.Mestrado e Doutorado

11/06/2013 · 16:24
Economia e resultados
Empresas que investem em funcionários com mestrado profissional acumulam ganhos e força no mercado
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Texto: Pablo Furlanetto
Imagens: Rodrigo W. Blum / Divulgação

Muitas empresas investem pesado em consultorias, em busca da resolução de problemas que fazem com que elas se atrasem perante as concorrentes no mercado. O pior é que, às vezes, o resultado não é o esperado. No fim, gastam-se dinheiro e tempo por nada. E pensar que a solução está dentro da própria organização: o colaborador.

O simples fato de pagar uma pós-graduação para o funcionário faz com que a companhia invista em algo certeiro, com retorno garantido. “Contratar alguém externo pode sair até 10 vezes mais caro”, salienta o coordenador do mestrado profissional em Gestão e Negócios da Unisinos, Jorge Verschoore Filho. Segundo ele, nas aulas o pós-graduando se submete ao desenvolvimento pessoal, que é alavancado pelas teorias. “É repassado ao aluno a metodologia científica, que ajuda a organizar o pensamento no sentido de ele trabalhar com tudo o que aprendeu. Consegue apresentar, propor e desenvolver soluções para problemas ou oportunidades, consegue a inovação ou adequação. O colaborador acaba se pagando.”

Cada curso de pós-graduação tem sua especificidade e aplicação. A peculiaridade de um mestrado profissional é o foco na prática. No caso da pós em Gestão e Negócios o dia a dia das empresas. “A grande ênfase é a aplicabilidade do conhecimento. É um ensino de alto nível, onde os alunos passam por uma base teórica robusta, porém as contribuições gerenciais são mais relevantes que as acadêmicas”, destaca Jorge. No fim do processo todos ganham, empregador e colaborador. “O retorno se dá pela valorização do funcionário, onde este está qualificado e faz parte do grupo de pessoas qualificadas. Em segundo lugar, ao qualificar o colaborador, a organização tem a possibilidade de ganhar melhor entrega e contar com informações que não conseguiria em outra situação. Mestrado é networking.”

Para mostrar o quanto um colaborador com pós pode facilitar a vida de uma empresa e proporcionar um crescimento organizado, nos próximos parágrafos você vai saber um pouco mais sobre a carreira de três pós-graduados. O que mudou na vida do Max, do Denis e do Théo depois do mestrado profissional? Confira abaixo.

A IMPORTÂNCIA DAS REDES SOCIAIS

Quando o gerente de Marketing Corporativo do Grupo Zaffari, Denis Alessandro Azevedo da Silva, iniciou na empresa, a área pela qual era o responsável estava engatinhando. Em 2009, o núcleo do Marketing de Web contava com duas pessoas. Hoje, são 22 responsáveis pelas redes sociais e site. Mas para chegar até esse número e conseguir os resultados Denis precisou trabalhar e estudar muito. Foi justamente por isso que o tema da sua dissertação abordou a Influência das Redes Sociais na Percepção e Comportamento dos Consumidores em Relação à Marca Zaffari.


O resultado de toda dedicação está na fan page do grupo no Facebook, que conta com cerca de 396 mil curtidas. “Apostamos muito nessa área. Hoje, nossa conta é uma das mais seguidas do setor no Brasil, sendo que atuamos apenas em dois estados, Rio Grande do Sul e São Paulo. O Pão de Açúcar (grupo), presente em todo o país, menos aqui e em Santa Catarina, fica em segundo lugar. Quando eu assumi, tínhamos apenas 1200 curtidas.”

A dissertação de Denis foi um projeto de inovação. Seu orientador, Guilherme Trez, o ajudou a fazer uma comparação de compra entre o offline e o online, e o relacionamento da marca dentro e fora das redes. “Aí apareceu uma oportunidade de investirmos forte. Nós já vínhamos fazendo isso e o trabalho veio corroborar para continuarmos no caminho”, diz.  

Para Denis Alessandro Azevedo da Silva, o mestrado profissional ajudou muito na questão da liderança. “Sempre faltaram nos cursos de graduação e pós essa disciplina. Ela foi o ponto forte (da pós) e me ajudou no processo de liderar uma equipe, que, de sete, passou para 28 no nosso departamento.” O gerente de Marketing Corporativo destaca também o ensino em inovação e a viagem para a França (o mestrado profissional em Gestão e Negócios possui dupla titulação e mantém parceria com a Universidade de Poitiers) como pontos a favor no aprendizado. “A Unisinos está ligada, não deixa nada a desejar para qualquer instituição do mundo”, finaliza.

