.Fronteiras do Pensamento

24/03/2009 · 04:20
O que as palavras revelam
O linguísta canadense Steven Pinker, primeiro conferencista do Fronteiras Braskem do Pensamento 2009, analisa a linguagem para entender relacionamentos humanos
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Texto: Lia Luz
Imagens: Peter Tannenbaum


A noite é especial, mas você chega ao restaurante e não há mais mesas disponíveis. Então, retira uma nota de R$ 20 do bolso e, como quem não quer nada, a oferece ao maître e lhe pergunta: será que, por acaso, não haveria nenhuma desistência entre as reservas? Se ambos os interlocutores sabem se tratar de uma situação de suborno, por que o primeiro não vai direto ao ponto?
 
Segundo o psicólogo experimental e cognitivo e linguísta canadense Steven Pinker, primeiro conferencista do Fronteiras Braskem do Pensamento 2009, evento apoiado pela Unisinos, esse fenômeno de utilizar eufemismos e uma linguagem indireta revela os relacionamentos humanos e o que eles significam. “Pessoas num nível hierárquico superior, como os professores em relação aos alunos, costumam ser mais diretas. De modo geral, também são mais educadas com desconhecidos do que com conhecidos”, salientou ele, que é professor de Psicologia em Harvard e ex-diretor do Centro de Neurociência Cognitiva do Massachusetts Instituto of Technology (MIT).

Durante a conferência, ocorrida na noite de segunda (23), no Salão de Atos da Ufrgs, Pinker fez uma breve apresentação de cada um de seus quatro livros já traduzidos para o português, os quais abordam a linguagem, a mente e a natureza humana a partir de vieses específicos. É na sua obra mais recente, Do que é feito o pensamento (2008), que ele analisa situações como a acima. Em Instinto da Linguagem (1994), ele se debruça sobre duas habilidades humanas: a primeira, nossa grande capacidade de memória, para recordar, por exemplo, as palavras; a segunda, a de conseguir combiná-las para produzir sentido. “Mas não é verdade que pensamos só em palavras, nem que as palavras dominam o pensamento”, adverte.

Já em Como a Mente Funciona (1997), o professor afirma que para entender a mente é preciso fazer uma engenharia reversa, descobrindo para o que a mesma foi projetada. “Aquilo que chamamos de falha pode ser apenas um descompasso entre a realidade que vivemos hoje e a que vivíamos”, defende. Na obra Tábula Rasa (2004), Pinker argumenta não ser possível tentar separar a influência hereditária da ambiental, uma vez que todo comportamento envolveria ambas. “Uma criança não nasce sabendo o idioma do país em que vive. Mas, para aprendê-lo, utiliza mecanismos inatos que outros animais não têm”, exemplifica.

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