Especialistas e pesquisadores debatem as iniciativas para movimentar o setor no país
O Fórum Brasil –Coreia do Sul continuou, na tarde desta terça-feira (18/10), com duas sessões técnicas que discutiram o Fomento à internacionalização e à inovação e a Associação de empresas e o fomento a oportunidades de cooperação e transferência tecnológica.
Na primeira sessão, o gerente do Banco do Brasil na Coreia do Sul, Luiz Felipe Maldaner trouxe aos participantes as percepções de um brasileiro que há quatro anos mora no país asiático: “A Coreia não nasceu em berço esplêndido, esse país não tem recursos naturais, não tem um fio de cobre e mesmo assim se tornou líder da indústria de semicondutores. Isso aconteceu, na minha opinião, por cinco razões: os coreanos têm “espírito de nação”, eles pensam e agem rápido, têm espírito de exportação, há estratégias de governo para incentivar as indústrias, e há um fortalecimento da indústria nacional.” E são através de fomentos, como o citado por Maldaner, que esse pequeno país conseguiu mudar sua situação pós-guerra.
As políticas públicas foram destacadas como essenciais para o fortalecimento de qualquer indústria. Órgãos como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) ajudam a promover a inovação, mas entidades sozinhas não conseguem promover o desenvolvimento necessário para um país, é preciso a cooperação de todos. “Sem a união dos ministérios, agências de fomento e acadêmica não conseguimos andar. O governo brasileiro precisa que o trabalho seja realizado em conjunto, para que a gente consiga obter os resultados esperados”, destacou André Castro Pereira Nunes, chefe do Departamento de Tecnologias de Informação e Serviços da Finep. O presidente do Badesul, Marcelo Lopes, ainda acrescentou que o Brasil precisa perder alguns vícios, como achar que não é possível reinventar a roda. “A Coreia reinventou a roda várias vezes e foi por isso que ela obteve o sucesso que tem hoje. Precisamos nos posicionar para ser um país grande”, afirmou.
A segunda sessão iniciou com o pronunciamento do professor do Electronics and Telecommunications Research Institute (ETRI), Kyung Ho Lee, que explicou que para transformar o local em metropolitano é preciso combinar áreas locais e promover a criação de novas tecnologias e a conclusão da cadeia de valores. A diretora executiva do Tecnosinos, Susana Kakuta completou afirmando que o trabalho desenvolvido pelo Parque Tecnológico São Leopoldo, é um desses modelos em que várias empresas se unem por um objetivo comum. “Estamos trabalhando, junto com outros parques, para criar um cluster de tecnologia no estado. Mas se olharmos o modelo coreano, ainda temos muito a avançar, porém, a tríplice hélice é fundamental para que esse avanço aconteça”, enfarizou.
O presidente da Korean Microelectronics and Packaging Society (KMEPS) e professor da Hongik University, Tae-Sung Oh, destacou também que os fóruns, como esse que está sendo promovido pela Unisinos, são um passo para aproximar a cadeia de semicondutores mundiais, e promover a integração de diversas empresas e universidades.