A convite do curso de Jornalismo da Unisinos, o jornalista Zuenir Ventura, que está lançando Minhas Histórias dos Outros (Editora Planeta, 270 pp., R$ 37,50), deu palestra - A Trajetória de 50 Anos de quem Contou Histórias dos Outros - no Auditório do Direito nesta segunda (30/5). \"Minhas Histórias dos Outros são histórias de quase 50 anos de carreira\", disse Ventura. O jornalista conta que o livro reúne, entre nomes e personagens, mais de 300 referências, entre as quais o cineasta Glauber Rocha, o memorialista Pedro Nava e o colega de profissão Vladimir Herzog: \"Começa da segunda metade dos anos 50 até agora: uma viagem que passa por vários personagens\".
De acordo com Zuenir Ventura, os tempos relatados no livro são riquíssimos. \"É o melhor e o pior dos tempos. Aconteceu muita coisa boa e importante: se descobriram formas de ampliar e estender a vida, mas também de exterminá-la\", afirmou o jornalista. Ele relata que houve uma revolução comportamental, grandes experimentações existenciais e grandes tragédias também, como peste, aids, violência urbana e drogas. Na opinião de Zuenir Ventura, a segunda metade do século passado foram tempos ricos de acontecimentos, mas nem sempre positivos: \"De qualquer maneira, a humanidade avançou\". O jornalista faz questão de salientar que não é protagonista de nenhuma dessas histórias, e sim testemunha.
Ventura considera os personagens como amigos, com os quais diz ter tido o privilégio de conhecer, entre eles Nelson Rodrigues e Alceu Amoroso Lima. Cronista de O Globo, Zuenir Ventura está vivendo um período de pós-parto em relação a Minhas Histórias dos Outros. De acordo com ele, esse último livro traz, em alguns momentos, um pouco da técnica do jornalismo literário. O jornalista cumpre uma jornada de encontros no estado, com sessão de autógrafos na quarta (1º/6), às 19h30, na Livraria Cultura, em Porto Alegre. \"A não ser por determinados surtos de censura no país, é possível dizer que a gente vive um momento de liberdade. Não podemos desprezar o que se conquistou, que foi a liberdade de expressão\",disse o jornalista.
Em entrevista na segunda (30/5) paraalunos de Jornalismona Agência Experimental de Comunicação da Unisinos, Zuenir Ventura aconselhou: \"Humildade é sabedoria\".Conformeele, o jornalista não pode ter vergonha de ser um eternoaprendiz.O autor de Minhas Histórias dos Outros disse, também,quepara ser jornalista é precisoquea profissão entre na veia.Na opinião dele, o jornalista não pode interferir nos acontecimentos. Porém, como ele mesmo relatou, foi pego de surpresa em Paris, certa vez,e acabou traduzindoum diálogo entre o ex-presidente João Goulart, que não falava francês, e jornalistas franceses, que não falavam português.Esse fato ilustra o que Zuenir Ventura chama de situações-limite.