Mais do que descansar e aproveitar a calmaria que antecede as aulas, época de férias é tempo de renovar corpo e mente. A folga no calendário acadêmico dá espaço a rotinas mais leves, saudáveis e equilibradas. Por isso, conhecer e começar a praticar os ideais do Slow Food nesses dias é uma boa opção àqueles que querem unir o útil ao agradável de forma a promover o próprio bem-estar e contribuir com a sustentabilidade do planeta.
Além de comer bem e de forma adequada, o adepto ao Slow Food deve ter em mente a responsabilidade de defender a herança culinária, as tradições e culturas que tornam possível a alimentação prazerosa. Para ele, a gastronomia é vista como liberdade de escolha, princípio da educação e método de abordagem multidisciplinar em relação à comida. O alimento, por sua vez, é bom, limpo e justo. Bom, pois é saboroso, fresco e capaz de estimular e satisfazer os sentidos. Limpo, porque é produzido sem exigir demais dos recursos da terra e sem prejudicar a saúde humana. E justo por respeitar a justiça social, o que significa pagamento e condições devidas a todos os envolvidos no processo, desde a produção até a comercialização e o consumo.
Slow Food não quer dizer apenas comer devagar, mas sim fazer escolhas certas. Ou seja, significa manter uma alimentação que respeite o cultivo, a sazonalidade e a diversidade dos alimentos, ressaltando suas características orgânicas e nutricionais. De acordo com Alexandre Baggio, docente do curso de Gastronomia, essa prática gera uma melhora no momento da refeição e nutre o corpo humano de forma correta. Além disso, contribui com a saúde do planeta, uma vez que incentiva métodos sustentáveis de produção em meio rural.
Nesse contexto, os meses de janeiro e fevereiro surgem como boa oportunidade para dar início a um novo estilo de vida baseado nos preceitos do Slow Food, já que conferem ao aluno algo do qual ele sente falta no período letivo: tempo. Tempo para sentar à mesa e degustar a refeição sabendo que, para chegar até ali, o alimento e as pessoas envolvidas no processo foram tratados exatamente da maneira como deveriam. Contudo, o Slow Food não acontece somente nessa época, conforme salienta Alexandre: “As ideias do movimento podem ser praticadas em qualquer ocasião, já que as mesmas não estão relacionadas somente à palavra slow, mas a todo o conjunto. Portanto, é possível dar continuidade aos conceitos mesmo com o retorno às aulas e a agitação diária”.
Slow Food na Unisinos
Além de estudarem as diversas técnicas culinárias ao redor do mundo, os alunos do curso de Gastronomia têm a oportunidade de conhecer e aplicar os conceitos do Slow Food dentro da realidade do Rio Grande do Sul. A partir do segundo semestre, eles desenvolvem pesquisas mais amplas acerca da relação entre o movimento e o estado a fim de resgatar a cultura gaúcha. De acordo com a coordenadora Luciana Teichmann, há, inclusive, grupos que trabalham junto ao governo em projetos de mobilização.
Quem estiver interessado em conhecer mais sobre o movimento pode começar visitando o Convivium Slow Food Sul Porto Alegre, que é liderado pelo próprio professor Alexandre. Fica na Rua Augusto Meyer, número 20, apto. 1201B. Ou, pode entrar em contato através do telefone (51) 84156434, e do e-mail convivium.sul@slowfoodbrasil.com. O Convivium é um ambiente de construção de relacionamentos com produtores através de campanhas em prol da proteção dos alimentos tradicionais. Lá, são organizados seminários e degustações para encorajar chefs a usarem produtos locais e para promover a educação do gosto.
Mais informações podem ser obtidas em www.slowfoodbrasil.com.