Pela primeira vez desde setembro de 2007, o Comitê de Política Monetária do Banco Central baixou a taxa básica de juros. Para aquecer a economia, o grupo decidiu cortar a Selic em 1 ponto percentual, levando ao patamar de 12,75% ao ano. Foi a maior redução desde dezembro de 2003, quando a taxa passou de 17,5% para 16,5%.
Os bancos já entraram nessa carona e anunciaram que vão reduzir as taxas para diversas modalidades de empréstimos, mas o crédito mais barato pode ser uma armadilha para quem não se organizar bem com as finanças pessoais. Para que isso não ocorra, o professor Sérgio Soldera, dá dicas de como manter a saúde das finanças. Leia, a seguir, a entrevista:
1) Como se organizar financeiramente, neste início de ano?
Pare, pense e faça um plano, seguindo os passos abaixo:
1º - Faça uma retrospectiva sobre como você administrou o seu dinheiro no ano passado. O que deu certo, o que deu errado o que poderia ter sido evitado? O que pretende repetir? Conheça e revise seus hábitos.
2º - Faça um plano para 2009 e defina objetivos claros para evitar transtornos e pesadelos. Nesse plano, priorize seu bem estar. Defina um padrão de vida que não vá além de seu nível de renda. Jamais gaste mais do que ganha, assim evitará dívidas, contas bancárias negativas, eternas prestações que resultam em preocupações e estresse. Conheça sua capacidade financeira e estabeleça limites. Não gaste tudo o que ganha, poupe e crie uma reserva financeira tanto para imprevistos como para começar a construir um patrimônio e ter mais tranquilidade. Você já tem sua casa própria? Está formando um fundo para sua aposentadoria complementar? Pensou num fundo para garantir a educação ou faculdade de seus filhos?
O início do ano é o momento de definir suas prioridades: liste quais são os gastos básicos com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, impostos, transporte/carro, roupas e confortos pessoais. Tudo isso cabe na sua renda? É hora de fazer cortes e garantir o equilíbrio financeiro. Garanta o que for mais útil para o prazer de viver. Controle e supere a tentação do consumismo, a ansiedade de ter mais e mais. Isto pode levá-lo ao estresse financeiro e comprometer sua qualidade de vida.
2) Com o que as famílias mais desperdiçam seu dinheiro?
Quando não há plano, objetivos nem prioridades, se gasta mais do que o necessário e do que se pode. Há desperdício, o dinheiro some e não se sabe para onde ele foi. Para saber como se está usando o dinheiro, é preciso registrar tudo e controlar. O desperdício começa com pequenos gastos, um cafezinho aqui, um lanche ali, uma guloseima extra. Evite os gastos desnecessários tendo sempre um mínimo de dinheiro na carteira e carregando apenas um ou mesmo nenhum cartão de crédito.
Talvez o cinema com pipoca, refrigerante possa ser substituído por uma caminhada ou um passeio no parque. Em vez de jantar com os amigos em restaurante, faça algo em casa. Seja criativo e mude suas rotinas.
Vá ao supermercado ou shopping com uma lista fechada das compras e se atenha a ela.
Pesquise preços antes de comprar, negocie descontos, barganhe e preste atenção às promoções.
Economias domésticas: economize energia elétrica ligando aparelhos e lâmpadas só quando necessário. Compre utensílios, máquinas e aparelhos mais econômicos, menores e dimensionados ao uso que você fará deles. Consulte um técnico e evite fugas na rede elétrica.
Cuidado com vazamento de água e gás: revise tubulações, torneiras e registros. Mate a saudade telefonando em horários com tarifas menores. Em outros horários, ao telefonar, seja objetivo, fale o necessário e vá direto ao assunto. Revise seus hábitos alimentares e busque alternativas com alimentos mais saudáveis, naturais e econômicos. Andem menos de carro e caminhe mais.
3) Quais os supérfluos que se pode cortar?
Por princípio, o supérfluo não deveria existir, eliminando a preocupação de cortá-lo. Quando definimos um estilo e padrão de vida e o que é necessário para mantê-lo, eliminamos os supérfluos. Muitos deles, por caprichos, vão se incorporando aos hábitos das pessoas ou da família e não são mais percebidos como dispensáveis.
Procure em seu armário e em toda a casa quantas coisas foram compradas por impulso e que permanecem sem uso e ocupando espaço. Antes de comprar questione se está fazendo porque quer ou porque precisa. Desejo não é necessidade. Não se deixe envolver por um bom vendedor ou por promoções e liquidações duvidosas. Certifique-se da qualidade, utilidade e preço do que vai comprar.
O automóvel, às vezes, é um supérfluo. Questione se não pode viver sem ele ou com um modelo mais econômico. Não esqueça que ele é fonte de novos gastos e que pode comprometer o orçamento familiar.
Para roupas, passe pelas grifes, as deixe para quem pode pagar.
Para alimentos, prepare a quantidade necessária, evite sobras e reaproveite quando ocorrerem, elimine ou reduza a quantidade estocada.
Quanto mais reduzir os supérfluos mais dinheiro vai sobrar, e sua qualidade de vida vai melhorar.