.Graduação

19/03/2014 · 16:25
Entre papéis e crianças
Formando de Processos Gerenciais abre negócio próprio a partir de atividade de aula
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Texto: Pâmela Oliveira
Imagens: Aline Spassini

Alexandre Lauer fez o que todo professor espera de um aluno: foi além. O formando da Graduação em Processos Gerenciais pegou tudo que aprendeu em sala de aula e aplicou no projeto de vida da esposa, Michele Haas. Juntos, os dois assumiram a direção da Escola de Educação Infantil Mundo Encantado, de São Leopoldo, e realizaram aquele que é o sonho de boa parte dos gestores do país. Abriram seu próprio negócio.

O empreendimento nasceu da Atividade Vivencial Integradora II: Implementando o Plano de Negócios e Melhoria do Negócio. O propósito da disciplina era montar uma empresa completa a partir de ferramentas de administração, e assim foi feito. “Passei por toda parte burocrática de previsão de orçamento, documentação etc.”, conta Alexandre. “Mas os altos custos de manutenção logo levaram a organização à falência.”


Para contornar a situação, o aluno contou com a experiência de professores e mestrandos da universidade, além de consultores e especialistas convidados pelo curso. ”A dica recebida foi não começar do zero, mas dar continuidade a um negócio em andamento.”

Com a nova perspectiva em mente, Alexandre somou forças com a esposa, graduada em Pedagogia, e tirou a iniciativa do papel. Ao final do semestre, não só a empresa estava lucrando no mundo das ideias, como progredindo na realidade concreta e imediata do casal.

“Procuramos oportunidades na internet, em jornais e entre conhecidos”, conta. “Visitamos várias escolas, até que uma colega nos propôs sociedade”. A oferta, segundo Alexandre, foi recusada. Em vez disso, a dupla assumiu a instituição por sua conta e risco.


Gerenciando o negócio

“Alguns conteúdos de aula, como gerenciamento de custos, eu pensava que nunca usaria”, recorda Alexandre. “Agora, é natural. Deixo toda a documentação adiantada e só encaminho para o contador finalizar o processo.”
Contudo, nem só de números se alimenta o empresário. Com as finanças em dia, outras áreas precisam ser cobertas – como marketing e gestão de pessoas. Satisfeito com os resultados, Alexandre credita o mérito da divulgação aos próprios clientes. “É no boca a boca que funciona melhor”, diz ele. Nesse esquema de propaganda, os pais são importantes aliados do negócio.

Negócio esse que, apesar de recente – a escola foi inaugurada em 16 de janeiro –, tem rendido frutos. De acordo com Alexandre, o lucro, por enquanto, é pequeno, mas promete crescimento rápido em função da clientela. “Hoje, contamos com 13 crianças. Até metade de março, pretendemos aumentar para 18.”

Embora não tome parte no cuidado direto dos pequenos, Alexandre conhece bem a situação com a qual está lidando. “Não somos creche”, afirma. “As crianças, aqui, não vêm só para brincar, mas para aprender.”

A equipe

Além de companheira de vida, Michele é parceira de trabalho. Para ela, o sonho de lidar com crianças vem da infância. “Nas brincadeiras, sempre era professora”, conta. Agora que o sonho virou realidade, a responsabilidade de cuidar dos pequenos é levada a sério.

De acordo com a pedagoga, a proposta da escola consiste em desenvolver um projeto específico por mês, sempre envolvendo criatividade, construtivismo e ludicidade. Com sorriso no rosto – que não cessa nem diante de um ou outro choro eventual na sala ao lado, onde as crianças interagem – quer mais é “abraçar a profissão”.



Quem segue o mesmo caminho é Franciele Costa, a estagiária que, aos 18 anos e no primeiro emprego, já sabe bem o que quer: “Participar do desenvolvimento e da formação da pessoa”.

Aluna da Unisinos, a futura pedagoga nutre sincero interesse pela transmissão de conhecimento e sempre foi cativada pela área da educação. Para ela, tudo o que vier daqui para frente vai contar como bagagem para sua carreira profissional.

Conhecimento aplicado

A relação de Alexandre com a graduação, como se convencionou dizer, “estava escrita” – ele só não sabia de que forma. “Comecei a faculdade no curso de Administração, mas não me identifiquei com a proposta”, lembra. “Até que uma professora olhou para mim e perguntou: Por que você não faz Processos Gerenciais?”.

A mudança, ele considerou substancial. O tecnólogo em Processos Gerenciais foi o investimento certo. “É um curso muito querido. Os professores realmente gostam de dar aula e os alunos sentem prazer em ir para a universidade”.

Para a professora que ministrou a Atividade Integradora II, Jussana Santos, saber que o curso ajudou Alexandre a chegar até aqui é uma feliz recompensa. “Eu sempre digo aos alunos que, para se tornar um empreendedor e abrir um negócio, precisa gostar muito do que será investido. Eu via potencial no Alexandre, mas ao mesmo tempo, sentia um receio de arriscar e lidar com um fracasso, em caso de o negócio não der certo”, conta. “Esse sentimento é muito natural para quem pensa em abrir um empreendimento.”

De acordo com a professora, durante os encontros, a turma procurava socializar as etapas concluídas dos planos e todos os alunos contribuíam nos projetos que eram apresentados. “Acredito que esses encontros ajudaram o Alexandre a focar no negócio com a certeza de que daria certo. Ele acreditou e colocou em prática”, orgulha-se Jussana.

Sentado no seu escritório, na entrada da escola, hoje o formando ele se orgulha de dizer que o curso o ajudou a entrar no mercado com os pés no chão. “Tenho certeza que não vamos fechar, como os especialistas estimam, depois de dois anos. Certeza.” Se suas estatísticas estiverem corretas – como tudo indica que estão – o empreendimento tem mesmo um horizonte promissor.


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