Uma conversa descontraída entre realizadores de diversas áreas da produção audiovisual gaúcha ratificou a proposta do Mídia Café, gravado na tarde de quarta-feira (20/8) no Centro de Eventos de Gramado, onde acontece, até sábado (23/8), um dos festivais de cinema mais importantes do país. O clima de cyber café permitiu uma discussão séria e, ao mesmo tempo, brincalhona entre Sérgio Silva, Giba Assis Brasil, Rogério Ferrari, Gilberto Perin e Flávio Porcello, sob a mediação do jornalista, professor e coordenador do Curso de Realização Audiovisual do Centro de Ciências da Comunicação, Vitor Necchi.Discutiu-se o perfil, justamente, da realização audiovisual no estado. os convidados trocaram idéias a respeito não só dos meios disponíveis para a inserção de produtos regionais, como também das experiências de cada um nessa área. Estiveram presentes em Gramadoa diretora do Centro 3, Ione Bentz, e o vice-diretor, Sérgio Endler.
Um dos que questionam uma identidade gaúcha como marca registrada de filmes produzidos no estado é o diretor e montador Giba Assis Brasil. Para ele, é mais interessante se falar de um cinema brasileiro feito aqui, no Rio Grande do Sul, do que no rótulo \"cinema gaúcho\". \"E também vale para a televisão\", acrescentou. Aproveitando o gancho, Sérgio Silva, que concorre no 31º Festival de Gramado - Cinema Brasileiro e Latino com Noite de São João, concordou com Giba, mas, por outro lado, afirmou ter laços muito fortes com sua terra natal, pois mora há 58 anos no Rio Grande do Sul e é o mundo que ele conhece: \"Teria dificuldade, por exemplo,em fazer filme de cangaceiro\", revelou o diretor de Anahy de las Misiones. Porcello, por sua vez, contribuiu com a idéia de que a análise da identidade passa pelo conteúdo da mensagem. Na opinião de Perin, o que existe, hoje, é uma produção local com influências regionais. Segundo ele, é preciso discutir o tipo de produção que se faz no estado. Ferrari afirmou que a identidade sul-riograndense está representada no trabalho dos realizadores gaúchos, mas o que falta no cinema gaúcho, tanto na esfera regional quanto nacional, é uma crítica ampla, nos moldes da engendrada pela Nouvelle Vague francesa dos anos 50: \"Essa crítica existe, porém de forma diluída e não sistemática\".
Necchi aproveitou a ocasião para apresentar o Curso de Realização Audiovisual do Centro 3 como uma iniciativa que integra os diversos campos da produção audiovisual. Esse ponto, aliás, foi elogiado por Sérgio Silva por não ser algo lacrado, mas permitir que novos recursos se somem ao audiovisual, extrapolando o cinema ou a TV.O curso, que lançou seu siteem Gramado (www.unisinos.br/audiovisual/curso),é composto por oito programas de aprendizagem, além de seminários e laboratórios: captação de imagem, processamento de imagem, roteiro, som, produtos interativos, direção, direção de arte e produção. Gramado marcou, também, o lançamento do site Cinestese, produzido pelos alunos do Curso de Realização Audiovisual. No âmbito dos homenageados, o cineasta Cacá Diegues recebeu o Troféu Eduardo Abelin e declarou que se trata da homenagem mais importante que recebeu na sua vida, mas que os prêmios não podem se tornar uma obsessão na carreira de um diretor. Também circularam por Gramado, uns mais acessíveis do que outros, diversos artistas, entre os quais Carmen Silva, Milton Gonçalves eHugo Carvana.