.Inovação e Tecnologia

16/05/2013 · 16:39
Parceria para crescer
Empreendedores encontram nas incubadoras o auxílio para a organização de um plano de negócios adequado
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Texto: Pablo Furlanetto
Imagens: Rodrigo W. Blum / Divulgação Unisinos

Como tirar uma boa ideia do papel, inovadora, e ganhar dinheiro com ela? Atualmente, está difícil entrar no mercado, devido ao grande número de mentes pensantes que buscam um lugar ao sol. Porém, com o auxílio de incubadoras, por exemplo, a chance do êxito pode ser bem maior, afinal, tudo é planejamento. Como explica o gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Unidade Acadêmica de Pesquisa e Pós-Graduação da Unisinos, Daniel Pedro Puffal. Em entrevista, o professor, que tem larga experiência na área industrial, explica as melhores formas para um aventureiro se dar bem na jornada empreendedora.  

J.U. - Para quem tem a veia empreendedora, por que é importante contar com o auxílio de uma incubadora para iniciar o negócio?
Daniel - O empreendedor tem algumas características importantes. Ele está mais propenso em aceitar riscos. Não é que ele corra mais riscos, mas ele aceita mais. O empreendedor é o que é porque tem características exacerbadas. Por outro lado, lhe faltam outras. Eu vejo o empreendedor como quem tem ideias, é criativo, bolou algo fantástico, mas, na hora de colocar em prática, falta um pouco de administração, rotina e controle. E é neste ponto que a incubadora, parque tecnológico ou aceleradora de projetos pode auxiliá-lo, para ele fazer um plano de negócios adequado, pensar numa forma mais global e organizar a parte administrativa, sua estrutura, ter acesso a linhas de financiamento e de pesquisa.


J.U. - Se o negócio que o empreendedor deseja abrir for num ramo muito inovador, como saber que o seu produto tem valor e conseguir ganhar a confiança e, consequentemente, o investimento de alguém?
Daniel - Uma ideia boa sempre tem investimento disponível. Agora, como saber que ela tem valor? É o mercado quem vai dizer. Eu tenho uma ideia fantástica, um produto de qualidade que é testado em laboratório, é fantástico, mas o mercado não aceita. O ponto fundamental é o mercado aceitar. E como eu saberei? Testando o produto. A gente vê as grandes empresas fazendo isso. Um exemplo clássico que utilizamos na Administração é o da Coca-Cola Zero, que foi testada primeiro no Rio Grande do Sul, para depois ser lançada no resto do país. Por que? Para testar um produto inovador.  

J.U. - Para quem faz investimentos, quais os melhores setores para investir?
Daniel - Hoje, algumas áreas aceitam e precisam de muito investimento. Meio ambiente, de forma geral, desde os anos 80 é uma área importante, e continua sendo. As soluções criativas para resolver os seus problemas contam com muito dinheiro disponível. Para se ter uma ideia, dias atrás assisti uma palestra onde um fundo de investimentos está oferecendo R$ 200 milhões para 20 empresas que tenham ideias inovadoras para a área. As energias limpas também têm um espaço grande e importante, com muita coisa para pesquisar. Outra linha que eu acho que pode ser bastante suscetível a investimentos é tudo que está ligado com a criatividade, conhecida como indústria ou economia criativa. Essa criatividade pode ser na moda, na estratégia, móveis, arquitetura.



J.U. - Para quem está começando no ramo empreendedor, qual conselho você daria, principalmente se o produto for inovador?
Daniel - A qualidade excepcional é algo que é fundamental. Não é um diferencial, é uma característica que todo produto precisa ter. E, às vezes, como é inovador, corre-se o risco de se pensar muito na ideia e o refinamento do produto carece ainda de trabalho. O segundo ponto é a comunicação. Se eu não comunicar o que o produto tem, se é novo, tenho que dizer o que ele faz, como é o uso, é preciso explicar. Outro aspecto é a percepção de valor pelo potencial cliente. Por que eu vou gastar mais, se a função deste produto é muito similar a do outro?

J.U. - E estamos numa época boa para empreender? Mesmo com todas as burocracias, o Brasil é um bom país para tentar?
Daniel - É preciso ter a veia empreendedora, estar disponível ou disposto a correr riscos. O Brasil, especialmente, sempre teve uma burocracia que atrapalha o empreendedor. Vários esforços têm sido feitos pelo governo e instituições para diminuí-la, mas ela continua presente. Apesar disso tudo, o país é um mercado consumidor muito grande. Então, é o lugar, sim, para empreender. Tem espaço, o povo brasileiro é criativo e dá para se usar melhor esta qualidade. Entretanto, o empreendedor não pode estar sozinho. Apoiado por uma incubadora, universidade ou poder público faz funcionar a tríplice hélice. Mas tudo deve ser feito com cuidado. O tempo de investir pouco dinheiro e ganhar muito já passou. Precisa ter trabalho, usar a inteligência, a pesquisa e o que mais estiver disponível. Empreender desta forma, analisando o mercado, dá para dar certo no Brasil. Temos visto o sucesso de muitas empresas. Empreender nem sempre é abrir o seu negócio e trabalhar sozinho. Pode-se empreender dentro de uma grande organização, onde eu posso ter o comportamento empreendedor e alavancá-la. É um espaço que ainda dá para se trabalhar bastante.


J.U. - E o espaço dentro das companhias ainda precisa ser conquistado? Muitas vezes, vemos administradores com uma visão ortodoxa do mercado.
Daniel - Tudo é uma decisão da empresa. Eu crio um espaço de criação, que permite aos colaboradores empreender. Não é individualmente, mas para a empresa. E algumas fazem.


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