"Um resultado importante da pesquisa foi a constatação de que a estrutura das populações de araucárias estava associada às condições de cada trecho florestal, ou seja, nos trechos conservados essa estrutura era diferente da encontrada nos trechos degradados", destaca Alexandre. "A estrutura de uma população é a distribuição, em diferentes classes de tamanho, de todos os indivíduos", complementa.
Nas áreas conservadas, foi constatado o predomínio de araucárias grandes, com poucos indivíduos pré-reprodutivos, o que sugere que, em áreas florestais fechadas, as árvores jovens não conseguem sobreviver e crescer até a idade adulta. A constatação de que novas árvores da espécie são muito raras no interior de florestas conservadas pode ajudar na definição de estratégias de manejo que garantam a exploração racional de sua madeira e a regeneração das populações da espécie na região Sul.
Já nas áreas onde há algumas décadas ocorreu a retirada seletiva de árvores adultas da espécie foram encontrados indivíduos juvenis de tamanho grande e alguns imaturos. Isso indica que, após a perturbação causada pela derrubada de árvores adultas, que abre ‘buracos’ entre as copas e permite maior entrada de luz, há um surto limitado de crescimento e sobrevivência de araucárias jovens, hoje encontradas em tamanhos intermediários. "As araucárias jovens são encontradas nos locais mais abertos das florestas, onde a entrada de luz é maior do que o normal", resume Alexandre.
As auraucárias dependem, para completar seu ciclo de vida, de grandes perturbações nas florestas em que vivem, provocadas por fenômenos como tornados, tempestades, deslizamentos de terra ou incêndios. Alguns desses fenômenos ocorrem periodicamente nas áreas montanhosas e chuvosas nas quais se encontram as araucárias, provocando a queda de árvores e criando clareiras ou abrindo espaços nas copas. “Após esses eventos, centenas ou milhares de jovens conseguem se desenvolver, chegar à idade adulta e formar um maciço de copas altas”, pontua.
O trabalho foi desenvolvido na Floresta Nacional de São Francisco de Paula, no extremo leste da Serra Gaúcha. Nessa área, trechos florestais bem conservados são intercalados com trechos que sofreram a extração seletiva de araucárias (sem a derrubada da floresta como um todo). os dados obtidos nos estudos foram financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CPNq), pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs), e pelas instituições International Foundation for Science e British Ecological Society.