Dando continuidade à programação dos 35 anos do curso de Comunicação Social da Unisinos, na quinta-feira (24/4) a universidade recebeu um importante convidado para falar sobre "Mídia, Poder e Cidadania". Frei Betto, jornalista e militante de movimentos sociais, lotou o auditório Padre Bruno Hammes e falou sobre assuntos variados.
"É sempre emocionante retornar a São Leopoldo, porque em 1969 vim para cá estudar teologia no Seminário Cristo Rei, que deu origem à Unisinos, e foi aqui que agilizei a fuga de procurados políticos, principalmente os envolvidos no seqüestro do embaixador norte-americano, motivo pelo qual acabei preso", afirmou ao começar sua palestra.
Lendo o texto Reality, parte de seu mais recente livro A arte de semear estrelas, Frei Betto criticou o programa Big Brother Brasil. "Não se tira o menor proveito cultural de um programa como aquele, e mesmo assim, em uma noite, 72 milhões de pessoas, quase a metade da população do país, ligaram para o programa."
Para ele, a TV descobriu uma maneira de hipnotizar as pessoas, oferecendo entretenimento, mas não cultura. "Todos nós temos carências que o entretenimento compensa, e é isso que a televisão nos proporciona. É um veículo fantástico, mas seria melhor ainda se servisse para a formação da cidadania e da democracia", explica.
Segundo oconvidado, a TV sabe que o mundo é ignorante,não tem cultura, é semi-analfabeto e que vivemos uma esquizofrenia mundial. "Essa mídia serve para um público que não tem escolaridade, maspotencial de consumo."
Sobre o consumo, o jornalista disse que o mercado é a haste da nossa época, a pós-modernidade. "Na Idade Média, uma cidade ganhava importância quando construía uma catedral. Hoje,quando constrói um shopping. Nossos bisavós viveram uma época de mudanças, mas nós vivemos uma mudança de época: passamos da modernidade para a pós-modernidade."
Segundo ele,quempode comprar se sente no céu, já os que vivem no cheque-especial e devendo para o cartão de crédito estão no purgatório,pensando"vai doer, mas eu vou comprar". "Já osque não compram estão no inferno", finaliza.
Após a palestra, os alunos puderam fazer perguntas por escrito para o convidado. A atividade contou com o apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, que no período da tarde promoveu um bate-papo entre Frei Betto ejornalistas em um restaurante de São Leopoldo.