.Inovação e Tecnologia

23/10/2013 · 17:32
World Wide Web
Gaúcho pesquisador de instituto internacional fala sobre o passado e o futuro da internet
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Texto: Marina M. Corte
Imagens: Rodrigo W. Blum

A Unisinos recebeu, na noite da última terça-feira (23/10), o pesquisador Marko Petek, do Centro Europeu para Pesquisas Físicas (CERN) de Genebra, na Suiça. Petek palestrou para alunos de graduação, como parte da IV Semana Acadêmica das Engenharias. A palestra abordou as experiências de Marko como pesquisador do instituto, há cerca de cinco anos. Foi nele que surgiram diversas tecnologias de ponta que hoje são amplamente utilizadas, como o World Wide Web e os monitores sensíveis ao toque.


O evento, organizado pelos Diretórios Acadêmicos dos cursos de Engenharia, continua até sexta-feira, (25/10).  A próxima palestra ocorre já nesta quinta-feira (24/10). Tiago Hack e Marcelo Fillmann falam sobre Laser Tracker em sistema de medição 3D para peças de grande volume e apresentam um Braço de Medição com laser, aplicado em trabalhos de engenharia reversa. O evento ocorre na sala 6A126, das 20h às 21h30. Além das palestras, a Semana Acadêmica conta com minicursos ministrados por alunos, profissionais da área e professores.


O JuOnline conversou com Marko Petek antes da palestra. Ele salientou, na data, a importância da colaboração em um instituto como o CERN, onde pesquisadores de diversas instituições trabalham em um projeto em comum. “Tem pessoas da Ásia, da Europa, da América. São culturas diferentes”, destacou. Ele também lembrou do tempo do vestibular. “Me inscrevi só na Unisinos e na UFRGS”, contou. “Tenho muito carinho pela Unisinos. Vários professores daqui são meus amigos.” Confira a entrevista.

JU: Anos depois da criação da internet, como você avalia seu cenário atual? Os objetivos originais ainda estão presentes? O que mudou?

Marko Petek: Este é um assunto que me interessa bastante. A internet foi criada “desregulada”. A ideia original da internet é que ela não teria uma regulação central, estaria disponível para ser usada como cada um bem entendesse. Infelizmente, o mundo não é perfeito, e aí, ao mesmo tempo em que várias coisas bacanas vieram com isso, vieram problemas também; pessoas más fazendo mau uso da internet. Isso, hoje, está gerando uma tentativa de controle da internet, só que ela não foi projetada para ser controlada. Quem não nasceu na época da internet tem dificuldade em entender isso. Eles acham que é tão fácil regular a internet quanto qualquer coisa na sociedade, quando não é assim. Por natureza, a internet é anárquica. E eu não estou defendendo o anarquismo. Então, acho que hoje a internet está em um dilema e já se fala muito em criar uma nova internet, começar do zero, para aquelas pessoas, com esta visão desregulada. Ou seja, teria uma internet como é hoje, regulada, e uma segunda, com um pouco mais dos princípios originais. Então eu acho que a gente está realmente em uma encruzilhada.



JU: Como você acredita que sua vivência prática no CERN pode contribuir academicamente, já que você vai palestrar para alunos da graduação?

Marko Petek: Eu acho que pode contribuir muito, porque o CERN é um dos 10 melhores laboratórios de pesquisa do mundo. Lá, a gente tem conhecimento que sequer saiu ainda em artigo ou livros, que a gente está experimentando, mexendo. Na minha área, que é transmissão de dados, eu posso ajudar, posso falar com alguma propriedade sobre esse assunto, se alguém se interessar.

JU: Em sua opinião, o que ainda não foi inventado, dentro da conectividade, que facilitaria a vida online? É possível avançar? Há um limite?

Marko Petek: Um limite em tudo há. Hoje, fugindo um pouco da informática, vários pesquisadores e autores falam que em muitas coisas a humanidade está alcançando o limite do possível. Um cara que corre 100 metros rasos não consegue melhorar cinco segundos do seu tempo, por exemplo. A própria questão ecológica! Existe um limite nos recursos que a natureza pode prover e a gente pode usar. O bacana da internet é que eu ainda não vejo uma coisa que há vários anos espero ver, que é um “cérebro único”. Quer dizer, pessoas completamente longe, pensando juntas e criando coisas novas. Existem infinitas coisas ainda a serem criadas e a gente a cada dia se surpreende mais. É como o Bill Gates disse uma vez: “Eu não tenho medo dos meus concorrentes grandes, eu tenho medo do guri de 13 anos, que está na garagem do pai com um computador, pensando o que ninguém pensou”.


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