.Fronteiras do Pensamento

14/08/2012 · 19:42
As perguntas de Simon Blackburn
Renomado filósofo inglês palestra em 20/8 no Fronteiras do Pensamento
Tamanho da Letra
Texto: Da Redação
Imagens: Divulgação


Eis algumas perguntas que qualquer um pode fazer sobre nós, sobre o mundo e sobre nós e mundo: O que sou eu? Será que agimos sempre em função do nosso interesse próprio? Qual a diferença entre o passado e o futuro? Será que o mundo pressupõe um Criador? Como conhecemos os valores e os deveres? Como podemos saber se as nossas opiniões são objetivas ou subjetivas? Estas são algumas das interrogações que o filósofo inglês Simon Blackburn aborda ao longo de sua obra, e que vai apresentar no seminário Fronteiras do Pensamento, no dia 20/8, às 19h30, no Salão de Atos da UFRGS (av. Paulo Gama, 110, Porto Alegre).

Especialista em filosofia da mente, da linguagem e da psicologia, Blackburn é um dos mais prestigiados filósofos da contemporaneidade. Reconhecido internacionalmente por seus esforços em popularizar a filosofia – que para ele deve “descer à rua” – teve seus livros alçados ao status de best-sellers por conceberem a filosofia como algo que tem por ocupação refletir sobre as categorias gerais com as quais pensamos – como a verdade, a razão, o conhecimento, a liberdade, etc. Sobre a retomada do interesse na filosofia pelo cidadão comum, Blackburn acredita que esta tendência reflete o tempo atual, imerso na falência dos grandes discursos e autoridades. Tanto que um dos grandes temas debatidos por ele é justamente a longa disputa filosófica entre absolutistas (crentes na verdade) e relativistas (inclinados ao ceticismo). “Acho que o estímulo emocional para o ceticismo de nosso tempo é o colapso da confiança ocidental, mas penso que essa perda de confiança não é, realmente, uma coisa ruim. Só que o remédio não é jogar fora o pensamento racional, mas aplicá-lo melhor”, diz o autor.

A filosofia de Blackburn é também conhecida por defender as visões neo-humanistas e quase-realistas - termo criado pelo pensador para questionar especialmente alguns itens de nossa realidade que têm sido muito disputados atualmente, como os valores, por exemplo. O filósofo defende que o impacto na mente do mundo percebido, juntamente com as crenças formadas desse resultado, geram hábitos, emoções, sentimento e atitudes que acabam por ser projetadas e encaradas como propriedades reais do mundo – como a aprovação ou desaprovação que se tornam juízos. Ou seja, tais juízos não são nem expressões de sentimentos subjetivos, nem verdades que se verifiquem independentemente das atitudes humanas. No que diz respeito aos valores, então, não deveríamos nem ser anti-realistas, nem realistas: a postura correta seria o quase-realismo, uma posição que explica e justifica a aparência realista do pensamento moral cotidiano.

Simon Blackburn é membro honorário da American Academy of Arts and Sciences, centro independente que conduz estudos interdisciplinares sobre problemas complexos. É também o vice-presidente da British Humanist Association e atuou, por décadas, como professor da University de Cambridge, produzindo uma dezena de obras de repercussão internacional, como o Dicionário Oxford de Filosofia, A República de Platão, Pense: Uma introdução à filosofia e Verdade: um guia para os perplexos.

Mais informações sobre a palestra no portal www.fronteiras.com ou pelo fone (51) 3019 2326.

Mais Notícias

24/05/2013 · 17:33
Questão ambiental
20/05/2013 · 14:21
Sustentabilidade e ética
06/05/2013 · 09:45
Fronteiras do Pensamento 2013
17/04/2013 · 10:54
Pensar a Cultura
12/11/2012 · 16:18
Cidades cercadas de pobreza

Voltar
Rodapé - Links