativas antes da viagem?
Gabriel Tagliaro:
As minhas expectativas eram imensas, assim como o frio na barriga. Entretanto, havia tantas coisas para fazer antes da viagem (fim do semestre, visto, vacinas e documentação da universidade) que não tive muito tempo para pensar. Queria conhecer o máximo de lugares nos EUA, e aproveitar essa grande oportunidade.
 
JU: Como está sendo a experiência de morar e trabalhar EUA?
Gabriel Tagliaro:
A experiência está sendo ótima. Tive a oportunidade de cursar disciplinas que não são ofertadas na Unisinos, complementando a minha formação acadêmica. O meu inglês já está em um bom nível e praticamente não possuo problemas para me comunicar. Viajei para lugares incríveis como o Grand Canyon e Nova York e conheci pessoas do mundo inteiro. Agora durante o verão (Junho-Agosto) terei a oportunidade de participar de um programa de pesquisa em Geologia na Universidade de Stanford, uma das melhores do mundo. Algo que sempre me pareceu impossível.  Ao mesmo tempo, fiz grandes amigos e vivenciei momentos que jamais esquecerei.


 
JU: O que você aprendeu de mais importante para sua vida profissional e pessoal?
Gabriel Tagliaro:
Ao estar em um ambiente totalmente diferente do que estou acostumado, com desafios constantes em todas as áreas, acabo me conhecendo melhor, percebendo os pontos positivos e negativos da minha personalidade. Assim tenho uma visão do que preciso melhorar para buscar os objetivos tanto pessoais como profissionais. Acredito que esse é um aprendizado que será muito importante para a minha vida, o qual dificilmente teria se não tivesse tido essa experiência. Outra importante lição, a meu ver, é a valorização do que é nosso. No geral temos uma visão bastante negativa do Brasil e quando vamos para algum país desenvolvido, vemos quantas coisas positivas possuímos. Somos um povo bastante flexível e que trabalha muito bem em qualquer situação, algo que muitos estrangeiros possuem dificuldade. Tal visão só reforça a ideia do potencial que temos enquanto nação. Ao mesmo tempo, consigo ter uma ideia mais clara do que eu quero profissionalmente no futuro. Percebo que nada é tão difícil quanto parece e basta ter uma visão clara dos passos a seguir para atingir os meus objetivos.
 
JU: Qual sua expectativa para o retorno ao Brasil?
Gabriel Tagliaro:
Estou muito motivado para retomar os meus estudos no Brasil e finalizar a minha graduação nos próximos anos. Buscarei participar de projetos de pesquisa e me qualificar o máximo possível. Do ponto de vista pessoal, vou matar a saudade da família, da namorada e dos amigos.
 
JU: O que mais está gostando nos EUA e o que sente mais falta daqui do Brasil?

Gabriel Tagliaro: O que mais gostei dos EUA foram as oportunidades. Há inúmeras maneiras de participar de projetos de pesquisa, organização de liderança e voluntariado, grupos de estudos de diferentes áreas. Por exemplo, estou participando de um grupo de leitura em sociologia e filosofia na minha universidade. São estes extras que são realmente o diferencial das universidades americanas. No ensino curricular a minha educação na Unisinos é de alto nível, mas realmente não possuímos muita oferta para atividades extracurriculares. O que mais sinto falta do Brasil é da minha família, namorada e amigos. Como moro em uma cidade relativamente pequena e sem transporte público, sinto muita falta de uma maior “independência”, podendo ir aonde eu quiser quando quiser. Viver dentro do campus possui muitas regras e sinto falta de uma maior liberdade. A e claro, da comida brasileira.


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