06/08/2010 · 11:03
A luta de um povo
Defensor dos indígenas participa do Amazônia em Debate, promovido pelo IHU
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Texto: Paloma Rühee
Imagens: Reprodução
Eles habitavam a América muito antes de qualquer europeu pisar por essas terras. Ajudaram a compor nossa cultura, mas ainda, mesmo que camufladamente, sofrem com o racismo. Os Povos Indígenas na Amazônia: lutas e restrições de direitos foi o tema da palestra ministrada, nesta quinta-feira (5/8), no Teatro Municipal de São Leopoldo, por Dom Erwin Kräutler, bispo que atua na Prezalia do Xingu, Pará e é considerado um dos maiores defensores dos índios.
O austríaco, que desde menino ouvia o tio Dom Eurico Kräutler falar sobre a luta desses povos, decidiu, após ser ordenado padre em1965, vir ao Brasil trabalhar como missionário em terras indígenas. “Quando eu cheguei aqui, os paraenses me sugeriram a não perder meu tempo com os índios, porque o Brasil não era indígena e, segundo eles, eram esses caboclos que roubavam os cristãos. O comentário me chocou muito e isso só me fez querer ajudá-los ainda mais”, relata Dom Erwin. Desde então, o bispo tem trabalhado obstinadamente para garantir os direitos dos índios.
Apesar de a Constituição Brasileira ser, hoje, uma das mais avançadas quanto à proteção e direitos dos povos indígenas, a história mostra que nem sempre foi dessa maneira. Os estatutos anteriores tratavam os índios como silvícolas, pessoas selvagens, que não eram consideradas brasileiras. Segundo Dom Erwin isso fez com que muitos indígenas e seus descendentes negassem sua raça, com medo de represálias. “Hoje a situação mudou muito, as pessoas recuperaram o orgulho de suas origens”, afirma.
Mas apesar de a população indígena ter ganhado novos reforços, a luta pelo cumprimento dos seus direitos ainda é uma batalha diária. “No momento em que o governo demarca uma área de terra que pertence aos índios, muitos levantam bandeiras contra, dizendo que eles não precisam de tanto espaço, já que não plantam em grande escala. Só que para o índio a terra não tem valor monetário, e sim um valor cultural. Ele precisa do espaço dele para realizar seus ritos”, destaca Dom Erwin. A discriminação ocorre não só na questão territorial, mas também no aspecto cultural. A língua falada por eles é, muitas vezes, vista como uma gíria e não como um idioma com gramática própria.
O evento fez parte do Amazônia em Debate promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos (IHU). O defensor dos povos nativos da América, ainda, falou, na tarde de quinta-feira (5/8), na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros no IHU, sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte e os impactos socioambientais na região. “A usina não irá só afetar ambientalmente a região, mas irá causar transtornos gravíssimos ao povo que mora às margens do Xingu. Essa hidrelétrica é a maior mentira da história”, ressalta. A série de palestras continua nesta sexta-feira (6/8), a partir das 14h30, no IHU, com o tema Presença Eclesial na Amazônia: desafios e perspectivas.
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