.Fronteiras do Pensamento

29/08/2012 · 08:49
Fronteiras traz Todorov
Intelectual realiza conferência, lança livro inédito e participa de encontro direcionado a estudantes de pós-graduação
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Texto: Da Redação
Imagens: Divulgação


O filósofo, linguista, escritor e historiador franco-búlgaro Tzvetan Todorov, mundialmente reconhecido por seu ensaísmo literário e histórico, palestra no dia 3/9, às 19h30, no Salão de Atos da UFRGS (av. Paulo Gama, 110). Na ocasião, Todorov também lança sua nova obra, Os inimigos íntimos da democracia, que aponta as principais ameaças às liberdades civis por meio de uma penetrante análise das contradições sociais, econômicas e culturais do modelo liberal-democrático hegemônico no Ocidente. No dia 4/9, às 18h, o intelectual também participa de encontro acadêmico direcionado a pós-graduação. Mais informações no portal www.fronteiras.com ou pelo fone (51) 3019 2326.

Sua vasta obra revela o intelectual inquieto, curioso e de profundo senso analítico que é Todorov: nela estão presentes abordagens que vão do lugar do indivíduo na pintura do Renascimento à conquista da América, da guerra do Iraque à definição de felicidade por Jean-Jacques Rousseau, dos campos de extermínio nazistas à busca da beleza em Rilke, Oscar Wilde e Marina Tsvetaeva. Todorov também escreveu a respeito do fantástico na literatura, fazendo a diferenciação entre a tríade fantástico, estranho e maravilhoso. Autor de mais de 20 livros, traduzidos para 25 idiomas, entre suas obras mais conhecidas estão A beleza salvará o mundo, Introdução à literatura fantástica e Literatura em perigo.

Graduado em Letras, Todorov aprofundou seus estudos em literatura tendo Roland Barthes como seu orientador de doutorado e colega de trabalho. Em 2008, foi agraciado, pela importância de sua obra, com o Prêmio Príncipe de Astúrias de Ciências Sociais. Estudioso de semiologia, aplicou o método estruturalista à literatura e à crítica literária. Radicado na França desde 1963, ficou conhecido por criticar o ensino de Literatura baseado exclusivamente na análise das estruturas internas do texto, sem relação com o contexto mais amplo em que a obra está inserida. Para Todorov tal problema afasta as novas gerações do prazer da leitura, privando-as do que chama “uma das melhores heranças da humanidade”. A literatura “deve ser vista seriamente e não como um brinquedinho”, diz o autor. “Ela é muito mais ambiciosa, é um meio de conhecer o ser humano, a sociedade humana, a condição humana”.

Todorov também aborda em sua obra o sentido à existência que os livros são capazes de imprimir e o futuro das obras literárias no cenário das novas tecnologias. Independentemente do suporte, o autor confia na imaterialidade do texto. “A poesia viverá sempre, ainda que o poema esteja gravado numa rocha. O importante é o espírito humano, e o espírito é imortal”, destaca. Para o autor, se ainda lemos antigos autores como Quixote, Shakespeare ou Guy de Maupassant, é porque temos a impressão de que, através das personagens daqueles, podemos descobrir melhor o que nós mesmos somos.

Sobre Os inimigos íntimos da democracia

O mais recente livro de Tzevtan Todorov intervém com lucidez no debate público sobre a sobrevivência da democracia no século XXI, emitindo um alerta sobre a supressão das liberdades engendrada por governos, mídias e corporações. Em 2003, a invasão do Iraque pelas forças armadas norte-americanas e a consequente deposição do regime de Saddam Hussein foram baseadas num jogo de mentiras e meias-verdades que estarreceu o mundo. As armas de destruição em massa supostamente à disposição do exército iraquiano jamais foram encontradas e, desde então, tem sido quase impossível justificar essa intervenção militar sem admitir que os interesses da indústria do petróleo sempre estiveram por trás do discurso pró-democracia evocado pela coalizão ocidental. Do mesmo modo, em nome de valores universalmente reconhecidos como autodeterminação dos povos e direitos humanos, os bombardeios da OTAN que se seguiram à recente revolução popular na Líbia reeditam os piores episódios do imperialismo europeu no século XIX. Segundo Tzvetan Todorov, esses são apenas alguns dos exemplos que evidenciam a corrosão da democracia no mundo contemporâneo. A cidadania encontra-se cada vez mais ameaçada pela perigosa combinação entre o cinismo dos políticos tradicionais, indiferentes aos verdadeiros anseios da sociedade, e a ascensão de movimentos populistas à direita e à esquerda.

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