Começar o texto sobre o encerramento do 1º Fórum Brasil-Coreia com este título é uma homenagem aos sul-coreanos que viajaram mais de 30 mil quilômetros para o evento que marca a colaboração que os países mantêm, de agora em diante, nas áreas de ciência, tecnologia e inovação. Os símbolos representam uma simples tradução da união do nome dos dois países.
No primeiro painel desta quarta-feira (19/10), representantes do governo brasileiro mostraram o alinhamento dos diferentes núcleos quando se trata deste tema. Com mediação do presidente do Badesul Marcelo Lopes, o painel reuniu Ricardo Gonzaga Martins de Araujo (Especialista em Projetos e Líder do Projeto de Semicondutores na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), Ricardo Rivera (Especialista em Tecnologias de Informação e Comunicação do BNDES), Flávia Egypto (Especialista em Investimentos da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos - Apex-BRASIL), José Ricardo Ramos Sales (Especialista em Tecnologias de Informação e Comunicação do Ministério da Indústria e Desenvolvimento), Henrique Miguel (Representante do SEPIN-MCT) e Laerte Davi Cleto (Gerente de Projetos do Ministério da Comunicação).
Intitulado “Estratégias de desenvolvimento para a Cadeia de Semicondutores no Brasil”, o encontro propiciou a discussão acerca das estratégias para o desenvolvimento da cadeia de semicondutores no Brasil com foco nas políticas públicas relacionadas à produção desse setor no país. Ricardo Araujo apontou que o Brasil já foi, há alguns anos, um país importante na área de microeletrônica e hoje está renovando os esforços para voltar a despontar de vez nesse setor. Assim, o governo tem investido na formação de especialistas dentro e fora do país. O número de pessoas capazes de trabalhar nessa área ainda é pequeno, mas a mão de obra brasileira é qualificada e tem possibilidade de levar adiante um negócio auto-sustentável e internacionalizado.
Henrique Miguel falou sobre as estratégias em desenvolvimento empreendidas pelo governo de forma a implantar, fortalecer e ampliar a cadeia de semicondutores no Brasil. “O mercado interno tem uma importância significativa, pois o país conseguiu estruturar sua economia, propiciar o crescimento das classes C e D que hoje demanda por produtos que antigamente não podia”, disse. Isso demonstra que o poder aquisitivo impacta na demanda por produtos e equipamentos eletrônicos, fundamentais para a melhoria na qualidade de vida de toda a sociedade. Não fosse isso verdade, os smartphones não ocupariam espaço tão grande no cotidiano do brasileiro.
Com isso, grandes centros de pesquisa e desenvolvimento tem se desenvolvido e, ainda que sejam relativamente recentes, já têm se destacado para essa indústria. Atento a tal demanda, o governo tem buscado investimentos e realizado medidas efetivas para a criação e consolidação do setor de semicondutores no Brasil.
Desafios e perspectivas
No entanto, a principal dificuldade apontada é mesmo a formação de recursos humanos. Tal desafio foi destacado na última mesa do fórum. Nele, Cristiano Richter (Coordenador de Projeto Estratégico HT Micron Unisinos), fez a platéia refletir com a questão: “Quais são as barreiras que trancam essa iniciativa?”. Fabio Pintchovski (Especialista em Semicondutores), Nilton Morimoto (Presidente da SB Micro), Marcelo Lubaszewsky (Diretor de P&D do CEITEC), Sérgio Bampi (Professor no Instituto de Informática da UFRGS), Elyas Ferreira Medeiros (Assessor-cientista e coordenador para Estudos de Futuro para cadeias produtivas industriais do Brasil do CGEE) e Celso Peter (Especialista em Semicondutores da Unisinos) participaram do painel “Oportunidades e Impactos da Produção de Semicondutores no Brasil: Esforços e Investimentos para a Consolidação da Cadeia no País”.
Ao relembrar outros países que tentaram empreender a indústria de microeletrônicos, Pintchovski falou sobre a Índia. O país, em 2005, desenvolveu um programa nessa área que teve ampla repercussão mundial, porém depois da apresentação, o projeto parou. Tal cenário foi apresentado para que o Brasil tenha ciência da importância da credibilidade para o sucesso dos negócios. “O país ainda não tem recursos humanos com experiência e a credibilidade necessita disso”, comentou.
De fato, a formação de pessoas para a área de semicondutores esteve presente em todos os debates. Por isso, o governo, com o apoio de empresas e universidades, tem organizado programas de bolsas para a área de microeletrônica. “Precisamos aumentar o número de alunos nas faculdades de engenharia e ciências, assim como criar mais e melhores centros de pesquisa e desenvolvimento nas empresas, reforçar os centros de pesquisa públicos e privados e promover a engenharia de produtos pelas empresas brasileiras e multinacionais”, defendeu Morimoto.
A parceria entre Unisinos e HT Micron é um grande projeto que visa a formação de recursos humanos para o setor de semicondutores. Ninguém na região sul do país atua hoje nessa área. A universidade finalizou o evento mostrando como vai preencher essa lacuna com a colaboração de outros institutos de pesquisas e universidades da Coreia do sul e do Brasil.
"Fazer melhor"
O 1º Fórum Brasil-Coreia reuniu ministros, especialistas em microeletrônica, representantes de governos e empresas dos dois países, entre eles Dong-Geun Seol, vice-ministro da educação da Coreia do Sul; Chilgee Lee, Professor do Semiconductor Institute; Marcelo Lopes, Presidente do Badesul; e André Castro Pereira Nunes, Chefe do Departamento de Tecnologias de Informação e Serviços da FINEP.
A lição deixada pelos coreanos durante o fórum é a de sempre fazer melhor. “Vamos fazer o melhor com a ajuda de vocês. Este evento faz parte do sonho da Unisinos em se tornar uma universidade global, onde a vida humana e o avanço tecnológico andam juntos”, concluiu José Ivo Follmann, Vice-Reitor da universidade.