Em Salamanca desde 1º/7, os estudantes da Unisinos selecionados para o Top España, programa de estudos promovido pelo Santander Universidades, têm novidades para contar. A coordenadora do curso de Letras que acompanha o grupo, Adila Beatriz Naud de Moura, é quem envia as observações:
O que ocorre no verão é algo inusitado para uma brasileira que chega pela primeira vez a Salamanca, cuja universidade é uma das mais antigas da Europa, datada de 1218. Na cidade da Comunidade Autônoma de Castilla y León, a estação lança sua luminosidade até “altas horas”, refletindo-se no tom amarelado das construções. Depois de um dia longo e quente, especialmente à tarde, às 21h57 inicia-se o ocaso. É nesse momento, ao receber a luz dourada e misteriosa dos últimos raios, que as ruas se enchem de transeuntes movimentando-se num ir e vir em direção à Plaza Mayor, antiga praça de touros. A Plaza, como denominam os salmantinos, é a ‘ágora’ hispânica: airosa, bela, acolhedora, democrática, histórica. É o lugar onde todos se encontram, ou para sentarem-se nos charmosos cafés, bares, sorveterias, ou para, sem pudor, acomodarem-se no chão, onde não há preço de balcão, nem de mesa, pois ali são postas as cervejas, os bocadilhos e os vinhos. A Plaza, depois do entardecer, guarda uma surpresa: já sob o peso azul da noite, ilumina-se, provocando um suspiro geral que ecoa por segundos e permanece longo tempo na mente dos que ali estão.
Se a praça fervilha à noite, durante o dia a Universidade de Salamanca (USAL) é palco para os mais diversos tipos de estudantes em busca dos cursos de verano. Ali, em vários e peculiares espaços, pode-se encontrar diferentes nacionalidades. São jovens egípcios, sírios, chineses, japoneses, italianos, franceses, russos, americanos, australianos e, agora, brasileiros, que convivem a partir de uma língua que se transforma no leito da comunicação e da interação entre distintas culturas: o español. Num sobe e desce pelas escadarias dos prédios centenários, cruzei, outro dia, com uma jovem. Já um pouco mais acostumbrada a conversar, perguntei-lhe sem pudor donde eres e, num diálogo sem medo, ela respondeu imediatamente que vivia no Urbequistão. Pensei no mesmo momento: realmente, vários são os caminhos que levam a Salamanca.
Nosso grupo recebeu as boas-vindas da USAL no dia 4/7 - lunes, na abertura oficial da XLVII edição dos Cursos Internacionais de Língua e Cultura Espanholas, formados por 1.600 estudantes procedentes da Europa, da África, da Ásia, da Oceania e das Américas. Somente dos Estados Unidos são 1.024. O Brasil marca sua presença com 110 alunos e o Canadá com 52. O aumento de brasileiros na USAL deve-se principalmente ao Programa Santander Universidades Top España. No dia da inauguração, o reitor, Daniel Hernandéz, destacou o prestígio internacional e a excelência da universidade, a eleição do Banco Santander como sede, a presença da Unisinos como responsável pela organização acadêmica e a relevância da iniciativa Study Abroad, que tem levado muitos estadunidenses à cidade.
Nessas duas primeiras semanas, o ritmo de vida tem sido muito bom. Professores e alunos já desenvolveram o aprendizado do cotidiano: aulas, estudo, tarefas, visitas guiadas, excursões, oportunidades que a cidade oferece – exposições, apresentações musicais, teatro, cinema e helados maravilhosos. A convivência é excelente e o respeito mútuo tornou-se a marca do grupo. São constantes ainda a interação, o apoio e a fraternidade.
Hoje, 17/7, a uma semana de retornarmos ao Brasil, alguns sentimentos nos invadem: saudade antecipada e consciência da experiência vivida. Este verano salmantino ficará para sempre em nossos corações e mentes, não como o “El último verano” de Jacques Rivette, mas como o primeiro de nossas vidas.