A Galeria Cultural da Biblioteca Unisinos tinha uma energia diferente na noite de segunda-feira (4/7). Os alunos e professores que produziram a revista Primeira Impressão se enchiam de orgulho ao lançar a 35º edição da publicação. Os professores Eduardo Veras, Flávio Dutra e Thaís Furtado tinham nas mãos uma produção que focava numa ideia que há muito tempo queriam trabalhar: a BR-116.
Flávio Dutra, professor de fotografia, é de Porto alegre. Todos os dias ele vem para a Unisinos pela rodovia. “Sempre me impressionei com a demanda e a quantidade de coisas que dependem e estão no entorno da BR. No entanto, a única pauta que se trabalha sobre ela é a questão do trânsito. Todo o universo ao redor tem sido descontextualizado”. Motivado a traduzir a realidade da rodovia de forma visual para a revista, Flávio coordenou 22 alunos para não somente captarem as imagens das reportagens, mas também registrarem a “alma” da estrada com um olhar fotográfico. “A primeira impressão é um produto muito bem elaborado e isso possibilita que nós, da imagem, possamos nos expressar totalmente. Todo fotógrafo quer publicar numa revista”, disse Flávio.
Segundo Thaís Furtado e Eduardo Veras, professores da disciplina de Projeto Experimental em Revista, a partir do tema todos os alunos tiveram que vivenciar a rotina de sair para rua e preparar as matérias, assim como acontece nas redações de jornais e revistas. “Os alunos prepararam a pauta na sala de aula, mas não tinham ideia do que realmente iriam encontrar e enfrentar. Por exemplo, as alunas que estavam com a pauta dos indígenas que vivem à beira da BR-116 precisaram convencer o cacique que eram boas pessoas para que, de fato, pudessem entrar na aldeia”, contaram.
Uma das alunas era Silvia Dalmás, 20, que está no 4º semestre de jornalismo. Ela seguiu até a aldeia da tribo Tekoá Porã, em Barra do Ribeiro, com o tempo definido para cada etapa da pauta. “O cacique ouviu nossa proposta pela manhã e pediu para voltássemos à tarde, pois precisava, junto com os conselheiros da tribo, decidir se poderíamos ou não entrar na aldeia. Quando voltamos, o cacique disse que viu nos nossos olhos que éramos pessoas boas e, assim, permitiu que conversássemos com eles. Agora queremos voltar lá para entregar pessoalmente a revista”, contou.
Dois alunos percorreram a BR-116 em toda sua extensão no Rio Grande do Sul e na reportagem contaram o que viram e sobre as pessoas que conheceram. Entre Vacaria e Jaguarão, eles conheceram 23 municípios e percorreram 659 quilômetros. André Ávila, 25, aluno do 7º semestre de Jornalismo, confessou que imaginava o que iria encontrar, mas que a viagem mudou completamente seu conceito da rodovia e das pessoas que vivem no entorno dela. “A paisagem da BR muda muito de um município para o outro, fomos parando e conversando com alguns moradores, registrando as histórias e as imagens. O assunto é muito amplo, todas as histórias poderiam render reportagens interessantes. Precisávamos fugir do clichê, mas, ao mesmo tempo, registrar a realidade do que se passa pela rodovia”, disse.
A revista tem ainda reportagens que contam a história da BR-116, sobre a poluição visual em alguns quilômetros, as mensagens anônimas deixadas ao longo da via e outros tantos movimentos que acontecem ali diariamente, mas poucas vezes foram relatados.
A versão impressa da revista está disponível na Agência Experimental de Comunicação - AgexCom da Unisinos. No próximo semestre, conta Thaís, a publicação terá versão online onde todo o conteúdo impresso poderá ser conferido.