Ele é aluno do curso de Engenharia da Computação da Unisinos e é também o único brasileiro a integrar a Part-Time Scientists, uma equipe composto por 45 pessoas, que está concorrendo, com outros times do mundo todo, ao Google Lunar XPrize, um concurso que visa enviar um robô à lua. Cládio José Martins Júnior é um dos quatro integrantes responsáveis pelo desenvolvimento do software que irá controlar o ‘cérebro’ do equipamento.
A competição irá premiar com US$ 20 milhões o primeiro grupo que desembarcar um robô na lua e conseguir fazer com que ele percorra um trajeto de 500 metros em solo lunar, e, ainda, transmita imagens, vídeos e dados de volta a Terra até no máximo 31/12 de 2012. Se nenhuma equipe conseguir realizar o feito até a data estipulada, o prêmio, para o primeiro colocado, passa para US$ 15 milhões. O segundo time a cumprir a tarefa receberá uma quantia de US$ 5 milhões.
A equipe do aluno de engenharia tem seu núcleo sediado em Berlim, na Alemanha, e é o primeiro grupo composto inteiramente de profissionais não-espaciais. “Somos o time com a média de idade mais baixa da competição. O nosso líder, Robert Boehme, tem apenas 23 anos”, destaca Cládio. O aluno trabalha no projeto direto do Brasil, e em datas pré-definidas são feitos testes, com toda a equipe, para verificar o andamento do robô.
O regulamento do Google Lunar XPrize prevê que os projetos sejam financiados, em pelo menos 90%, pela iniciativa privada. A Part-Time Scientists conta com o patrocínio de grandes empresas como a MaxonMotor, que irá fornecer ao grupo os mesmos motores utilizados pela sonda espacial da NASA. Outras companhias estarão ajudando no desenvolvimento do projeto fornecendo chips, placas eletrônicas, lentes para as câmeras, placas de células solares para recarregar as baterias do robô, entre outros equipamentos e componentes que o time irá precisar para fazer o robô funcionar. “Estamos muito otimistas para essa competição, pois através dos patrocinadores que temos hoje, estamos tendo acesso às tecnologias que necessitamos para o desenvolvimento desse equipamento. Agora temos de fazer a nossa parte e utilizar bem os recursos que conquistamos”, afirma o estudante.
O desenvolvimento da ciência e de novas tecnologias é um dos principais objetivos da competição. Através dos projetos criados por cada equipe poderão surgir ideias que ajudem no avanço do setor espacial. O time de Cládio já foi responsável pelo desenvolvimento de um sistema que permite a comunicação da lua com a Terra sem a utilização de satélites ou grandes antenas, como destaca: “A ideia do nosso time é mostrar que não é preciso milhões em investimentos para se realizar algo de tal magnitude. Pessoas simples, com entusiasmo e disposição em aprender, podem, sim, realizar grandes feitos como esse”.
A participação num evento dessa amplitude já está abrindo portas para o aluno que está no último ano do curso. “Já existe uma possibilidade de trabalho na Alemanha, porém estou esperando me formar para decidir”, finaliza Cládio.
Os interessados em patrocinar a Part-Time Scientists podem entrar em contato pelo e-mail cladio@part-time-scientists.com