O livro “Choque das civilizações”, escrito por Samuel P. Huntigton, na década de 1990, já denunciava que, no futuro, os maiores conflitos da sociedade estariam apoiados nas questões culturais e religiosas. Um dos apontamentos desta previsão pode ser observado pelo número assustador de refugiados: no ano de 2009, o número de pessoas forçadas a se deslocar por causa de conflitos e perseguições chegou a 43,3 milhões em todo o mundo.
A professora de Direito, Bibiana Graeff Chagas Pinto Fabre, pôde observar de perto tais informações. Ela participou, no mês de junho, do Primeiro Seminário Nacional Cátedra Sérgio Vieira de Melo, organizado com o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), em São Paulo. O organismo colabora há alguns anos com a Associação Antônio Vieira (ASAV) no tema dos refugiados no Brasil.
Bibiana Graeff relata que o representante do ACNUR no Brasil, Andrés Ramirez, destacou que o ano de 2009 foi o que menos teve repatriações voluntárias de refugiados em 20 anos. Isso significa, entre outros fatores, que as causas que levaram os indivíduos à condição de refugiados não foram superadas – como as guerras continuadas.
“O Brasil é o país de maior diversidade quanto à origem dos refugiados que acolhe (76 nacionalidades), embora esteja longe de ser o número um em quantidade de pessoas acolhidas”, relembra a professora.
O depoimento de refugiados no Brasil colaborou para que o público compreendesse melhor esta realidade. As dificuldades de integração no país, como o idioma, documentação, emprego, acesso aos serviços públicos também foram debatidos.
Um novo e cada vez mais constante motivo começa a expulsar os cidadãos de seus países: o desastre ambiental. Porém, conforme, Andrés Ramirez, o ACNUR não inclui a situação das pessoas obrigadas a deixarem os seus países em razão de catástrofes ambientais. Ele observa que não há nenhum organismo da ONU que tenha mandato específico para atuar nestes casos, mas que o ACNUR colabora no que pode, em razão de sua experiência com questões
humanitárias e reassentamentos.
São desafios que precisam ser enfrentados em um mundo que está em constante choque cultural, religioso e econômico.