O conceito da evolução das espécies, desenvolvido no livro A Origem das Espécies pelo naturalista inglês Charles Darwin há 150 anos, serviu de base também para a biogeografia, ciência que estuda a distribuição geográfica dos seres vivos no espaço através do tempo. “Darwin sabia que isso era um assunto importante, por isso abordou a biogeografia em dois capítulos”, destaca Gervásio Silva Carvalho, professor da Pucrs que palestrou na sexta-feira (11/9), no auditório padre Werner.
Buscando discutir o pensamento biogeográfico nos tempos darwinianos, a atividade estava incluída no IX Simpósio Internacional IHU: Ecos de Darwin, que aconteceu de 19 a 12/9. Para o professor convidado, a terra evolui tanto quanto um ser humano. “Precisamos primeiro compreender a evolução da terra para depois compreender a vida que está sobre ela”.
Em tempos darwinianos, isto é, no século 19, explica Gervásio, se acreditava que os animais e plantas surgiram em uma pequena área ou centro de criação e moviam-se, dispersando-se por outras áreas próprias a sua sobrevivência. Esta crença ficou conhecida como Teoria do centro de Origem ou Dispersão. “Não havia discussão crítica para essa ideia, o que resultou em um atraso de 100 anos no pensamento biogeográfico”, afirma.
Em entrevista a Revista IHU Online, Gervásio disse que Darwin cometeu um erro ao considerar, sem muita discussão, a questão da fixidez dos continentes. “Uma coisa é pensar a distribuição dos organismos em uma Terra fixa, outra é pensar em uma Terra em movimento. Além do mais, Darwin, com sua autoridade, não pensou nem discutiu as ideias de seus contemporâneos, que já defendiam a hipótese que os continentes da América do Sul e África eram unidos”, destaca.
Graduado em História Natural, Gervásio é especialista em Ciências Biológicas, Zoologia, e mestre em Biociências pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs)