18/10/2011 · 12:09
Rápido rápido
A guerra da indústria dos semicondutores foi o tema da palestra de abertura do Fórum Brasil–Coreia do Sul
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Texto: Paloma Rühee
Imagens: Bruno Alencastro
Ao conhecer o presidente e CEO de uma das maiores empresas de semicondutores da Coreia do Sul, a Hana Micron, não se imagina que por trás deste franzino coreano existe uma determinação muito maior do que a sua estatura pode expressar. Chang Ho Choi, em sua palestra de abertura do 1º Fórum Brasil-Coreia do Sul que acontece até 19/10, no Anfiteatro Pe. Werner, enfatizou aos participantes que só a audácia e a determinação é que levam um povo e um país para frente.
Segundo Choi, hoje a líder mundial da indústria de semicondutores é a Samsung, uma empresa coreana, mas essa organização só chegou ao topo, porque arriscou. E é esse espírito que a HT Micron pretende trazer para o Brasil. O coreano ainda ressaltou que se o país quiser estar entre os players mundiais da indústria de semicondutores (Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Taiwan) vai precisar agir e pensar rápido. “Na Coreia a gente usa muito a expressão “barin barin” (rápido rápido). Acho que nós, coreanos, passamos por muitas dificuldades, o que nos levou a agir rápido se não quiséssemos passar fome, por isso as coisas acontecem com uma velocidade muito maior do que aqui. Como o Brasil sempre teve muita abundância, o brasileiro não vê essa necessidade de realizar tudo com rapidez. Mas isso vai ter que mudar, tanto por parte do governo, quanto do povo, porque, do contrário, o país estará entregando o seu futuro na mão de outros países”, enfatizou.
O CEO coreano mostrou aos participantes do evento todo o processo realizado na Coreia do Sul para que o país chegasse ao topo da tecnologia mundial. “Quando entramos no mercado, na década de 1970, os Estados Unidos e Japão já estavam bem à frente de nós, mas os coreanos foram em busca dos seus objetivos, realizaram estágios em empresas japoneses e ajudaram a promover essa troca de conhecimento. O que estamos fazendo aqui, neste fórum, é uma troca com o Brasil, para que no futuro vocês possam ter o mesmo desenvolvimento tecnológico que a Coreia tem hoje. Pois no momento que o Brasil chegar lá, nós vamos ganhar juntos, pois seremos parceiros dessa grande potência”, destacou.
Um plano de desenvolvimento, tanto na área de tecnologia, quanto na capacitação de recursos humanos também foi um ponto salientado por Choi. Apesar de alguns planos governamentais já terem sido criados, como o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (PADIS), ainda é preciso fazer muito mais para inserir o país, definitivamente, nesse setor. “Movimentos como esse da Unisinos são exemplos que devem ser seguidos por outras instituições do Brasil, pois, somente assim, teremos recursos humanos de qualidade”, enfatizou.
Ajudar o Brasil a ser o novo player global do setor de semicondutores é a meta desse coreano, que acredita que nada é impossível quando se deseja. “Eu escalei o Everest quatro anos atrás. Na minha idade muitos achavam que era impossível, inclusive a minha esposa, mas com preparação e determinação eu consegui chegar lá. Hoje o meu objetivo é ajudar o Brasil a ser conhecido na indústria de semicondutores, e eu tenho certeza que vou chegar lá”, finalizou.
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