O Brasil sempre foi parte de seu imaginário. Como ela mesma diz: Chico, Vinicius, Amado, Cazuza, entre outros, contribuíram para formar seu olhar sobre o mundo e modelavam um desejo de conhecer os milhares de rostos desse país imenso, não apenas no sentido geográfico. Ultrapassando os limites da ficção, hoje a italiana Alessia Magliacane está no país para realizar estágio doutoral, com auxílio da Fapergs, sobre Constitutions et transitions démocratiques (France, Italie, Espagne et Brésil). Na Unisinos é orientanda da professora Sandra Regina Martini Vial, do Programa de Pós Graduação em Direito.
Cidadã do mundo, como se considera, Alessia hoje reside em Paris e estuda na Université de Paris 1 – Panthéon Sorbone, onde desenvolve pesquisas sobre o conjunto de leis que regem quatro nações. “A Constituição é uma ponte entre culturas diferentes, um antes e um depois. Também sob o perfil geográfico, é uma fronteira que se move no espaço, entre países e continentes. Cada uma delas alcança níveis de universais onde o sujeito não é mais um país, uma nação, mas aquela comunidade de irmãos que, desde as lutas de Berkeley e do maio francês, chamamos de humanidade”, resume.
A opção pela Unisinos foi fruto de um cruzamento de olhares diferentes, franco-brasileiros, unidos pelo desejo de fazer pesquisa, no sentido mais amplo da palavra. “Minha escolha pode se colocar em um percurso que começou há dois anos, no contexto do seminário permanente que organizamos na Sorbonne sobre Ciência, Ética e Direito. Lá é um lugar precioso para se encontrar pesquisadores e ativistas, de todo o mundo, que compartilham exigências cientificas e humanas, como alguns pesquisadores brasileiros da Unisinos, percurso que me trouxe até aqui”, contou.
Entre as impressões que obteve da universidade, Alessia ressaltou qualidade e a variedade das propostas culturais e educacionais. “A instituição é jovem, tem os meios e a vontade de mudar as lógicas acadêmicas.”, disse ela, que fica no Brasil até setembro, inicialmente. “Considero que essa experiência não é isolada no tempo e é isso que dá valor a ela. Fazer pesquisas para mim não teria sentido sem uma perspectiva de continuidade, o que, evidentemente, pode assumir formas e lugares diferentes. Chegar aqui não é apenas assistir ou dar aulas, estudar na biblioteca e participar de várias atividades. É construir em conjunto e imaginar novas possibilidades.”
Seus projetos futuros contemplam a continuidade de suas pesquisas e, em um futuro próximo, escrever seu segundo livro - o primeiro, que será publicado em julho, na França, fala de monstros, fantasmas, deuses e soberanos, na linha de pesquisa aberta pelo curso de Foucault Les anormaux. “Além disso, gostaria de trabalhar em um projeto internacional de pesquisa com nosso centro interuniversitário de Paris 1, D.E.S.-I.R. (droit, éthique, science - imagination, recherche).”