“Lembrai-vos de que tempo é dinheiro”, já dizia Benjamin Franklin. Com toda essa ânsia por tempo e por dinheiro, as pessoas vivem em uma correria constante. Estão sempre apressadas, necessitam chegar logo, realizar alguma coisa. Neste ritmo acelerado tudo fica urgente. As 24 horas do dia parecem ser reduzidas a 12, e o tempo que se perde indo de lá para cá é precioso demais para que se possa manter a calma. Com todo esse afã, coisas banais, como ir de carro à padaria, podem se transformar em grandes tragédias. Toda essa afobação é refletida no trânsito.
Os acidentes de trânsito são cada vez mais comuns em nosso estado e no mundo. Por ano, no Brasil, mais de 40 mil pessoas tornam-se vítimas fatais dos incidentes no trânsito, e suas causas mais comuns são respectivamente: excesso de velocidade, embriaguez, distância insuficiente (em relação ao veículo dianteiro), desrespeito à sinalização e dirigir sob efeito de drogas.
No Rio Grande do Sul, em 2008, mais de 17 mil carros envolveram-se em acidentes, e 370 pessoas perderam a vida no trânsito. Neste feriado de Corpus Christi (3/6), o mais violento da década, houve 36 mortes, superando o índice do carnaval, que registrou 31 óbitos nas estradas gaúchas. Os acidentes do feriado religioso envolveram motoristas descontrolados, pilotos de motocicletas e pedestres atropelados.
Nesta terça-feira (8/6), o jornal Zero Hora trouxe uma reportagem especial sobre trânsito, intitulada Lição de prudência provoca sala de aula, e o repórter, Itamar Melo, veio até a classe do professor de Teoria Geral do Direito, Ricardo Giuliani, presenciar a discussão proposta pelo docente com relação às mortes ocorridas no feriado. Giuliani estimula os alunos a acompanhar as estatísticas de mortes no trânsito, com o intuito de conscientizá-los um pouco mais a respeito da proporção dos fatos, segundo ele: “A gurizada não tem dimensão do morticínio que é o trânsito”.
O subchefe da Casa Civil no governo Olívio Dutra (1999/2002) afirmou ter tido a iniciativa quando percorria a BR 116, a caminho da Unisinos, e se deparava com as barbáries ocorridas no trânsito. Pensou que seus alunos, do curso de Direito, precisavam ficar a par do que acontecia no mundo real. Contudo, Ricardo diz que a idéia surte resultados positivos, pois os universitários participam dos debates, mudam algumas atitudes e abordam o assunto em outros lugares.
O impacto social que as mortes no trânsito causam é bastante intenso. A maioria das vítimas tem entre 18 e 35 anos e fazem parte de uma faixa ativa e produtiva economicamente. Todos somos usuários do trânsito, e, portanto, responsáveis pela “saúde” desse bem comum. Cabe aos pedestres, passageiros e condutores um pouco mais de prudência e respeito. Além disso, é preciso ter consciência da responsabilidade implicada àqueles que transitam.
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