.Entrevista

10/05/2013 · 10:02
Por mais cursos
Escola de Saúde da Unisinos tem como principal objetivo agregar novos campos de conhecimento para a área
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Texto: Pablo Furlanetto
Imagens: Rodrigo W. Blum

Junto com as escolas de Gestão e Negócios e Politécnica, a de Saúde iniciou a mudança de conceito na Unisinos. Passados os primeiros meses, o movimento na área começa a aparecer. Dentre tantos projetos, a criação de novos cursos é considerada como fundamental pela escola. Como explica a decana Vera Regina Röhnelt Ramires na entrevista concedida ao J.U. Confira.

J.U. - Por que criar a Escola de Saúde?
Vera - A criação da Escola de Saúde, e das demais, responde a um movimento e uma necessidade da universidade de uma maior integração e articulação entre as áreas, de um esforço de trabalho conjunto e de potencialização de diálogos interdisciplinares. Também, responde a uma busca pela excelência dos nossos cursos, programas, dos espaços de extensão e ação social em que as áreas de conhecimento também atuam, desde a mudança que aconteceu na Unisinos anos atrás, no que diz respeito à estrutura administrativa e extinção dos centros, que resolveu e superou algumas questões que a instituição avaliou como importantes de serem aprimoradas. Por outro lado, algumas coisas talvez tenham se perdido no sentido de uma aproximação e articulação entre os campos de conhecimento afins. Os cursos talvez tenham se tornado um pouco isolados na sua atuação e, com isso, perdíamos, porque na sociedade que vivemos não tem como trabalhar e pensar de uma outra maneira que não seja inter e transdisciplinar.


J.U. - E qual o principal objetivo da escola?
Vera - Nosso principal objetivo é promover a integração e articulação entre os cursos que compõem a escola. Também buscar, intensamente, a excelência acadêmica em todas as atividades. Além disso, temos alguns projetos estratégicos que são prioridades para a escola nos próximos anos, em termos de como ela se posicionará na sociedade, o que ela pretende oferecer em termos de ensino, de produção de conhecimento e de extensão universitária.

J.U. - Um dos papéis da escola é fazer o diálogo entre os diferentes cursos que estão no seu escopo, certo? Como fazer isso?
Vera - Nós adotamos uma sistemática desde que iniciamos esse movimento e elaboramos o planejamento estratégico da escola, em 2012. Em agosto do ano passado, as três primeiras escolas que começaram a se organizar (de Saúde, Politécnica e de Gestão e Negócios) tiveram um momento de apresentação da primeira versão do planejamento estratégico para a reitoria e diretores e, a partir daí, esse trabalho foi compartilhado com todos os coordenadores de curso e programas da Escola de Saúde. Isso em setembro de 2012. A partir de então, adotamos uma sistemática de fórum mensal dos coordenadores. As reuniões ocorrem na primeira semana de cada mês para discutir as questões relacionadas à escola, os nossos objetivos e projetos estratégicos. Tem sido um espaço importante de integração, compartilhamento de boas experiências e práticas que um curso adota e que podem ser aproveitadas por outros. Experiências interessantes estão acontecendo nesse espaço, que também deu origem à formação de alguns grupos de trabalho, que ajudam a atender os nossos objetivos estratégicos. Um deles é a internacionalização. Temos um grupo de professores que se constituiu para pensar e trabalhar no movimento de internacionalização da Escola de Saúde. Que experiências de intercâmbio docente e discente nós vamos priorizar e buscar, entre outras dimensões.


J.U. - O que os alunos já podem notar de diferente no dia a dia das aulas?
Vera - No sentido mais amplo, acredito que seja um pouco cedo para avaliarmos. Temos algumas experiências que aconteceram durante o período de implementação da escola, que talvez sejam efeitos que podem ter chegado aos alunos. Existe o projeto VER-SUS, por exemplo, que acontece todos os anos, onde estudantes de diferentes cursos da área têm um tempo de experiência importante em serviços da rede de saúde dos municípios. Nós temos na escola alunos que participaram do projeto nos mês de fevereiro. Para mobilizar a participação deles, foi necessária uma série de dispositivos e recursos para apoiá-los e viabilizar a experiência, que foi feita em articulação com a escola. Esse é um exemplo de uma experiência que a nossa organização e integração, enquanto coordenadores, viabilizou. Os estudantes voltaram ao fórum e deram um feedback de como foi o trabalho no verão. Também, na divulgação dos cursos, do trabalho junto às escolas de ensino médio antes dos vestibulares. Questões como essas têm sido discutidas e trabalhadas pelos coordenadores também.

J.U. - Quais os projetos que a escola deseja implantar?
Vera - Um deles, o prioritário, é a implantação de novos cursos. Temos também o projeto de expansão para Porto Alegre, com a abertura de mais cursos na capital, além dos que já existem. No momento, temos Nutrição e Enfermagem. Estamos com um projeto em análise no MEC para Psicologia e avaliando outros cursos que podem ser oferecidos também em Porto Alegre. Também, temos um projeto de criação de um instituto de doenças crônicas, que está em fase final de elaboração e que deve ser instalado nos próximos meses. A Escola de Saúde tem três focos estratégicos: doenças crônicas, alimentos e nutracêutica e saúde mental. Eles abordam questões relevantes da saúde brasileira e demandas que têm sido colocadas pelo governo. Por exemplo, doenças crônicas estão entre as maiores causas de morte no Brasil. Existe, inclusive, um plano do governo federal para desenvolver nos próximos anos ações que ajudem a enfrentar esse problema. Nós temos diversos cursos na área da saúde que têm uma contribuição a dar para a prevenção, diagnóstico precoce e mesmo para o tratamento. A questão da saúde mental também é muito importante e temos sustentação para isso, com um curso de Psicologia com número expressivo de alunos, um programa de pós em Psicologia Clínica e outro em Saúde Coletiva. Por último, a questão de alimentos e nutracêutica, com um instituto em instalação, o ITT Nutrifor.



J.U. - Qual o seu papel como decana?
Vera - O meu papel é o de coordenar e estimular o desenvolvimento dos principais projetos estratégicos da escola, porque ela não é uma estrutura física e administrativa semelhante às unidades acadêmicas e de apoio. O nosso papel é estratégico, de identificar, propor e desenvolver ações estratégicas da área e que promovam o desenvolvimento e crescimento.

J.U. - Para a área da Saúde, porque é importante ter uma escola que a represente?
Vera - O conceito de escola auxilia a comunicar, tanto interna como externamente, uma identidade, um propósito, uma trajetória no que somos bons na área da Saúde. Também, os motivos de nossa existência, o que nós fazemos, que profissionais nós formamos, que conhecimentos produzimos com os nossos programas de pós-graduação, com a nossa pesquisa. A escola ajuda a marcar e clarificar a identidade, a comunicar isso para a sociedade, e, consequentemente, facilita e promove uma interação que pode ser mais fértil e potencializada com os diferentes setores, alunos e profissionais que nos procuram.


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