.Graduação

17/07/2009 · 12:02
Primeiro pouso na Lua
Fato histórico completa 40 anos e começa a virar lenda
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Texto: Luiz Augusto L. da Silva, físico e astrônomo, professor da Licenciatura em Física da Unisinos

Em pleno ano internacional da Astronomia, o próximo 20/7 assinala o 40º aniversário da primeira presença de um ser humano na superfície do satélite natural da Terra. O “pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade” dado por Neil Armstrong naquele dia foi seguido por várias missões tripuladas, num ciclo breve e intensivo de explorações científicas lunares, que não teve continuidade e, mesmo agora, possui poucas perspectivas concretas de ser reassumido em curto prazo.

Concebido pela Agência Espacial Norte-americana (NASA), em resposta ao discurso do presidente John Kennedy, em 1961, propondo colocar um homem na Lua e trazê-lo de volta em segurança até o final daquela década, o projeto Apolo constituía-se numa ferramenta para a recuperação do orgulho político ocidental, ferido pelas realizações soviéticas. No auge da Guerra Fria, o placar da corrida espacial contabilizava pelo menos três a zero a favor dos vermelhos: o lançamento do primeiro satélite artificial (Sputnik 1), em outubro de 1957, o histórico vôo de Yuri Gagarin no outono de 1961, e a primeira mulher cosmonauta, Valentina Tereshkova, dois anos mais tarde. Era cada vez mais claro que os Estados Unidos da América, enquanto arautos do capitalismo e do mundo livre, deveriam reagir, restabelecendo o prestígio político e a supremacia tecnológica do Ocidente. Fomos à Lua apenas por causa disso. Entretanto, uma vez atingidos aqueles objetivos, veio o cancelamento, com o corte das três últimas missões que estavam agendadas (Apolos 18, 19, e 20).




Há pontos positivos e negativos naquela decisão de encerramento prematuro. Do ponto de vista da segurança, sabemos hoje que as naves Apolo não passariam pelos padrões atuais adotados pela NASA. Mesmo veículos muito mais sofisticados como os agora também já obsoletos ônibus espaciais podem apresentar problemas graves, como ilustram muito bem os desastres com o Challenger, em 1986, e com o Columbia, em 2003. O perfil de cada missão Apolo era muito complexo, cheio de manobras, acoplamentos e desacoplamentos. É quase certo que acidentes com perdas de vidas acabassem se tornando realidade, caso o projeto tivesse prosseguido.

Por outro lado, a frustração e o prejuízo científicos foram enormes, e perduram até hoje. Principalmente quando se torna aparente que a mola mestra que movia aquele período épico de explorações não era a curiosidade da ciência, mas sim as aspirações da política. Quatro décadas depois, está claro que nosso satélite foi “conquistado”, mas não conquistado. O termo entre aspas pressupõe meramente o alcance de objetivos estratégicos e geopolíticos. O segundo, subentende o estudo científico desinteressado e duradouro. Sob esse aspecto, a Lua ainda resta ser conquistada, pois não basta colocar um grupo de militares na sua superfície, recolher alguns quilogramas de rochas, tirar fotografias, e realizar passeios de jipe. Na euforia dos anos finais da década de 60, previa-se o primeiro pouso tripulado em Marte para o ano de 1983. Hoje, em pleno 2009, tanto aquela façanha quanto a primeira base lunar permanente ainda são sonhos remotos, apesar dos discursos de George Bush pai e filho.

Quarenta anos representam um tempo enorme, principalmente quando nos damos conta que fomos desde o primeiro satélite artificial até o homem na Lua em 12 anos. E é justamente por isso que a primeira descida na Lua começa a ser vista com incredulidade crescente. Desde livros até sites na Internet sugerem que tudo não haveria passado de uma grande armação, produzida em estúdio cinematográfico. A verdade é que, além de extremamente arriscado, um golpe deste tipo seria impossível de sustentar. O homem foi, sim, até a Lua. E de lá retornou. Mais de uma vez. Era possível, mesmo com a tecnologia primitiva dos anos 60. Seria muito mais fácil – e seguro – hoje em dia. Mas, naquele período, tínhamos coragem. Hoje temos falta de vontade e vivemos dando voltas na órbita terrestre, a bordo de uma Estação Espacial Internacional. De lá para cá só foram longe mesmo as sondas automáticas de exploração planetária.





Projetos de grande envergadura como o retorno definitivo à Lua e a primeira viagem tripulada à Marte não vão decolar enquanto não se tornarem empreendimentos de cooperação internacional, numa demonstração evidente do verdadeiro espírito científico, que deveria ter norteado a corrida ao espaço desde os seus primórdios.


