.Graduação

15/10/2013 · 14:57
Do papel para o mundo digital
Aluno de Comunicação Digital projeta a carreira através de traços de sucesso
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Texto: Cândida Portolan
Imagens: Arquivo pessoal



O aspirante a comunicador digital transparece tranquilidade. O sorriso aberto que ora escapa, revela a satisfação de quem sabe que está trilhando o caminho certo. A timidez é facilmente quebrada pelos traços em grafite no bloco de papel que carrega consigo na mochila. No rodapé das ilustrações, a rubrica de alguém que sonha alto e trabalha pela a realização dos seus sonhos: Pablo Aguiar.

O desenho está presente na vida de Pablo desde muito cedo, quando os rabiscos não passavam de diversão. O interesse em aprimorar a técnica e fazer do hobby profissão, levou o então formado no Ensino Médio a ingressar na Unisinos. O percurso entre Alvorada, cidade onde mora, até o campus em São Leopoldo, oferecia muito mais do que quilômetros percorridos. Ao embarcar na estação de trem Mercado, em Porto Alegre, iniciava uma viagem de inspiração e criatividade, que se estendia até a Estação Unisinos.

As interações entre os passageiros, a movimentação do entra e sai nas estações, as figuras peculiares que apareciam no vagão e até mesmo as mais banais, começaram a se transformar em ilustrações despretensiosas no bloco de desenhos do estudante. Não demorou a aparecer inserções de textos, como falas e pensamentos daqueles personagens, “não buscava ser fiel às formas, mas àquilo que elas pareciam enquanto as via. Como recortes da realidade, fragmentos do momento”, relata Pablo.

Com o passar do tempo, ele quis mais. As ilustrações seguiam como hobby, mas já possuíam um lugar de destaque nas atenções de Pablo. A sua arte pedia que fosse além da prática e os seus anseios profissionais também seguiam essa tendência. Em 2012, enquanto cursava Design, um novo destino foi agregado ao roteiro da sua formação profissional. Vislumbrando outros conhecimentos e as possibilidades no mercado, encontrou numa outra graduação a oportunidade de se encaminhar profissionalmente. “Ouvi falar da Comunicação Digital , mas não achei que fosse pra mim. Mais tarde, conheci o currículo do curso e vi que correspondia aos meus anseios”, lembra. Pablo não sabia, mas as aventuras da nova jornada estavam só começando.

O primeiro semestre como graduando do novo curso foi desafiador, “tivemos que nos projetar como profissionais para daqui a cinco anos. Não me vi de outra forma, senão como ilustrador”. O estímulo para concretizar a meta também foi certeiro. Os colegas e professores logo tomaram conhecimento das ilustrações e apoiaram o trabalho de Pablo. A próxima estação da viagem foi passar a arte do papel para o mundo digital.

O aluno viajante encontrou na fotografia um elemento para atrair mais a atenção de quem admirava seu trabalho, e agregar mais realismo às situações ilustradas. Logo, as imagens foram para um site e, de lá, para a parede. O saguão da Estação Mercado foi estampado pelas obras de Pablo, que silencioso e quase anônimo, observava a reação dos que apreciavam a sua primeira exposição. “Principalmente idosos e crianças olhavam com muita atenção. Ás vezes eu perguntava, sem me identificar, o que achavam dos desenhos. Alguns diziam que eram criativos, outros que o artista era sensível para as situações corriqueiras”, conta ele, sem conseguir esconder o brilho dos olhos.

O trabalho agradou tanto, que foi convidado a trabalhar na Trensurb como designer gráfico. Paralelamente, é apoiado pela empresa, familiares e amigos para continuar com suas ilustrações. Atualiza com frequência a página Recortes no Metrô, sempre com novos personagens, pensamentos e histórias. Desde então cursou História da Arte, durante o intercâmbio para a Espanha (entre junho e julho deste ano), busca aprimoramento constante e almeja grandes realizações. Quer usufruir do conhecimento acadêmico para se tornar um profissional multidisciplinar, trabalhar no campo da ilustração de livros infantis e talvez abrir seu próprio negócio. Reflexivo, não consegue contar nos dedos tudo o que ambiciona realizar. Aos 24 anos e com muitas ideias inspiradoras, sejam no papel, na parede ou ainda fervendo na sua mente criativa, uma coisa é certa: ir cada vez mais longe.


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