.Fronteiras do Pensamento

15/04/2008 · 14:12
40 anos em uma hora
Edgar Morin abre Fronteiras do Pensamento, evento apoiado pela Unisinos, com o tema 1968-2008: O Mundo que Eu Vi e Vivi
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Texto: Lia Luz
Imagens: Cleber Passus


O sociólogo, antropólogo, historiador e filósofo Edgar Morin, um idealizador da reforma do pensamento, doutor honoris causa por 17 universidades e autor de mais de 60 livros, entre os quais os seis volumes de O Método, abriu o Fronteiras do Pensamento 2008, evento apoiado pela Unisinos, na noite de segunda (14/4).

Aos 87 anos, mostrou que ainda está no seu eterno auge intelectual, ao falar, de pé, por um pouco mais de uma hora, sem perder o fio da meada por um segundo sequer e sem fazer uma única pausa para bebericar que, fosse, um mísero gole d’água.

Morin partiu do tema 1968-2008: O Mundo que Eu Vi e Vivi para traçar um diagnóstico completo do mundo no século 20, que, para ele, começou em 1914, com a eclosão da I Guerra Mundial. Deu atenção especial ao movimento estudantil que eclodiu em maio de 1968, na França, assim como em vários outros países, numa revolução contra a autoridade. Foi nessa época que, segundo ele, teria nascido a adolescência, a aspiração à liberdade, à autonomia. "A vontade de querer ser livre, mas na instância da comunidade", complementa.

O que para muitos jovens significava libertação se tornaria opressão. A sociedade industrial moderna trouxe a tal liberdade, assim como outros limites, como a lógica do trabalho controlado e a redução dos pequenos pedaços de harmonia na vida cotidiana. "Ela mostrou que onde havia abundância de bem-estar material não havia bem-estar mental, psicológico. Era uma superfície sobre um campo minado", destaca. "O que acaba, então, é o mito da sociedade, que entra em crise", pontua.

Segundo o filósofo, a grande virada se deu no ano de 1977, quando o líder comunista Mao Tse-tung, ditador da China, desabava. Era o socialismo ruindo. E o mundo perdia a esperança, o que se confirmou com mais força em 1989 e 1990, ano em que, para o sociólogo, termina o século 20. Os novos tempos surgidos a partir daí são marcados por duas globalizações: a do mercado, com o capitalismo se desenvolvendo mesmo nos países comandados por partidos comunistas, e a dos direitos humanos, com o fim das ditaduras militares na América Latina.

Com essa perda do futuro e da idéia de que o amanhã será melhor que hoje, nasce a reivindicação da identidade e a busca pelas raízes. Somente a religião é capaz de trazer esperança, já que todas as outras tentativas (na Terra)fracassaram. Surgem, então, as primeiras guerras étnicas e religiosas, como a de croatas, sérvios, bósnios. Mas nem tudo está perdido: "talvez estejamos em face do recomeço. No final de um mundo e no começo de outro", finaliza o filósofo.


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