Sinopse de uma aventura intérpida

APOLO 1 – Com lançamento programado para 12/2/1966, sofreu um incêndio durante um dos treinos, matando sua tripulação, formada por Virgil Grissom, Roger Chaffee e Edward White II;

APOLO 2 – Missão não tripulada de teste do foguete impulsor Saturno 1B, lançada em 5/7/1966;

APOLO 3 – Testou os protótipos dos módulos de comando e serviço em órbita terrestre, com ênfase na resistência dos materiais ao atrito atmosférico na fase de reentrada. Sem tripulação, seu lançamento deu-se em 25/8/1966;

APOLO 4 – Primeiro teste do foguete impulsor Saturno V, sem tripulação, em 9/11/1967;

APOLO 5 – Missão automática que realizou testes do módulo lunar em órbita terrestre, lançada por um foguete Saturno 1B em 22/1/1968;

APOLO 6 – Realizou nova série de testes funcionais dos módulos de comando e serviço, ainda na órbita terrestre, sem tripulação. Lançada por um foguete Saturno V em 4/4/1968;

APOLO 7 – Primeira missão tripulada após a tragédia da Apolo 1. Lançada em 11/12/1968, transportou os astronautas  Walter Schirra Jr, Donn Eisele e Walter Cunningham a bordo de um foguete Saturno 1B, que completou 163 revoluções em órbita terrestre em dez dias;

APOLO 8 – Aos 21/12/1968, conduziu Frank Borman, James Lovell Jr e William Anders no primeiro vôo de circunavegação da Lua, sem alunissagem, no natal daquele ano. Primeira missão tripulada lançada por um foguete Saturno V;

APOLO 9 – Não abandonou a órbita terrestre. Testou as manobras completas para acoplamento e desacoplamento do módulo lunar, veículo que se destinava ao pouso na Lua. Lançada em 3/3/ 1969, com os astronautas Russell Schweickart, David Scott e James McDivitt;

APOLO 10 – Lançada em 18/5/1969. Tripulação constituída por  Eugene Cernan, Thomas Stafford e John Young. Ensaiou as manobras com o módulo de pouso lunar em órbita ao redor da Lua;

APOLO 11 – Com lançamento em 16/7/1969, o módulo lunar Eagle (“Águia”) conduziu os astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin Jr. para o primeiro pouso na superfície lunar, que ocorreu num ponto da planície conhecida como Mare Tranquilitatis (Mar da Tranqüilidade), aos 20/7, às 17h17min43s (hora de Brasília). Armstrong e Aldrin permaneceram no solo lunar durante pouco mais de duas horas, período no qual foram recolhidos cerca de 20 kg de amostras de rochas e instalado um pacote de instrumentos diversos para sensoreamento científico. O terceiro membro da tripulação, Michael Collins, ficou em órbita ao redor da Lua;

APOLO 12 – Missão responsável pelo segundo pouso na Lua. Lançada em 14/11/1969, alunissou na região de Oceanus Procellarum (Oceano das Tormentas). Tripulação integrada por Alan Bean, Charles Conrad e Richard Gordon;

APOLO 13 – Missão abortada, devido à explosão de um tanque de oxigênio provocada por um curto circuito. Lançados a 11/4/ 1970, os astronautas Thomas Mattingly II, Fred Haise Jr. e mais o veterano da Apolo 8 James Lovell Jr., enfrentaram uma jornada de agonia, circunavegando a Lua e retornando à Terra usando os suprimentos de eletricidade e oxigênio do módulo lunar;

APOLO 14 – Missão bem sucedida de pouso na cratera Fra Mauro. Lançamento em  31/1/1971. Tripulação composta por Alan Shepard, Stuart Roosa e Edgar Mitchell;

APOLO 15 – Inaugurou a era dos passeios motorizados na Lua, o primeiro dos famosos jipes lunares. Lançada em 26/7/1971, com David Scott, James Irwin e Alfred Worden, pousou no Mare Imbrium (Mar das Chuvas), próximo ao sopé da cordilheira dos Apeninos;

APOLO 16 – Primeiro pouso nos altiplanos lunares, com John Young (veterano da Apollo 10), Charles Duke Jr. e Thomas Mattingly II (sobrevivente da Apolo 13), lançados em 16/4/1972.

APOLO 17 - Última missão do projeto, única a transportar um cientista, o geólogo Harrison Schmitt. Eugene Cernan (veterano da Apolo 10) e Ronald Evans foram seus companheiros. Data de lançamento: 17/12/1972; local de pouso: Vale de Taurus-Littrow.


Comentários

Carlos Henrique Rôssa | 18/07/2009 | 15:47
E há quem creia que Kubrick esteja por trás disso!
João | 19/07/2009 | 17:33
Vi um site que dava explicações bem convincentes de que está viagem a lua pode ter sido uma fraude.
Claro que este site que publicou a notícia, pode muito bem estar fazendo mídia.

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