Na tarde de terça-feira (10/8),
Francisco Sierra Caballero, professor da
Universidade de Sevilha (US), na Espanha, participou de um debate promovido pelo
Grupo de Pesquisa Comunicação, Economia Política e Sociedade (Cepos), do Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Denominada
“Novas fronteiras do pensamento crítico: uma perspectiva europeia”, a apresentação integra um conjunto de atividades na universidade que contarão com a presença do espanhol.
O professor e pesquisador faz parte da rede
Economia Política das Tecnologias da Informação e da Comunicação(Eptic), junto com
Valério Brittos, coordenador do Grupo Cepos. O convite para participar de atividades na Unisinos já havia sido feito outras vezes e só agora pode ser concretizado.
“Não tive como aceitar antes devido a outros compromissos. Após o Confibercom (Congresso Mundial de Comunicação Ibero-americana) deste ano decidimos realizar nossos projetos: um intercâmbio entre o Cepos e o grupo que eu dirijo, o Compoliticas (Grupo Interdisciplinario de Estudios en Comunicación, Política y Cambio Social), para colaborar com trabalhos de pesquisa e efetuar a mobilidade acadêmica de docentes e pós-graduados”, afirmou Francisco.
Doutor em Ciências da Informação e membro permanente da
International Association for Media and Communication Research (Iamcr), Francisco tem diversos artigos em revistas científicas e cerca de 20 livros publicados. Suas pesquisas sobre tendências na área da comunicação são importantes e reconhecidas. Na palestra de terça-feira (10/8) a importância de socializar o conhecimento teve destaque dentre os assuntos tratados. Confira a entrevista com o pesquisador sobre o tema.
O que é preciso para socializar o conhecimento no Brasil?Apesar de ser um país emergente, com um importante crescimento, é preciso lembrar que o Brasil é o país mais desigual de toda a América. O conhecimento tem muitas possibilidades, começando por temas de pesquisa, orientando o pessoal da comunicação a questões como a comunicação comunitária, a participação da cidadania, a cultura digital, os espaços de comunicação e educação que precisam se desenvolver e que, o Brasil ainda não os tem desenvolvidos. Há também a questão das políticas públicas. Eu acho que socializar é deliberar democraticamente um espaço na esfera pública, papel dos midias e das novas tecnologias e o desenvolvimento da democracia no Brasil, que é uma tarefa pendente. Ainda, o número de habitantes que chegam ao ensino superior é insuficiente. Acredito que as universidades, os pesquisadores e os acadêmicos têm uma responsabilidade social de trasladar a cidadania, a formação em trabalho de campo, os conhecimentos com uma visão mais aplicada. Existem experiências no Brasil e na América Latina, como as universidades indígenas, universidades da terra, que vinculam conhecimento ao saber prático e são metodologias de pesquisa transformadoras, socioanalíticas que deveriam ser exploradas aqui.
O que a comunicação pode fazer para difundir conhecimento?A celebração, em Brasília, do Fórum da Democratização da Comunicação, é uma tarefa importante. É preciso conscientizar a cidadania que a comunicação é um direito e que é um dever do Estado garanti-lo. Os universitários e acadêmicos podem cumprir essa tarefa. Também é muito importante capacitar os cidadãos. Diferente do México ou da Argentina, a comunicação educativa no Brasil é insuficiente. Deveriam ser feitos mais esforços e mais trabalho de campo. Em terceiro lugar, as condições de trabalho dos jornalistas e dos profissionais da informação necessitam de maior apoio dos comunicólogos, pesquisadores em comunicação, para defender essas condições. Se não há autonomia profissional, é difícil que se possa fazer uma conscientização da população sobre os direitos da comunicação.
Vivemos em uma sociedade tecnológica e de inclusão digital. As redes sociais podem ser importantes na difusão de conhecimento uma vez que a produção de conteúdo é enorme e as possibilidades são inúmeras?Podem sim, mas a maioria do uso das redes sociais não tem esse propósito e sim, o de relações interpessoais. Neste âmbito não há práticas, mas experiências como a da Espanha, que fez uma articulação nas redes sociais alternativas para a reivindicação e a luta social por direitos de trabalho, sociais e econômicos da população. Porém, para a sociedade do conhecimento elas ainda são insuficientemente exploradas e pouco trabalhadas.