.Fronteiras do Pensamento

07/06/2013 · 15:03
Manuel Castells Fronteiras do Pensamento
Concurso premiará com dois ingressos para a conferência que acontece na próxima segunda-feira (10/6)
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Texto: da Redação
Imagens: Divulgação


A primeira década do século XXI colocou em pauta um tipo de cultura diferenciada e uma nova configuração das práticas sociais, gerada com o acesso à internet e aos dispositivos móveis. O uso das redes sociais em prol da liberdade nos países árabes, dos protestos na Europa e do vazamento de informações pela ONG Wikileaks exemplificam a sociedade em rede, que vive em uma real virtualidade.

Todos estes conceitos vêm sendo elaborados desde os anos 1970 pelo sociólogo espanhol Manuel Castells, um dos pensadores mais citados da atualidade, que busca compreender as sociedades complexas nas quais estamos inseridos – sobretudo aquelas onde hoje irrompem novas formas de movimentos sociais. Este é o tema do próximo Fronteiras do Pensamento, que ocorre na segunda, dia 10 de junho, às 19h30, no Salão de Atos da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110).

A Unisinos presenteou com um par de ingressos a melhor resposta para a pergunta: "Como as novas tecnologias impactaram o seu cotidiano?". O comentário escolhido pelo setor de Marketing foi o de Dorival Bugs Junior, que deve entrar em contato com a universidade através do e-mail site@unisinos.br ou pelo (51) 3591 1122, no ramal 3536.

Sobre o palestrante
Na terceira conferência do Fronteiras do Pensamento, Manuel Castells irá abordar as ideias de seu mais recente livro, Redes de indignação e esperança, que só chega às livrarias brasileiras em setembro, pela editora Zahar. Com formação em Direito, Economia e Sociologia, Castells iniciou muito jovem seu envolvimento com a política, sendo forçado a sair da Espanha aos 20 anos, quando partiu para a França, onde, tempos depois, tornou-se professor na Universidade de Paris, ao lado de importantes nomes como Alain Touraine, Jean Baudrillard, Henri Lefebvre e Michel Crozier. Com significativa atuaç ão nos protestos de maio de 1968 e novamente exilado, primeiro no Chile e depois no Canadá, foi que o seu entendimento de uma cidade pós-industrial se desenvolveu, contribuindo para a sua teoria da sociedade em rede – na qual emerge uma nova forma de economia, organizada em torno das tecnologias da informação, sendo a própria informação o produto do processo produtivo. Tal sociedade é movida pelo capitalismo informacional: competitivo, produtivo, tecnológico e capaz de funcionar interconectado em escala planetária.

Nos anos 1980, foi nomeado professor de Sociologia e de Planejamento Regional da Universidade da Califórnia, época em que o Vale do Silício também se desenvolvia. Lecionando em Berkeley durante 24 anos, Castells teorizou sobre a instauração de um progressivo equilíbrio entre os velhos poderes midiáticos (comunicação massiva, entretenimento, produções televisivas) e as novas oportunidades oferecidas pela telefonia móvel, pelas redes sociais e pelos dispositivos de comunicação. Para o autor, a informação e a comunicação sempre foram vetores de poderes dominantes, de resistência e de mudanças sociais. Ao mesmo tempo em que a internet garante a comunicação livre, os conteúdos dessa liberdade dependem dos atores sociais. “A internet é o espa& ccedil;o do poder e da felicidade, da paz e da guerra. É o espaço social do nosso mundo, um lugar híbrido, construído na interface entre a experiência direta e a mediada pela comunicação”, afirma.

É por meio da observação deste espaço que o pesquisador percebeu a introdução, na esfera coletiva, de uma comunicação de massa agora individual: aquela maciça, mas produzida, recebida e vivenciada individualmente, na qual a separação entre realidade e representação simbólica diminui continuamente. Tal fenômeno faz com que as relações humanas se desenvolvam cada vez mais em ambientes virtuais.

Castells também sugere que estamos presenciando um novo tipo de economia: a dos consumidores que não têm dinheiro para consumir. Por isso realizam práticas econômicas não motivadas pelo lucro, como o escambo, as moedas sociais, as cooperativas, as redes de agricultura e de ajuda mútua. A “cultura econômica alternativa”, na qual o que é importante na vida das pessoas não pode ser comprado, “desencadeia uma crise de confiança nos dois maiores poderes do mundo: os sistemas político e financeiro. As pessoas não confiam mais no lugar onde depositam seu dinheiro, e nem mais naqueles a quem delegam seu voto. É uma crise dramáti ca de confiança – e, se não há confiança, não há sociedade. É a expansão do que eu chamo de práticas não capitalistas”, comenta Castells.

Castells é autor de mais de 20 livros e coautor de outras mais de 20 obras traduzidas para os mais diversos idiomas – entre elas, A galáxia da internet e a trilogia A era da informação, composta pelos volumes A sociedade em rede, O poder da identidade e Fim de milênio.Atualmente, atua como professor na Universidade Aberta da Catalunha, onde dirige o Internet Interdisciplinary Institute, como professor emérito na Universidade de Berkeley e professor ilustre no MIT. E, ainda, é membro da Academia Real Espanhola de Economia e Finanças, da Academia Europeia e da Academia Britânica. Em 2008, foi nomeado membro do Conselho de Governo do novo Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT), criado pela União Europeia para estimular a cooperação entre universidades, empresas e a sociedade. Conforme o Social Sciences Citation Index, Manuel Castells é o quinto acadêmi co das Ciências Sociais e o primeiro acadêmico das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) mais citado do mundo.


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