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Texto: Luiz Augusto L. da Silva, professor adjunto de física e astronomia da Unidade de Ciências Exatas e Tecnológicas da Unisinos
Imagens: Diomar Reus Sbardelotto, laboratorista da Unisinos
Quem anda olhando para a direção nordeste durante as primeiras horas das noites deste mês, com certeza já reparou numa “estrela” vermelha de brilho intenso (magnitude –1.3).
Trata-se do planeta Marte que, em 29/1 (sexta-feira), estará em oposição ao Sol. Portanto, mais perto da Terra. Como as órbitas de ambos os planetas não são circulares e sim levemente elípticas, a menor separação entre eles verifica-se dois dias antes, remontando a 99,3 milhões de km. Isto confere ao planeta vermelho um diâmetro aparente de 14,1 segundos de arco (uma circunferência mede 360º, e cada grau contém 3600 segundos de arco).
Quem tiver dificuldade em encontrar o planeta poderá se valer da ajuda da Lua, praticamente cheia, que estará brilhando por perto naquela noite (Marte estará mais abaixo). O cenário de fundo é a constelação de Leão (Leo). Na capital gaúcha, o planeta nasce às 20h34min (horário brasileiro de verão).
É sempre na época da oposição, uma vez a cada dois anos, que temos o período mais favorável para a observação de um planeta como Marte. De todos os membros do sistema solar, é justamente o planeta vermelho que revela mais diferenças de aspecto (como brilho e tamanho aparente) nestas circunstâncias, embora elas não sejam sempre iguais. A razão para isso é a já apontada elipticidade das órbitas. Por exemplo, em agosto de 2003, Marte chegou à menor distância da Terra nos últimos 60 mil anos (56 milhões de km, quase a metade da atual), tendo atingido magnitude –2.9 e um diâmetro de 25,1 segundos de arco, quase o dobro do tamanho atual. As oposições marcianas mais favoráveis acontecem a cada 15 anos, sendo conhecidas como oposições periélicas.
Ao longo do mês de fevereiro, Marte poderá ser visto durante toda a noite, pois nasce praticamente ao pôr do Sol, e desaparece ao raiar do dia.