O Seminário Floresta de Araucária, que levou cerca de 400 pessoas ao Anfiteatro Padre Werner, na Unisinos, para três dias seguidos de palestras e debates, chegou a uma constatação lastimável: as áreas remanescentes da floresta correspondem a menos de 2% da inicial.
"É pior do que se imaginava", salienta a professora Ana Maria Zanchet, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Biologia da Unisinos e uma das coordenadoras do evento.
Pesquisadores também concluíram que as araucárias abrigam um grande número de espécies animais e vegetais, sendo parte delas endêmica, ou seja, encontrada apenas nesses locais. O desmatamento das florestas, portanto, poderia levar espécies, com o papagaio-charão, à extinção.
Entre o mar de observações pessimistas, entretanto, surgiu uma boa notícia: estudos apontam que a floresta tem condições de expandir-se naturalmente. Mas isso só acontecerá caso aumente a fiscalização contra os desmatamentos. Um outro problema que ameaça a floresta é a criação de gado.
Os resultados que emergiram das 30 palestras e das discussões que se seguiram às mesmas serão transformados em livro, que será encaminhado a órgãos públicos, para subsidiar políticas ambientais. Os pesquisadores também querem sensibilizar órgãos de fomento, para apoiar pesquisas na área. \"Muitas das espécies que habitam essas florestas ainda são desconhecidas. Há lacunas de conhecimento\", destaca Ana Maria.
Típicas da região sul do país, as araucárias tornaram-se o retrato fiel da paisagem de cidades como Gramado, Canela, Cambará do Sul e São Francisco de Paula. Impossível pensar em tais locais sem imaginar essas árvores altas e de copas bastante peculiares.