Sua grande revelação viria em 1931, quando em uma viagem à África, ao folhear a revista Photographies, deparou-se com uma foto do húngaro Martin Munkacsi. A imagem mudou sua vida. "De repente, entendi que a foto poderia eternizar um momento. Essa é a única imagem que me influenciou. Há tanta intensidade, espontaneidade, tanta alegria de viver, é tão fenomenal que até hoje ela me encanta", lembra.
Após servir ao exército francês, na Segunda Guerra Mundial, Cartier-Bresson funda em 1947, a agência fotográfica Magnum. Este foi um período de grande desenvolvimento e sofisticação de seu trabalho, muito pelo intenso fluxo, e também pela convivência com seus sócios, Robert Capa, Bill Vandivert, George Rodger e David Seymour "Chim".
Revistas como a Life, Vogue e Harper's Bazaar contrataram-no para viajar o mundo registrando imagens. Da Europa aos Estados Unidos, da Índia à China, Bresson registrava seu olhar, recortando imagens com sua câmera. Tornou-se também o primeiro fotógrafo da Europa Ocidental a registrar a vida na União Soviética de maneira livre. Fotografou os últimos dias de Gandhi e os eunucos imperiais chineses, logo após a Revolução Cultural. Na década de 1950, vários livros com seus trabalhos foram lançados, sendo o mais importante deles "Images à la Sauvette", publicado em inglês sob o título "The Decisive Moment" (1952).
Henri Cartier-Bresson morreu na manhã do dia 2/8/04, aos 95 anos. Os males da idade já o debilitavam, e a despedida deu-se em sua tranqüila moradia em em Isle-sur-la-Sorgue, ainda na França. Nesta data o mundo perdeu um ávido espectador, que chegou a ser saudado como "o olho do século". Bresson usava apenas uma câmera Leica, equipada com uma tradicional lente 50mm. Até hoje as câmeras Leica são lembradadas pelas fotos que este grande observador registrou. Penso nelas como meros dispositivos técnicos, por demais úteis, mas foi o olhar de Cartier-Bresson que modificou a história do fotojornalismo.