Ex-estagiária do J.U Online e agora funcionária da prefeitura de Novo Hamburgo, a jornalista (ela está a um passo de se formar) Patrícia dos Santos divide com os leitores a mobilização feita pela administração municipal para ajudar os flagelados. Embora a água esteja voltando ao nível normal, o drama das família persiste, e deverá seguir por longo tempo, tornando o assunto atual.
Equipes da prefeitura de Novo Hamburgo trabalharam nos bairros Canudos e Santo Afonso para ajudar as famílias que foram atingidas pela pior enchente registrada na cidade nos últimos 43 anos. A situação de emergência foi decretada na cidade logo após o incidente, no começo de maio.
Cinco equipes cadastraram os moradores para saber das necessidades mais urgentes. Ocorreu também a limpeza das ruas, através da retirada de móveis estragados que as pessoas tiraram de suas casas. Além disso, materiais de construção foram distribuídos para ajudar na reconstrução das casas.
Moradora da Vila Getúlio Vargas, no bairro Canudos, Jane Marisa Barros, de 36 anos, aproveitou o primeiro sol para colocar as roupas e o sofá para secar ao sol. “Moro aqui há cinco anos e nunca tinha visto uma chuva como essa.” Opinião divida com Arlindo Poncio, 65. “Foi horrível, a água estava na minha cintura, e fiquei preocupado com a minha mãe, que tem 91 anos, e com a minha mulher, que é deficiente e não consegue andar.”
A moradora Mara Rosana Rotta, que mora e trabalha há 18 anos em sua casa, vive uma situação preocupante: há buracos no chão do seu ateliê e água por baixo. “Não tenho dinheiro para mandar aterrar. Faço sapatos de couro, e estava cheia de encomendas para o Dia das Mães, mas a água molhou tudo e queimou a minha máquina de costura. Preciso de ajuda urgentemente.”
Segundo informações da Defesa Civil, 95 % das duas mil pessoas vitimadas pela cheia se instalaram na casa de familiares ou permaneceram em suas casas. Donativos arrecadados em toda a cidade começaram a ser distribuídos. As doações da população hamburguense serão realizadas diretamente nas casas das famílias, permitindo que elas possam recomeçar as vidas com alimentação, agasalhos e cobertores.