Juiz da Vara de Execuções Criminais da capital, Dr. Sidinei Brzuska, esteve na Unisinos para falar sobre o sistema prisional brasileiro
Imagine quase cinco mil pessoas em um espaço planejado para abrigar cerca de 1500. Esse lugar existe, mas o preconceito faz com que ele seja renegado, ocultado. Esse lugar é o presídio central de Porto Alegre. Na noite desta quarta-feira (16/11), o
Juiz da Vara de Execuções Criminais da capital,
Dr. Sidinei Brzuska, esteve na Unisinos para falar da atual situação do sistema prisional brasileiro. Para que o público que lotou o Auditório Bruno Hammes compreendesse esse cenário, o juiz começou detalhando a rotina do principal presídio do Rio Grande do Sul.
Se pudesse definir a figura de
Sidinei Brzuska, o coordenador do curso de Direito,
Miguel Wedy, diria: “
um homem que carrega uma grande responsabilidade nos ombros”. Brzuska é um herói da vida real. Poucos conhecem tão bem as galerias e corredores dos complexos prisionais do estado. Na palestra “
O sistema prisional e seus reflexos na criminalidade”, ele narra o cotidiano do dia a dia do Presídio Central, a organização e as normas determinadas pelos próprios presos.
Brzuska faz parte da
Fiscalização dos Presídios da Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre e da Região Metropolitana e, por isso, e pela dedicação que dá ao tema, aponta as grandes transformações que atingiram o sistema prisional na última década. A primeira é tecnológica. “
Há dez anos, os presos trocavam muitas cartas com os parentes e conhecidos que estavam do lado de fora. Na semana passada, o carteiro não deixou nenhuma carta no Central, mas os presos continuam se comunicando. A tecnologia mudou nossa vida e o sistema prisional. No entanto, o Estado brasileiro ainda não se deu conta disso”, comentou.
A outra grande mudança foi a organização do tráfico de drogas que está transformando o cenário do crime no país. “
Essa demanda faz com que circule muito dinheiro nos presídios, porque o tráfico está mudando a forma de os presos agirem”, apontou Brzuska.
O juiz fez um relato detalhado da última década e das principais transformações que os presídios viveram. Com fotos que revelam o retrato do sistema prisional gaúcho e brasileiro, Brzuska mostra o funcionamento das cadeias, mas, principalmente, quem manda nelas. "
Até a entrada das galerias a responsabilidade é do Estado, dentro dos corredores quem manda são as facções”, revelou.
Para dar continuidade ao debate, em frente ao Auditório Bruno Hammes, na área de Ciências Jurídicas, o aluno pode acompanhar a Exposição fotográfica promovida pela AJURIS sobre a situação do sistema carcerário.
Além disso, na noite desta quinta-feira (17/11), o deputado federal
Jerônimo Goergen participa, junto com os professores
Gustavo Paim,
Darci Guimarães Ribeiro e
Guilherme Rizzo Amaral, do debate
O novo Código de Processo Civil.
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