Como o senhor define o conceito de inovação?
Existem dois tipos de inovação: a inovação incremental e a inovação mais radical. As inovações incrementais são aquelas em que você, basicamente, mantém o mesmo posicionamento (o jogo, em si), mas muda a perspectiva (forma como se joga) ou você mantém a perspectiva e muda um pouco o posicionamento. Isso são inovações no tratamento da Unisinos. A Unisinos tem hoje um negócio de graduação, de ensino tradicional, que é o mesmo jogo e a mesma perspectiva. Se ela tem ensino a distância ou curso a distância, isso foi uma inovação incremental. Ela está, basicamente, mudando o seu jogo, mas procurando a mesma perspectiva de ensino. Se ela cria, por exemplo, cursos noturnos, cursos par-time etc é uma inovação incremental; ela, basicamente, está com o mesmo jogo e mudando um pouco a perspectiva. Agora, se ela, por exemplo, dá um salto nas duas dimensões, com um foco transdisciplinar e foco no desenvolvimento regional, está mudando o jogo e mudando a perspectiva. É mais radical.
O que é necessário para o resultado de uma inovação dar certo?
Você pode ter belas idéias e belos projetos, mas se seu negócio atual está pagando as contas e está indo relativamente bem, você tende a não mudar. Você tende a manter o rumo e o curso já definidos. Então, em primeiro lugar, é quebrar essa inércia. É você criar, realmente, uma necessidade de mudança. Mudar o time que está ganhando, mesmo. Porque esse provérbio às vezes é uma falácia. Depois, você tem que descongelar a organização com os conceitos que ela hoje tem segmentados e enrustidos. Dificilmente ela adota uma nova solução, um novo negócio, com a cabeça antiga. Então você precisa descongelar e abrir espaço para que a discussão aconteça. E essa discussão tem que ser, absolutamente, sem nenhum tipo de pressão externa e de paradigmas, para que as pessoas possam pensar de forma lateral e \"fora da caixa\". E, depois, em certo momento, você começa a juntar conceitos que possam fazer uma solução inovadora. E nesse momento é importante recongelar a organização em torno daquilo que é importante. Tem uma hora que você tem que trazer ela para o chão. E depois, mobilizar a organização para fazer acontecer.
Várias inovações, às vezes, não acontecem. Primeiro, porque você não descongelou a organização e você está carregado de vícios do negócio atual. Segundo, você não abriu espaço para a criatividade florescer. Terceiro, você não conseguiu fazer dessa criatividade um produto, uma solução real. E quarto, você não conseguiu mobilizar a organização para poder correr atrás e implementar aquilo; você não valorizou a inovação, você não valorizou a tomada de risco das pessoas que tendem a ficar na sua zona de conforto. Então é importante que haja uma liderança em todo esse processo.
Como o senhor percebe o movimento Unicidade, em si,e toda essa transformação?
Em grandes linhas, eu acho que ela está no rumo certo. A grande questão, agora, é dar cor e forma a isso. Como é que ela vai acontecer, de fato? Que alterações na estrutura, nos processos, na forma de gestão se vai fazer para que o Unicidade saia do papel, num conceito maravilhoso, e passe a ser o DNA da universidade e, em tudo que ela fizer, esteja como pano de fundo? Acho que esse é um grande desafio. Para isso você precisa de decisões coerentes que sustentem o conceito. É preciso valorizar iniciativas que tenham o conceito de Unicidade por trás. Hoje existe uma máquina enorme, focada no ensino, focada num grande número de alunos e que, ao mesmo tempo, também precisa gerar, do outro lado, um processo educativo de pesquisa, de integração de ensino e pesquisa, de inserção na região, de ter um papel no desenvolvimento econômico da região, que são coisas relativamente novas para a Unisinos.