.Fronteiras do Pensamento

26/04/2012 · 16:50
Por uma sociedade mais justa
Amartya Sen abordou o tema na primeira conferência do Fronteiras do Pensamento
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Texto: Pablo Furlanetto
Imagens: Clleber Passus

De gravata vermelha com detalhes em preto, camisa azul clara, uma caneta dourada no bolso esquerdo e um terno preto; óculos de grau com armação grande; cabelos grisalhos. Assim, com ar de experiência, chegou para a coletiva de imprensa Amartya Kumar Sen, filósofo e economista indiano, que conversou com jornalistas na manhã de 25/4, no salão Montevideo do Hotel Sheraton, em Porto Alegre. Era uma prévia para a conferência que iria apresentar à noite, no Salão de Atos da UFRGS, pelo Fronteiras do Pensamento.

Diferente da maioria de seus colegas de profissão, Amartya ganhou notoriedade por se preocupar com o desenvolvimento humano e o bem-estar social. E foi isso que abordou por cerca de 30 minutos, respondendo as perguntas dos jornalistas. Tudo em torno de uma questão central: “o que devemos entender por uma sociedade justa?”. A pergunta vai ao encontro com o que o Fronteiras propõe em sua sexta edição, discutir um certo “mal-estar” que toma conta de nossa civilização e oferecer respostas.



Prêmio Nobel de Economia em 1998 e um dos idealizadores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Amartya Sen discorreu sobre capitalismo, problemas sociais, políticas públicas, o desenvolvimento do Brasil e o seu interesse por estudar estas questões. No início, falou sobre o capitalismo, mencionando Adam Smith, considerado o pai da economia moderna e o mais importante teórico do liberalismo econômico. Sen defende uma economia de mercado com a participação do Estado. O filósofo disse que “este equilíbrio deve ser buscado, pois excesso de mercado gera anomalias”.

Com tantos problemas no mundo, fica difícil destacar o principal, acredita Amartya. Para ele, hoje vivemos casos de extrema carência de alimento. “Isso desencadeia outros, como a falta da formação do cérebro das crianças”, disse. E não é só em países em desenvolvimento que isso acontece. Nos Estados Unidos, por exemplo, também ocorre a falta de comida.



Uma das nações mais emergentes, o Brasil foi pauta de Sen. Segundo o economista, o motivo de nosso crescimento econômico foi o desenvolvimento do mercado, junto com mais ações do Governo no fornecimento de serviços básicos à população. “O país é um exemplo, mas pode fazer mais”, considera. Para servir como gancho, o indiano relatou o que se pensava sobre relações econômicas na década de 60, quando ele começou a se dedicar nos estudos da área. “Havia grande ceticismo sobre a economia de mercado. A globalização era considerada um perigo. Tínhamos ausência do pensamento mais profundo de estado e mercado”.

Ao final da sua conversa, Amartya falou sobre a miséria. Ele acredita que o principal problema das nações pobres, a extrema pobreza é oriunda de diversas causas, como subdesenvolvimento tecnológico e falta de capital. O conhecimento que o economista e filósofo adquiriu para poder ter domínio no assunto só foi possível, além de muito estudo, de sua vivência com a extrema pobreza, a qual presenciou em 1943 em Bengala, onde vivia. Foi o que o fez pensar em um dia estudar questões da sociedade. E pode servir de motivação a nós.


Sobre o Fronteiras do Pensamento

Um dos eventos intelectuais mais importantes do Rio Grande do Sul, o Fronteiras do Pensamento, edição Porto Alegre, é um projeto cultural que reúne diferentes pensadores, considerados os maiores em atuação no momento, para discutir a contemporaneidade e perspectivas para o futuro.

Neste ano serão 10 conferências no período de abril a novembro. Os conferencistas, todos estrangeiros, têm currículos diversificados (economista, física, arquiteto, filósofo, pesquisador, cientista, diplomata, romancista), mas um mesmo objetivo: o debate sobre a identidade do século XXI.

Entrando em seu sexto ano de existência, com mais de 100 conferências realizadas para milhares de espectadores, o Fronteiras do Pensamento tem apoio cultural da Unisinos.

Mais sobre o evento aqui.


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