Centenas de imigrantes morrem todo ano na tentativa de ultrapassar a fronteira do México com os Estados Unidos. Eles passam dias no deserto à espera do “momento certo” para passar para o outro lado, para chegar ao destino desejado. Muitos não conseguem e acabam morrendo por diversos motivos, entre eles, o calor intenso e a falta de água, o que o organismo não suporta. A questão é: será que Deus está presente para aqueles que sofrem ou para os que morrem prematuramente?
Foi essa a relação que o palestrante Alexander Nava, professor da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, utilizou para relacionar Deus ao silêncio na palestra O silêncio de Deus e o Deus do silêncio, no X Simpósio Internacional IHU: Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica, na manhã de quarta (16/9).
A explicação do professor é que, nos textos bíblicos, o todo poderoso é representado pelo deserto, que é o símbolo do vazio. Existem diferentes focos para essa interpretação. A era moderna se voltou para o deserto com o objetivo de entender o presente. “É a linguagem preferida para justificar a ausência da verdade, principalmente a ausência de Deus na história”, relata. A raiva e frustração dos profetas são dirigidas ao sofrimento.
Enquanto os profetas dizem que é um lugar sinistro, onde o calor e a sede prevalecem, tornando-se um lugar insuportável para a sobrevivência, os místicos tratam o deserto como um lugar divino. “O vazio do deserto choca o ser humano e, ao mesmo tempo, a paisagem que oferece é um tipo de alegoria para as pessoas que desejam sobreviver”, finaliza.
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