Que as mulheres modernas se sentem atraídas por homens bonitos quase todo mundo concorda. Mas será que no reino animal existe esse senso estético? Segundo Darwin, pelo menos no das aves, sim. Mas tal ideia do pai do evolucionismo não é consenso entre os biólogos.
As divergências em relação a esse ponto da teoria da seleção sexual do naturalista inglês, autor da obra A Origem do Homem, foi o tema da palestra intitulada Um espinho na cauda do pavão: reflexões sobre a teoria da seleção sexual de Darwin, de Aldo Mellender de Araújo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no simpósio Internacional Ecos de Darwin na tarde de sexta (11/9). O evento segue até sábado (12/9), no anfiteatro Padre Werner.
"Quem contestou Darwin desde o início foi Alfred Russel Wallace, especialmente nesse quesito sobre a escolha dos parceiros pelas fêmeas em razão das cores e do formato das plumagens ornamentais", salientou Aldo. Segundo Wallace, complementa Aldo, o fato de os machos se exibirem com suas plumas é incontestável, mas o que ele questiona é a possibilidade de a fêmea ter uma percepção estética disso.
Já um outro teórico, no início do século 20, complementa o professor, vai reconhecer o poder excitatório de algumas cores sobre as fêmeas, porém vai colocar em xeque a possibilidade de essas aves fazerem uma escolha consciente do parceiro sexual a partir disso.