.Fronteiras do Pensamento

24/04/2012 · 15:19
Nobel de Economia abre o Fronteiras
Indiano Amartya Sen fala nesta quarta sobre justiça social
Tamanho da Letra
Texto: Da Redação
Imagens: Stephanie Mitchell/Harvard Gazette

Com apoio cultural da Unisinos, o projeto Fronteiras do Pensamento abre sua 6ª edição com Amartya Sen no dia 25 de abril no Salão de Atos da UFRGS. Nobel de Economia, professor em Harvard, o filósofo e economista indiano vai abordar uma questão central de seu pensamento: “o que devemos entender por uma sociedade justa?”.


A pergunta que faz Amartya Sen remete a uma série de questões fundamentais, que dizem respeito aos conceitos de liberdade, desenvolvimento, diversidade e tolerância em um mundo ainda marcado pela pobreza e pela desigualdade. O foco do Fronteiras neste ano não é apenas discutir um certo “mal-estar” que toma conta de nossa civilização – já comentado em célebre texto de Sigmund Freud –, mas oferecer respostas a partir do ponto de vista de intelectuais engajados com importantes questões globais.

Sobre Amartya Sen

Estudioso do desenvolvimento humano e do bem-estar social, Sen virou celebridade em 1998 ao ganhar o Nobel de Economia, na primeira vez, em 30 anos, que o prêmio teve como alvo um trabalho voltado para a questão do bem-estar social. Considerado por seus críticos como um autor erudito, mas esclarecedor, as obras de Sen mostram-se reveladoras de conexões inusitadas entre a economia e a ética. É reconhecido internacionalmente por dedicar grande parte de sua vida ao combate à pobreza com análises, estratégias e soluções concretas. Seus conceitos também têm grande impacto no entendimento atual das ideias de riqueza e justiça.

Amartya Sen ocupa uma posição singular entre os economistas contemporâneos por sua originalidade e variedade de domínios para os quais contribuiu.  Ele é autoridade mundial em teoria da escolha social (social choice theory) e economia do bem-estar (welfare economics). Entre suas contribuições destacam-se estudos mostrando como e por que a pobreza e a fome não são necessariamente eliminadas pelos booms econômicos e consequentes aumentos da renda média. Seus escritos têm influenciado análises e programas de organismos da ONU e do Banco Mundial, entre outros. Suas ideias que reforçam a corrente do pensamento econômico mais humanista e contraria uma linha da economia que olha mais para os números do que para as pessoas.

Um alicerce de toda a “economia filosófica” de Sen é a ideia de que a “vida boa” é aquela com escolhas genuínas, na qual ninguém é forçado a viver de alguma forma específica. As oportunidades, para o autor, envolvem mais do que disponibilidade de recursos: são uma questão de capacidades (poderes para escolher, buscar e abandonar objetivos), e acessibilidade a recursos, que dependem muito das habilidades e talentos de cada pessoa. Para Sen, oportunidades reais não são parâmetros medidos por recursos disponibilizados às pessoas, mas sim funções, cujos valores são determinados por uma série de fatores como recursos, talentos, direitos, expectativas, escolhas anteriores, auto-estima, voz na comunidade, etc. Como um grande estudioso das fomes ocorridas na Ásia e na África, Amartya Sen comenta que a pobreza, o desemprego, a insegurança social ou econômica, os costumes e os governos totalitários são condições sob as quais as pessoas podem deixar de conceber alternativas ou possibilidades de mudança.

Se para a welfare economics a regra básica é a existência de uma relação diretamente proporcional entre renda, consumo e satisfação, Sen tem procurado mostrar que é preciso fazer uma pergunta radical para expor a limitação desta teoria: onde está o valor próprio da vida humana? Para Sen, o desenvolvimento econômico precisa significar desenvolvimento do bem-estar social.

Outro conceito importante discutido por Sen é o de justiça. Seu mais recente livro publicado no Brasil, A ideia de justiça (Companhia das Letras, 2011), já é considerado hoje como a mais importante contribuição para o estudo sobre o tema desde o livro clássico de John Rawls, A teoria da justiça (1971). Problemas complexos como em que basear nossos juízos sobre a justiça, como levar em conta a pluralidade de valores e escolhas das vidas individuais e como ponderar as exigências da liberdade e da igualdade são examinados com uma questão central: quais são as razões da justiça? Para Sen, “liberdade não é uma questão de zero e um. Há mais ou há menos. Assim como a falta de liberdade econômica afeta sua liberdade política, a falta de liberdade política também afeta sua liberdade econômica.”

O QUÊ: Conferência de abertura do Fronteiras do Pensamento 2012, com Amartya Sen.

QUANDO: 25 de abril, às 19h30

ONDE: Salão de Atos da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110 - Porto Alegre/RS)

INGRESSOS: o Passaporte custa R$ 820 (parcelado em até 5x nos cartões de crédito sem juros). Ex-alunos do Fronteiras e médicos cooperados da Unimed Porto Alegre têm 20% de desconto.

ONDE COMPRAR: no portal www.fronteiras.com e nos pontos de venda: Livraria Palavraria (Rua Vasco da Gama, 165); StudioClio (Rua José do Patrocínio, 698) e Bamboletras (Rua Gal. Lima e Silva, 776).

Ao final do curso, os alunos com no mínimo 75% de presença recebem certificado de participação de 20h em curso de extensão chancelado pela UFRGS.

Mais informações no portal www.fronteiras.com e telefone (51) 3019.2326.


Mais Notícias

24/05/2013 · 17:33
Questão ambiental
20/05/2013 · 14:21
Sustentabilidade e ética
06/05/2013 · 09:45
Fronteiras do Pensamento 2013
17/04/2013 · 10:54
Pensar a Cultura
12/11/2012 · 16:18
Cidades cercadas de pobreza

Voltar
Rodapé - Links