SOBRE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

O setor de transporte rodoviário de cargas passa por um período complicado. Os motivos são vários: excesso de oferta, concorrência acirrada, altas barreiras de saída e falta delas para quem entra no ramo. Foi o que motivou o diretor da Recris Transportes e Logística, Max Roberto da Silva, a fazer uma dissertação com foco no planejamento estratégico, propondo um quadro referencial. “O setor é muito competitivo e a concorrência é praticamente baseada por preço. Pensei no que eu conseguiria fazer para ajudar as empresas da área. O setor precisa mudar e eu vi no mestrado uma porção de ferramentas e teorias que não conhecia, e comprovei na minha pesquisa que as companhias também não conheciam”, explica.


Além de ajudar no aprendizado, a pós-graduação proporcionou para Max crescimento profissional. “Comecei na Recris como gerente geral e passei para diretor ao longo do curso.” Segundo ele, após o mestrado seu senso crítico aumentou. “Hoje sou mais seguro para tomar decisões, sinto que me tornei um profissional mais respeitado. Eu cresci muito, tenho mais base para discutir. Sou o diretor da associação do Porto Seco e fui convidado para ser o consultor do planejamento estratégico deles. E isso tem muita ligação com o mestrado.”

Quem só ganhou com os estudos de Max foi a Recris Transportes e Logística. Agora, a empresa está ajustando o seu planejamento estratégico, utilizando mecanismos de gestão de forma mais apropriada. “Antes, fazíamos o planejamento com poucas ferramentas e não utilizávamos as mais adequadas. O resultado tem sido muito positivo.” O contato com outros colegas em sala de aula também ajudou. “Na minha banca participou o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul - SETCERGS, Sérgio Neto, que achou que o trabalho tem fundamento, bem como os consultores que entrevistei, os melhores do setor no país. Ainda não obtive resultados, pois não fechei o ciclo. Mas já noto que as pessoas que trabalham na gestão da empresa já começaram a mudar a forma de pensar”, complementa.

A GESTÃO DAS REDES DE COOPERAÇÃO


A carreira de Théo Storck dentro da Carrier Transicold é construída há oito anos. Foram experiências dentro de vários setores da companhia até se tornar engenheiro de Vendas. “Eu coordeno toda a região Sul e Centro-Oeste, que compreende a comercialização dos produtos, um canal de distribuição e representantes.”

As responsabilidades profissionais, adquiridas por Théo ao longo dos anos, só foram conquistadas pelo seu currículo e conhecimento. E o mestrado profissional o auxiliou nesse sentido. “O curso me ajudou na organização dos representantes, na gestão deles e do todo da empresa. Também me auxiliou no improvement (melhoria) do funcionário, sua profissionalização e nas práticas de gestão mais atuais.”



De acordo com Théo, o mestrado profissional em Gestão e Negócios foi a única solução que ele encontrou no mercado que alinhava a academia e o business. “Muitas vezes o campo acadêmico e a realidade de mercado são bem diferentes. Através da banca de professores (da pós), que são muito experientes, eu consegui melhorar como profissional, propiciando ganho e aprendizado para a organização, já que exerço uma função chave, de multiplicador de vendas, de conhecimento e de gestão. Meus colegas, que acompanharam desde o início o profissional que entrou e agora está saindo do mestrado, falaram que sou completamente outro, que estou mais encorpado e completo.”

Na dissertação, Théo trabalhou com a Gestão de Redes de Cooperação Verticais: a proposição de um framework (quadro) de instrumentos gerenciais. Segundo o pós-graduado, o campo de redes foi descoberto durante o curso. “Ele era bastante atuante dentro da empresa e o utilizo muito, porque a organização possui redes de cooperação dentro da sua gestão. Mas as redes não apresentavam instrumentos e gestão apropriada. Dentro do aprendizado que eu colhi, tive a ideia de criar uma segunda rede de cooperação, com foco em atuação comercial. A minha dissertação, além de propiciar uma novidade no campo acadêmico, também trouxe um plano de execução para dentro da Carrier.”

Se pudéssemos unir em apenas um o perfil do Denis, do Max e do Théo, teríamos uma pessoa com arcabouço teórico elevado, maior controle das diferentes situações e, num contexto geral, mais profissional. Quem proporcionou a evolução, além do tempo e experiência, foi o conhecimento, no caso, o mestrado profissional.

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