O coordenador do Laboratório de Software Livre do Instituto de Informática da Unisinos, Leonardo Lemes, participou do seminário O Software Livre e o Desenvolvimento do Brasil, que aconteceu em Brasília, no final do mês de agosto, promovido pelo Senado e pela Câmara dos Deputados. Lemes destaca que durante o evento o Rio Grande do Sul foi citado muitas vezes como um dos pólos do software livre no Brasil. Além disso, a experiência do governo gaúcho, que em 1999 gastou R$ 18 milhões com software proprietário e fechou 2001 com gastos de somente R$ 150 mil, foi citada como exemplo de sucesso.
A utilização de software livre na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) e projetos como a Rede Escolar Livre também foram mencionados. Outra experiência apontada foi a da Dataprev que passou a usar software livre há um ano e já economizou aproximadamente R$ 700 mil.
Durante o evento houve o anúncio de que o Bndes e a Finep oferecerão recursos a bons projetos que envolvam software livre. Para Lemes, \"essa forma de incentivo, aliada a políticas de desenvolvimento do software livre, mais todo o potencial de pesquisa que temos nas nossas universidades resultará, certamente, em desenvolvimento, fazendo com que o Brasil assuma uma posição de destaque no cenário mundial de desenvolvimento de software.\" Hoje ele é o sétimo no mercado mundial de software livre, com 5 mil empresas utilizando as soluções.
O papel das universidades no desenvolvimento do software livre no Brasil, também, foi abordado. \"Foi discutido sobre a necessidade de pesquisas que efetivamente ajudem a melhorar a nossa sociedade, ou seja, que pesquisadores de universidades utilizem o software livre para desenvolver soluções de problemas reais\", comenta o coordenador do Laboratório de Software Livre.
Lemes lembrou ainda do depoimento da presidente do Sindicato das Empresas de Informática do RS (Seprorgs), Gisele Oliveira. \"Ela disse que o governo está fazendo a sua parte e que basta agora que as empresas respondam à altura. Eu incluiria, ainda, as universidades, que devem começar a preparar profissionais para esse novo mercado, mas que para isso devem atualizar os currículos dos cursos de graduação, promover debates, oficinas e principalmente oferecer aos seus alunos a possibilidade de escolha e o incentivo a desenvolverem suas atividades, independente das disciplinas, em ambiente GNU/Linux.\"